"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Sobre os primeiros cristãos

Continuação do Post anterior.

Julgo que a maior parte de nós sabe, por pouco que seja, alguma coisa do texto do Génesis. Bem, esse é um texto tremendamente alegórico e simbólico, um texto que interpretado pelo cristianismo actual, entre outras coisas, fala do Pecado cometido por Adão e Eva ao desrespeitar o mandamento imposto por uma divindade em não comer do fruto proibido. Será essa a verdadeira interpretação? O Post seguinte lança algumas luzes sobre o Texto do Génesis na forma como os Ofitas o poderiam interpretar.

A maioria das pessoas é da ideia que o cristianismo foi sempre um único grupo que foi crescendo com o tempo, tento Jesus como fundador, mas o que certo e demonstrado pelo história é que após a morte de Jesus formaram-se várias ceitas cristãs e que entre estes cristãos “primitivos” nunca Jesus foi considerado um Deus.

O cristianismo como o conhecemos hoje foi crescendo pelas classes mais baixas e menos intelectuais da época e como tal foi-se despindo de muitas ideias filosóficas e  de mistérios maiores ao ponto das mesmas verdades se tornarem quase como um estorvo à evolução desta facção popular. Aumentando esta facção massivamente o número de fiéis nas cidades romanas, mais por uma questão politica do que de fé, o imperador Constantino “apadrinha-a” e converte o Império Romano à mesma.

Pessoalmente, não encontro justificação para o que aconteceu de seguida a não ser o efeito ébrio do poder e egoísmo. A facção reconhecida pelo império, ou a “Igreja” começou a perseguir e a eliminar tudo e todos que tomava por “concurrência”.

O texto seguinte pertence à cosmogonia dos primeiros cristãos, neste caso os Ofitas. Esta seita foi uma daquelas que foi perseguida e eliminada. As ideias contidas neste texto, tal como no Génesis, possuem um simbolismo muito profundo. Mesmo numa leitura linear não é um texto fácil e os primeiros parágrafos são prova disso. No entanto à medida que se aproxima do final vai ficando mais claro pelo menos na chave mais mundana.

Que cada um conclua o que quiser, mas uma das ideias que se retém segundo o texto Ofita é que meio mundo anda a venerar uma divindade puramente materialista, Ilda-Baoth como os Ofitas a designavam. Ilda-Baoth é o Deus Supremo hebraico e pela ânsia que a Igreja teve em fazer de Jesus o Messias descrito no Antigo testamento, o Deus do cristianismo actual.


O Absoluto (Divindade não manifesta ou Deus dos Mistérios) que não possui qualquer nome emana de si uma potência andrógina. O Princípio feminino desta potência é Bythos que simboliza o véu, o abismo infinito e insondável, símbolo abstracto do Cosmos. O Princípio masculino tem o nome de Sigé. Da acção generativa dos dois princípios resulta uma nova potência, Ennoia, o Logos ou Verbo criador, a Mente.

Por sua vez, Ennoia emana a entidade andrógina, Christos constituída pelos elementos Christos ou Ophis e Sophia. Estes dois princípios “são respectivamente a sabedoria masculina e a sabedoria feminina, ou de outro modo, a Sophia maior, Sophia Pneuma (Espírito Santo imanifesto ou mente arquétipa de todas as coisas) e Sophia menor (Ophis) ou Espírito santo manifesto..”* Foi esta última potência, Ophis, que se manifestou no humano Jesus.

“Sophia, incapaz de criar por si mesma o mundo objectivo, emana do seu próprio ser Achamoth, que desce aos caos e colhida pela densidade da matéria, desorienta-se e extravia-se; mas, obstinada não obstante em formar um mundo objectivo, move-se sobre o caos para vencer a inércia dos elementos, até que, atolada, por assim dizer, de matéria e não podendo mais desembaraçar-se dela, emana de si mesma o Criador (O Demiurgo) do mundo objectivo, Ilda-Baoth…”*

“Depois de ter produzido Ilda-Baoth (de criança + ovo ou vazio) sofreu muito Achamoth pelo contacto com a matéria, até que ao fim de muitos esforços, escapou do pegasojo caos. Como não conhecia o Pleroma, região materna, chegou ao espaço intermédio e desprendendo-se das partículas materiais que estavam aderidas à sua natureza espiritual. Então levanta uma grande muralha entre o mundo mental e o mundo físico, desta forma Ilda-Baoth resulta ser o “filho das trevas”, o criador do mundo pecaminoso ou o aspecto físico do mundo.

Ilda-Baoth emana de si mesmo, à sua própria imagem, seis entidades astrais reflexos uma das outras, mas mais  tenebrosas à medida que de distanciam do seu progenitor, com o qual ocupam as sete regiões dispostas a partir do espaço intermédio, onde está a região da sua mãe, Achamoth, até à terra ou sétima região. Temos assim que Ilda-Baoth e as suas seis emanações são os espíritos das sete esferas planetárias, em cujo término está a Terra. Os nomes dos sete espíritos planetários são: Ilda-Baoth, Jove ou Jehovah, Sabaoth, Adonai, Eloi, Uraios e Astaphaios. Os quatro primeiros (sem contar com Ilda-Baoth) correspondem indistintamente ao “Senhor Deus” dos Hebreus; e os últimos dois são os génios do fogo e da água na cosmogonia nazareno-ebionita.

