"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Justiça


Aqueles que dizem que um mundo Justo é uma utopia, ou são carcereiros ou são prisioneiros.

Diz um ditado chinês “toda a grande caminhada começa por um pequeno passo”.

A justiça exterior é o reflexo da justiça interior.

A ordem é o corpo da Justiça. Procuremos ordenar a nossa mente, emoções e corpo e como fio director escolhamos o que mais divino a nossa mente consegue compreender, a Ética e a Moral humana.

O material deve estar sujeito ao Homem no progresso ou evolução da sua Humanidade e não o contrário, não deve o Homem estar sujeito ao material, pois tal é uma das maiores causas do seu sofrimento.

Talvez não consigamos um mundo Justo no nosso tempo de vida, não importa, que o nosso egoísmo em querer desfrutar os frutos do nosso esforço não nos impeça de sonhar e lutar por ele, que aqueles que nos sucederão o gozem ou continuem o nosso esforço.

Não esqueçamos, a obra começa em nós.

Que Deus nos permita morrer como Bravos Guerreiros e não como covardes.

3 comentários:

rogerio franco disse...

Caro Azoth

Antes de mais, felicito-o pelo seu trabalho aqui desenvolvido, com postagens sempre "fora" do usual.

Sobre este seu texto, gostava que esclarecesse um pouco mais o seu ponto de vista, pois me parece estar a colocar num mesmo campo a justiça dos homens com a justiça divina.
Prefiro sempre interpretar as duas separadamente, embora possa admitir concerteza que há pontos de contacto, claro!

Sobre a primeira, lhe digo que, já há muito me deixei de importar, pois é uma justiça técnica. É uma justiça com mobilidade. O que hoje é justiça, há cem anos não o era e vice-versa. Os humanos vão adaptando as suas leis conforme a evolução no entendimento da sua própria sociedade. Vão adaptando-as aos ciclos de expansão/contracção das ideias, da economia, e das consequências. É uma justiça em que, aqueles que transgridem, mais tarde ou mais cedo serão chamados ao juíz. É uma justiça desapontante, pois está cheia de injustiças. É a justiça dos homens! A minha desiluzão perante este tipo de justiça é ela estar também submetida à vontade dos sistemas políticos, motivo pelo qual, em maior parte, é divergente da justiça "mais divina que a nossa mente consegue compreender".

Essa, a justiça divina, é permanente. "Talvez não consigamos um mundo Justo no nosso tempo de vida..."? discordo, pois do ponto de vista dessa justiça, a qual sim, tem uma ordem, tanto faz que sejamos cheios de ética e moral humana, como não. Tanto faz que que vivamos cheios de bens materias como despojados. Essa justiça é implacável. Não é uma utopia. Está presente desde o "big bang" e estará presente até ao fim, seja lá que fim fôr. É de uma beleza grande. Está presente em tudo o que vemos à nossa volta. Apesar de ser uma justiça rigorosa e perfeita, admite que um indivíduo viva no erro durante décadas, e que as sociedades vivam em tantos outros erros durante séculos, mas, cada erro é sempre irreversível. Não há perdão nesta justiça. Um erro permeneçe no nosso corpo e mente como uma marca indelével. Um acumular de erros conduzir-nos-á à morte. É uma justiça séria.
O cárcere dos homens nada significa com o cárcere divino.

Por fim, desculpe desapontá-lo com a minha opinião, mas, essa utopia de que fala, "um mundo justo", nunca chegará enquanto as pessoas que atingiram um patamar elevado de consciência e entendimento se demitirem de liderar a sociedade dos homens, pois permitem-se viver e morrer como covardes.

Bem haja

Azoth disse...

Saudações, caríssimo Rogério.
Obrigado pelo elogio.

É justo o seu comentário, pois mostra que reconhece algumas verdades subtis que podem escapar aos sentidos de muitos.

Vou expor um pouco melhor aquilo que penso pois na sua grande parte vai de encontro ao que escreveu salvo umas excepções.

Vejo o homem, ou melhor, esforço-me para ver o homem como um único princípio que se manifesta em vários corpos. De alguma forma eu estou no outro e o outro está em mim e um qualquer véu cria uma cortina que de alguma outra maneira nos diferencia em duas aparentes unidades.
Isto para dizer que somos um único principio em movimento, como tal todos temos os mesmos direitos e os mesmos deveres.

Platão dizia que só podemos ter um estado justo quando for governado por homens justos. E a justiça é o elemento que diferencia uma sociedade de um Estado.
Numa sociedade, os elementos satisfazem as necessidades individuais, num estado, os indivíduos satisfazem a necessidade do todo.

O que é que o Estado tem a ganhar sob a sociedade? Por exemplo, enquanto que uma sociedade desenvolve apenas o centro egoísta, animal, do homem, que se manifesta através da astúcia, embuste, etc., o estado desenvolve o centro “humano”, a verdadeira essência, que se manifesta por exemplo pelo altruísmo, devoção, fraternidade, etc.

É notório que todos somos diferentes, pois esse véu que falei inicialmente em determinados seres nossos irmãos é mais espesso, mas é nosso dever encaminhá-los para a sua humanidade e não deixá-los cair na sua animalidade, o mesmo se aplica a si e a mim.

Sim é certo e um verdadeiro mistério que a natureza com o seu motor oculto, através de ciclos e ciclos insondáveis de tempo irá nos conduzir através da sua justa mão até ao estado de perfeição que para nós tenha sido traçado, mas nós somos uma especial criação sua e se nos apercebemos das suas leis, não ajudá-la na sua obra seria ir contra o plano que ela tem traçado para nós.

Daí que é nosso dever querer construir um mundo justo.

As leis deviam ser a expressão das leis que a natureza traçou para o homem e naõ para o animal.

Porque é que é punível com uma pena pesada o matar um ser humano? Algum dia, um homem conseguiu tocar um plano intocável para os demais e a sua mente entrou em contacto com a verdade que manifestando-se no seu coração lhe falou ao ouvido e lhe disse é incorrecto matares o teu próximo e por isso serás castigado. Jung chamava a este plano o mundo dos arquétipos, Platão o mundo divino ou Nous.

O que nos faltam é verdadeiros homens que consigam tocar esses planos e intuir quais são as leis que são justas ao Homem e não ao animal que cada um em parte trás no seu interior.

Onde estão esses homens? Temos de os educar, no verdadeiro sentido Socrático e Platónico da palavra, a começar por nós. Porque tal como um cristal cresce em torno do átomo semente também a verdadeira civilização, que é a estrutura perfeita desse homem divino crescerá na terra.

Espero que no meio de tanta alegoria e símbolos tenha feito passar a minha ideia.
Mais uma vez obrigado e volte sempre

Abraços Fraternos

rogerio franco disse...

Caro Azoth

Compreendo a sua explicação, e concordo, excepto no que toca às difenrenças entre a sociedade e estado.

Tanto no seu texto como no desenvolvimento seguinte, encontro um optimismo admirável.

saudações cordiais

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