"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Páscoa





Estamos a chegar à Páscoa e aqui no ocidente, este período, de uma maneira ou de outra surge-nos sempre na agenda.
Embora a Páscoa tenha servido de mote para este post, acaba mais por funcionar nestas linhas, como uma porta psicológica que permite a entrada um pouco mais além na consciência do leitor para assuntos relacionados com Religião.

Blavatsky, essa Grande Senhora que tanto nos legou e que ainda continua a ser uma desconhecida para a maioria das pessoas, dizia que “Não há religião superior à verdade”. Religião é uma palavra que vem do Latim e significa “voltar a ligar” Re-Ligare, assim, constituindo a Verdade um eixo, o “Áxis Mundi”, a partir desse eixo, qual gérmen de um cristal, toda uma estrutura é construída. Esta é transmutadora de todas as partes que a formam, ao ponto de somadas as capacidades de dois elementos desse conjunto (1+1) não iremos obter 2 mas sim 3, (1+1=3), ou seja, algo mais.

 O que nos deve ligar como Humanos não devem ser dogmas, nem suposições, nem mentiras mas sim a Verdade. Porquê? Este porquê é fácil de entender, quando alguém estabelece um vínculo assente numa mentira, é fácil para todos nós vermos que basta a mentira ser descoberta e a união transforma-se em partidarismo e conflito entre as partes. Embora o uno seja constituído por partes e entre estas se gere sempre um conflito, este é um conflito dinâmico que permite a projecção do Uno ao longo do tempo, ao passo que um conflito entre partes num processo de dissociação funciona sempre como qualquer força de decomposição da natureza, cujo objectivo é decompor qualquer forma nos seus elementos mais simples para poderem ser absorvidos pela matriz natureza.

Penso que foi num dos livros de Paulo Coelho que li a seguinte história: Os elefantes quando pequenos são presos com uma corda pelo pé a uma estaca firmemente enterrada no solo. Eles tentam, tentam mas não conseguem libertar-se e à medida que vão crescendo começam a desistir, ao ponto de serem adultos e bastar um simples puxão para arrancarem a estaca. Mas não o fazem porque pensam que não vão conseguir e assim deixam-se ficar presos para o resto da sua vida.
Com o seu humano passa-se algo semelhante, durante anos e anos ouve ladainhas, ao ponto de ficar preso às mesmas. Em pequenos, quando tínhamos dúvidas e questionávamos os maiores, estes diziam-nos: “é assim acredita”. Crescemos e aos poucos fomos perdendo a coragem de nos questionar porque as respostas eram sempre as mesmas e desistimos, incapazes de ver que agora possuímos toda a força necessária para sermos nós a encontrar por nossos meios essas respostas.

Não podemos desistir, nem aceitar sem mais nem menos aquilo que nos dizem. Aqueles que nos dizem “aceita e cala”, ou não sabem o porquê daquilo que nos dizem, ou são egoístas e movidos por motivos inferiores pois desta forma, pela não partilha daquilo que em verdade é de todos, ou seja a verdade, controlam-nos ou pensam que nos controlam.

É certo que cada um só recebe aquilo que está preparado para receber e deve aquele que recebe estar disposto a “morrer” para renascer de novo com o que lhe foi transmitido. Por exemplo para se ser sapateiro, à que ser aprendiz e quando todos os mistérios da arte de sapateiro lhe forem passados, pelo esforço, pela dedicação, pelo mérito e este aprendiz se tornar a manifestação da própria arte de fazer sapatos, não mais a sua vida será a mesma, ele renasce, ele torna-se um Iniciado nesses mistérios.

Defendo que o Homem tem o direito de viver num mundo justo e esforçar-se por implementar essa justiça. A falsidade não tem lugar num mundo assim, porque aquele que mente somente pensa nele próprio. Pensar nele próprio é uma característica, perdoem-me, do reino animal, os animais em todas as suas experiências têm como único objectivo despertar o ego individual nós já passamos por tal, o objectivo do reino humano, sim do reino humano, porque ser homem não é ser animal, é despertar, como poderei dizer, o Nós, ao contrário do animal que a cada dia desperta o eu.

Os gnósticos, nome genérico atribuído a vários grupos filosóficos ecléticos que ensinavam o conhecimento ancestral, por alturas do primeiro século, sustentavam que o Antigo testamento teria sido inspirado por uma divindade subalterna e não pelo Deus supremo como os judeus defendiam.

Relativamente a Jesus, somente a partir do ano de 141 d.C., era de São Justino, é que começou a ser visto como divindade.

No entanto, “não há prova alguma no novo testamento da divindade de Jesus aos olhos dos seus discípulos, os quais nem antes nem depois da sua morte lhe prestaram honras divinas, simplesmente o chamavam de “mestre, ou seja, o mesmo título com que Pitágoras e Platão honravam os seus…Nem Jesus se proclamou jamais idêntico ao seu Pai e mesmo que se chama-se filho de Deus, dizia também que todos os homens são filhos do Pai Celestial. Esta Doutrina deriva legitimamente da ensinada muitos séculos antes por Hermes, Platão e outros Filósofos.” H.P.B ou seja, Jesus feito Deus foi uma criação do cristianismo.