Mas Ilda-Baoth não era uma entidade puramente espiritual, mas sim, ambicioso e soberbo, desdenhou a luz espiritual do espaço intermédio que a sua mãe Achamoth lhe oferecia e quis criar um mundo à sua semelhança. Auxiliado pelos seus seis filhos, os génios planetários, criou o homem; mas fracassou na sua obra, porque aquele homem era um monstro sem alma, ignorante, que se arrastava pelo solo como uma besta. Então, Ilda-Baoth implora pelo auxílio da sua mãe espiritual, que lhe transmite um raio de luz divina, com o qual anima o homem material. Dotado assim de alma, obedece ao impulso da luz divina e eleva-se mais e mais, até transcender a imagem do seu criador Ilda-Baoth e mostra semelhanças com Ennoia, o Homem arquétipo.

Tomado de raiva e inveja, Ilda-Baoth rebenta em animosidade pela sua criatura e colocando a sua vista envenenada no abismo da matéria, reflectiu-se a a sua paixão nela como num espelho, com tal intensidade que do abismo surgiu Satã cuja inteligência espiritual está misturada com ódio, inveja, falácia e o que mais existe de vicioso, ruim e grosseiro da matéria.

Cada vez mais maldoso, Ilda-Baoth ao ver a progressiva perfeição do homem, cria os reinos mineral, vegetal e animal com todos os seus maus instintos e viciosas qualidades; mas impotente para abater a arvore do conhecimento, que cresce em cada uma das regiões planetários, resolve-se em separar o homem da sua protectora espiritual e proíbe-o de comer o fruto da arvore por temor que descubra os mistérios do mundo superior. Mas Achamoth, que protegia e amava o homem por tê-lo animado, enviou o seu filho Ophis em forma de serpente para induzir o homem a comer o fruto da árvore. E quando o homem quebrou essa ordem tão injusta e egoísta, capacitou-se subitamente para compreender e abarcar os mistérios da criação.

Ilda-Baoth vingou-se do primeiro casal humano encerrando-os numa masmorra de carne, indigna da sua natureza, onde todavia estão escravos. Mas Achamoth, que continuava protegendo o homem, estabeleceu entre ele e a mansão celeste uma corrente de divina luz para a sua iluminação espiritual.

Comovida Achamoth pelos males que não obstante a sua protecção afligem a humanidade, suplica à sua mãe celeste Sophia que envie do desconhecido abismo Christos, filho e emanação da virgem celeste em auxilio da humanidade em decadência, pois Ilda-Baoth e os seus seis filhos materiais desviam dele a luz divina.

Achamoth disse então ao seu filho Ilda-Baoth que o reino de Christos seria somente temporal e fiando-se disso, envia Ilda-Baoth o seu próprio mensageiro e protejido o profeta João Bautista, da estirpe de Seth; mas unicamente escutaram a sua palavra os nazarenos que adoravam Iurbo-Adonai (uma das emanações de Ilda-Baoth). Para além disso, Achamoth induziu Ilda-Baoth a engendrar o homem Jesus na Virgem Maria para que fosse o seu reflexo na Terra, pois a formação de uma entidade física na Terra correspondia por natureza a Ilda-Baoth por não estar nas obrigações de uma potência mais elevada.

Quando nasceu Jesus, uniu-se o Chistos perfeito a Sophia (Sabedoria e Espiritualidade) e foi descendo através das sete regiões planetárias de cuja respectiva forma se ia revestindo para velar a sua verdadeira natureza aos génios dos planetas, ao passo que absorvia destes as chispas de luz divina que retinham na sua essência.

Assim pode infundir-se Christos no corpo de Jesus no momento do Baptismo no rio Jordão. Desde então operou Jesus milagres, pois até aí estava de todo ignorante da sua missão.

Ao se aperceber Ilda-Baoth de que Christos ameaçava derrotar o reino da matéria, colocou contra ele os judeus ( o seu povo escolhido) que o condenaram à morte. Pouco antes de morrer Jesus na cruz, a duada Christos-Sophia abandonou o seu corpo e restituiu-se à sua própria esfera. O corpo Físico de Jesus ficou na Terra, mas ele seguiu actuando num corpo formado por éter.”*

* Isis sem Véu
H. P. Blavatsky

6 comentários:

João Simões disse...

É criatão ou ateu?

É pintor profissional?
Ou gostava de ser?

João Simões disse...

*cristão

Azoth disse...

Bom dia Caríssimo João.

A minha religião é a Verdade.
Procuro Ser um Amante da Sabedoria.
Não faço da Pintura profissão nem está nos meus objectivos fazê-lo. Porque me Pergunta?

O João Estuda, Trabalha?

João Simões disse...

se a sua religião é a verdade então presumo k seja a teu, pelo k se rege pela ciência!

perguntei isso da pintura porke conheço uma pessoa k pinta á maos de 20 anos e tem o sonho de ser pintor e ainda nao o conseguio apesar dos esforços! e eu tbm desenho, mas mais por hobby!

sou estudante!

João Simões disse...

*mais de 20 anos

Azoth disse...

Olá João.

Não sou Ateu. Para ser sincero consigo, a par do ateísmo considero o materialismo como as duas maiores doenças que a Humanidade padece.

O verdadeiro cientista procura conhecer a verdade onde quer que ela esteja não se limitando por dogmas e quando se começa a ter um mínimo entendimento de qualquer lei a consciência despertar pela simples observação do comportamento dos sistemas pois estes são perfeitos demais, inclusive na sua imperfeição para serem obra do acaso.

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