"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Arouca - Escariz - Dólmen da Aliviada ou Dólmen Pintado de Escariz

Recentemente decidi conhecer o património megalítico do conselho de Arouca, distrito de Aveiro. Uma pesquisa na Internet chamou a minha atenção para uma freguesia do dito conselho, a freguesia de Escariz.

No Site do Turismo Centro de Portugal (www.turismodocentro.pt) Encontro:

“Monumentos Megalíticos de Escariz
A freguesia de Escariz é, de todo o concelho, aquela onde os monumentos megalíticos se apresentam mais concentrados (cerca de 40). Numa linha de orientação NNW-SSE, com cerca de 10km.
São túmulos funerários que datam do 5º milénio até finais do 2º milénio A.C.. As mamoas que compõem os vários núcleos megalíticos da região apresentam, por vezes, pinturas e gravuras (ex: Mamoa I da Aliviada). Dos 40 monumentos já inventariados, procedeu-se, na época de 80, à escavação dos seguintes:1983 - Mamoa I da Aliviada, monumento megalítico de câmara alongada sub-rectangular aberta, voltada para SSE, formada por 9 esteios, seis dos quais apresentam pinturas e/ou gravuras, e uma laje de cobertura, estando classificado como Monumento Nacional; 1984 - Mamoa II da Os monumentos estudados revelaram um espólio abundante e de boa qualidade, compreendendo em pedra lascada, microlitos geométricos, pontas de seta, lâminas e lamelas; em pedra polida, machados. Encontram-se ainda elementos de moinho manual, assim como lascas em sílex e quartzo. A cerâmica embora abundante, apresenta-se no geral muito fragmentada, impedindo qualquer reconstituição das formas. Existem também alguns elementos de adorno, constituídos por pequenas pontas de xisto.”

Cativante, Certo?

No Portal de Arouca (www.aroucanet.com) podemos encontrar:

MONUMENTOS MEGALÍTICOS

Os monumentos megalíticos existentes em Arouca encontram-se em diversos locais do território concelhio e predominam nas terras altas ou de meia encosta, sobretudo em terra virgem, onde não chegou, pelos séculos fora, a intervenção humana no arroteamento das terras para a produção agrícola.
Daqui poderá concluir-se que outros monumentos funerários terão existido, em diferentes locais, nomeadamente mais próximos do vale, mas as necessidades de utilização do solo e as alterações que por isso foram provocadas, levaram à destruição dos espaços que serviram para enterrar o homem que habitou em tempos mais distantes esta região.
Importa por isso, aqui e agora referenciar os monumentos existentes e que com maior ou menor persistência vão sendo estudados, de acordo com as políticas culturais e a sempre necessária disponibilização de verbas para o efeito.
No território do concelho de Arouca estão hoje estudados vários monumentos funerários pré-históricos e está finalmente feito o levantamento do património arqueológico concelhio.
Estudos anteriores permitem-nos afirmar que os mais antigos vestígios da presença humana em Arouca datam do IV milénio a .C.
Estes vestígios são constituídos por monumentos sepulcrais, denominados por antas, dolmens ou mamoas que foram os locais funerários colectivos das populações pré-históricas.
O conjunto Megalítico de Escariz, na freguesia que lhe dá o nome, constitui o mais vasto património pré-histórico do concelho e está classificado todo o conjunto, bem como algumas mamoas já devidamente estudadas. Destas cerca de 50 mamoas que compõem o Conjunto Megalítico merece especial relevo o Dólmen 1 da Aliviada, classificado como monumento Nacional desde 1992. De grande importância pela sua estrutura são também a mamoa 2 da Aliviada e o Dólmen 4 das Alagoas.
O planalto da serra da Freita é outro dos locais de Arouca de relevante importância em monumentos megalíticos, tendo sido, até agora localizados mais de duas dezenas de monumentos deste tipo.
A mamoa de Portela de Anta, situada bem no centro do planalto da Freita, surge-nos como o grande cemitério pré-histórico. É um monumento imponente com um diâmetro que atinge cerca de 30 metros e terá sido, durante mais de um milénio, a grande necrópole de toda a região da Freita.
Também no Arressaio, extremo Norte do concelho, na freguesia de Santa Eulália, a cerca de 500 metros de altitude se encontram vários monumentos funerários.
O mesmo sucede na freguesia de Alvarenga, no outro extremo do concelho, a Nascente onde está identificado um vasto e rico património funerário megalítico.
Dos monumentos que foi possível estudar, verificou-se que os adornos funerários eram bastante pobres, tendo-se, no entanto recolhido algum importante material como: fragmentos de vasilhas cerâmicas, mós manuais, machados de pedra polida, lâminas e pontas de sílex, bem como milhares de contas em forma de disco, que terão servido de objecto de adorno.
Este espólio aguarda exposição num futuro museu que tarde em surgir.”

