"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Sobre a Beleza da Alma e o verdadeiro Amor




“Adverte, Sancho – respondeu D. Quixote – que há duas formosuras: uma da alma, outra do corpo; a da alma campeia e mostra-se no entendimento, na honestidade, no bom parecer, na liberalidade e na boa criação, e todas estas partes cabem e podem estar num homem feio; e, quando se põe a mira nesta formosura e não na do corpo, o amor irrompe então com um ímpeto e vantagem. Bem vejo, Sancho, que não sou formoso, mas também conheço que não sou disforme; e basta a um homem de bem não ser monstro, para ser querido, contando que tenha os dotes da alma que te disse já.”


“Don Quijote de la Mancha”
Miguel de Cervantes

4 comentários:

Maria Ribeiro disse...

Azoth: é bem verdade o que diz o pobre fidalgo DE LA MANCHA. Cervantes que pretendeu fazer aquilo que em Literatura se chama PARÓDIA, neste caso aos cavaleiros sem fortuna ,meio-loucos, conseguiu, em vez disso um manual de valores que, infelizmente vão desaparecendo entre as brumas do capitalismo selvagem. Não é por acaso que Sancho PANÇA se torna o rei da "Ilha da Barataria"...
Beijo amigo de Lusibero

Azoth disse...

Um bem haja Maria.

Sim,Concordo consigo, poucos são os diálogos nesta obra de Cervantes que não transmitem uma lição de ética. Opino, embora na dúvida que Cervantes não tenha estruturado a obra ao acaso. Talvez as primeiras peripécias de D. Quixote, que facilmente o classificam de tolo, sirvam apenas para criar um forte elo com o leitor para que verdades posteriores possam ser ditas sem provocar grande revolta entre os leitores. Todo o sábio é um tolo aos olhos das massas e em nenhuma altura, em todas as suas inimagináveis aventuras deixou ele se ser cortês. Sim D. Quixote de la Mancha é um verdadeiro manual de cortesia, uma obra-prima do ideal cavalheiresco.

Abraços fraternos.

Norma Villares disse...

Azoth amiogo da alma,
ESte foi o primeiro livro que li e que tanto influenciou a minha vida. Sancho era o FIO TERRA que devolvia a razão.
Assim reflexionando aprendemos compreender profundamente esta literatura que é eminentemene a odisséia da alma.
SErve para amadurecer o espírito.
Um grande abraço afetuoso

Azoth disse...

Bom dia Norma.

Pois é, todos nós temos um Sancho Pança dentro de nós, que não procura aventuras e prefere estar em segurança.

Atrevo-me a fazer a seguinte comparação, D. Quixote e Sancho funcionam como a Individualidade e a personalidade do homem tal como são descritas em muitas tradições filosóficas da antiguidade.

Por isso o fio de terra que faz referência assenta-lhe perfeitamente e como diz, é uma verdadeira odisseia da alma.

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