Amónio Sacas, filósofo que viveu em Alexandria entre 175 – 242 d.C. disse que “o Propósito de Cristo havia sido restaurar na sua prima pureza a Sabedoria Antiga e eliminar das religiões ao erros que com que a superstição as alterava.”

Note-se, o Cristianismo que conhecemos hoje só começou a tomar forma a partir do concilio de Niceia, 325 d.C.. Neste concílio, de entre outros temas debatidos, foram escolhidos os quatro evangelhos que fariam parte do Novo testamento. Como foram escolhidos dos inúmeros textos que existiam na altura? À falta de consenso, alguém propôs que se deixassem todos os textos em cima do altar e que a divindade escolhesse. Na manhã seguinte, ao entrarem na igreja, em cima do altar estavam 4 textos, os 4 evangelhos e no chão os restantes, milagre disseram. Os restantes textos foram considerados como apócrifos e contrários à nova fé. Pelos vistos, ninguém se questionou com quem ficou a chave naquela noite. Mais, este acto de adivinhação que praticaram parece ter ficado esquecido, porque nos séculos seguintes matou a Igreja milhares e milhares de pessoas por praticarem vaticínios, artes de adivinhação, etc. etc.

Jesus foi um homem, possuidor de um grande espírito, tal qual como Gautama, Buda, que quis reformular, endireitar as práticas desviantes do judaísmo da altura. Jesus, como Iniciado que foi, tinha o conhecimento de várias práticas terapêuticas que aos olhos de muitos na altura eram incompreensíveis mas não eram tão invulgares como se julga hoje em dia. Alguns dos seus milagres nunca existiram e são simplesmente alegorias para mistérios maiores alguns são cópias de textos alegóricos que surgem noutros livros sagrados, por exemplo, o texto sobre a ressurreição da filha de Jairo está copiado de um prodígio semelhante realizado por Krishna e que vem no texto Hindu Hari Purana.

 Os gnósticos, nome genérico atribuído a vários grupos filosóficos ecléticos que ensinavam o conhecimento ancestral, sustentavam que o Antigo testamento teria sido inspirado por uma divindade subalterna e não pelo Deus supremo como os judeus defendiam e defendem.

A Páscoa Judaica é celebrada na primeira lua cheia a seguir ao equinócio da primavera e a cristã no primeiro domingo seguinte à lua cheia. Isto não é casual e tem um profundo significado mistérico. Nas antigas mitologias o Sol é a manifestação da divindade suprema no nosso sistema solar, a lua representa entre outras coisas, uma divindade subalterna que rege as formas etero/ físicas na terra. Os primeiros padres cristãos na ânsia de querem divinizar Jesus e associá-lo ao Deus judaico, Jeovah, Deus lunar e não solar, utilizaram muitos dos mesmíssimos calendários e rituais daqueles que classificavam como pagãos e relativamente à Páscoa, para não a sobreporem a comemoração à judaica transladaram-na para o domingo seguinte. Para quem não sabe, os dias da semana são sete como são sete os principais astros do nosso sistema, sendo o domingo consagrado ao Sol. Assim a Páscoa cristã é um misto confuso de celebração Solar e Lunar.

A Igreja, ao classificar de pagãos os povos que praticavam cultos a várias potências, dizendo que não tinham um Deus único age de uma forma verdadeiramente absurda. Pois, entre os altos sacerdotes Iniciados de todos os tempos sempre se teve presente um princípio único, incognoscível, eterno, de onde tudo irradia. O povo tal e qual como acontece hoje em dia, incapaz de compreender este conceito, necessitava de princípios inferiores que conseguisse compreender e que lhe pudessem servir de guia. Se civilizações como a egípcia são consideradas como pagãs, o que se poderá dizer da civilização actual que presta culto às inúmeras virgens, santos, beatos, anjos, etc. etc…..?

Propositadamente coloquei aqui pontas soltas, não creiam nelas, investiguem-nas e concluam por vós mesmos aquele que é um dos maiores mal entendidos da história. Se quiserem começar a investigar por algum lado, leiam a obra  Isis Sem Véu. Lá irão encontrar tudo do que aqui escrevi, muito mas muito mais profundo.

Queria publicar aqui um texto cosmogónico dos primeiros cristãos mas como me alonguei naquilo que seria somente uma introdução vou deixar tal texto para publicar mais tarde. Esse texto embora muito simbólico dá para entender o grau que ocupa a divindade judaica e a relação que Jesus tem com a mesma.

Cumprimentos Fraternos 

2 comentários:

João Simões disse...

UOU!!
Este blog é muito bom!
gostei imenso deste post!

ja agora é pintor?


visite o meu:
http://1-everything-for-everyone.blogspot.com/

Azoth disse...

Olá João.

Obrigado pelo elogio.
Respondendo à sua questão, se pintor é aquele que pinta quadros então sou pintor, se pintor for aquele que faz da pintura um meio de subsistência então não o sou :).

Com toda a certeza que passarei pelo seu Blog.

Continuação de um bom dia e volte sempre...

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