A página da Câmara Municipal, na secção de património, (www.cmarouca.pt) é mais comedida:


“- Em Escariz - conjunto megalítico. “

Telefono ao Centro de Turismo de Arouca, para me darem a localização de alguns destes monumentos. Uma senhora, muito simpática, responde-me que não possuía tal informação. Para ser sincero, não me surpreendeu. Mesmo assim, decidi partir em direcção a Escariz.
Corri toda a freguesia e, concluí porque é que não me souberam dar informação alguma. De 40 monumentos nem um único que se encontrava sinalizado.

Regressei a casa e comecei a investigar acerca dos mesmos. Três deles chamaram-me a atenção, um dos quais o Dólmen 1 da Aliviada ou Dólmen Pintado de Escariz.

No artigo “Em torno da Arte Megalítica: Revisitando uma visão de 1981. De: Victor Oliveira JORGE, encontrei o seguinte excerto que publico:

   
Depois de algumas horas de pesquisa consigo encontrar uma carta arqueológica de Arouca, no Site da Câmara, e traço como objectivo de visita o Dólmen 1 da Aliviada e a mamoa nº 4 de Alagoas.

Não é comum encontrar-se dólmenes pintados, confesso que estava ansioso por ser brindado pelas pinturas que iria encontrar no Dólmen da Aliviada.

Chegado ao local que o mapa indicava comecei a ficar reticente acerca do que ia encontrar. As fotos falam por si

Envolvente do Dólmen da Aliviada

 Envolvente do Dólmen da Aliviada

Dólmen da Aliviada

Dólmen da Aliviada

Alguém que me diga que não encontrei o Dólmen da Aliviada!
Alguém que me diga que as Pinturas foram preservadas!

Alguém que me explique a pompa e circunstância com que se divulga o património se no fim não se mostra qualquer respeito pelo mesmo. Mais vale enterra-lo, depois de ser estudado, para que gerações mais civilizadas o desenterrem e saibam cuidar.

A acta seguinte encontra-se disponível na net:

“ACTA N.º 21/2006
REUNIÃO ORDINÁRIA DE 03.OUTUBRO.2006
----------------Aos três dias do mês de Outubro de dois mil e seis, nesta vila de Arouca e Edifício dos Paços do Concelho, reuniu ordinariamente a Câmara Municipal de Arouca, sob a Presidência do seu Presidente, senhor Eng.º José Artur Tavares Neves, e com a presença dos Vereadores senhores Dr. Ângelo Alberto Campelo de Sousa, Albino Soares Oliveira, Dr. Óscar de Pinho Brandão, Belarmino Soares Francisco, Dr. José Luís Alves da Silva e Adriano Soares Francisco. ------------------------------------------------Pelas 14.30 horas o senhor Presidente declarou aberta a reunião. -------------------------------

---------------- I . PERÍODO DE ANTES DA ORDEM DO DIA: -----------------------------O Vereador senhor Dr. José Luís Silva pediu a palavra para:

(…)

-----------------2. Perguntar se o senhor Presidente tem conhecimento da situação degradada em que se encontra o conjunto megalítico de Escariz, designadamente a Mamoa de Aliviada, e o que está pensar fazer-se para a preservação daqueles monumentos megalíticos; ------------------------------

(…)

--------------- Às questões formuladas foi respondido que: -------------------

(…)

--------------- 2. A propósito desta questão o Vereador senhor Albino Oliveira referiu que a Mamoa de Aliviada está implantada em terreno particular e que foi objecto de actos de vandalismo que a descaracterizaram significativamente. ------------------------------------------------------------------------------------------------ O senhor Presidente referiu ainda que poderá estudar-se a recuperação do monumento e a eventual aquisição do terreno envolvente tendo em vista a sua preservação. ---------------------------------

(…)”

Não sei como viram o Dólmen há 4 anos atrás. Eu sei o que vi, uma tremenda falta de cortesia para com a história, para com a cultura, para com a memória de Portugal.

Nenhuma pintura restava, apenas 3 esteios se mantêm debilmente erguidos.

Emocionei-me e aqui fica este meu post como manifesto, na esperança que alguém de poder intervenha.

Este monumento pode ser encontrado pelas coordenadas seguintes:
         40º,919 N; 8º,388 O

A mamoa nº 4 de Alagoas, Boa sorte, eu não a consegui encontrar.


Cumprimentos Fraternos

2 comentários:

Sara Almeida Silva disse...

Infelizmente é esse o estado do nosso património, e as entidades competentes parecem não querer saber dele.
Senti o mesmo quando há um ano tentei encontrar a Villa Romana de Santa Vitória do Ameixial. Na altura também expressei assim a minha tristeza (http://mundotaperdido.blogspot.com/2009/07/o-mundo-esta-perdido-estados-dos.html).
Infelizmente, quem pode fazer algo, parece não querer fazer nada. Pelo menos, haja quem denuncia estas situações.

Maria Ribeiro disse...

AZOTH: andei, no ano passado, por alturas da Páscoa, a viajar pela região de Arouca , serra da FREITA, etc. Não tinha esses conhecimentos que o meu amigo demonstrou ter ,no seu riquíssimo post.Fico-lhe muito grata por todo esse historial, que ,infelizmente, os portugueses não têm porque não amam o seu património ,nem conhecem o seu passado, fora dos livros da escola.
Abraços FRATERNOS:.

LUSIBERO

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