"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Fala-nos do Amor.

“Então Almitra disse, fala-nos do Amor.
E ele ergueu a cabeça e olhou para o povo e caiu uma grande imobilidade sobre eles. E em voz poderosa ele disse: Quando o amor vier ter convosco, seguros, embora os seus caminhos sejam árduos e sinuosos.
E quando as suas asas vos envolverem, abraçai-o, embora a espada oculta sob as asas vos possa ferir.
E quando ele falar convosco, acreditai, embora a sua voz possa abalar os vossos sonhos como o vento do norte devasta o jardim.
Pois o amor, coroando-vos, também vos sacrificará. Assim como é para o vosso crescimento também é para a vossa decadência.
Mesmo que ele suba até vós e acaricie os mais ternos ramos que tremem ao sol, também até às raízes ele descerá e abaná-las-à enquanto elas se agarram à terra.





Como molhos de trigo ele vos junta a si.
Vos amanha para vos pôr a nu.
Vos peneira para vos libertar das impurezas.
Vos mói até à alvura.
Vos amassa até vos tomardes moldáveis; e depois entrega-vos ao seu fogo sagrado, para que vos tomeis pão sagrado para a sagrada festa de Deus.


Toda estas coisas vos fará o amor até que conheçais os segredos do vosso coração, e, com esse conhecimento, vos tomeis um fragmento do coração da Vida.


Mas se, receosos, procurardes só a paz do amor e o prazer do amor, então é melhor que oculteis a vossa nudez e saiais do amor, para o mundo sem sentido onde rireis, mas não com todo o vosso riso, e chorareis mas não com todas as vossas lágrimas.





O amor só se dá a si e não tira nada senão de si.
O amor não possui nem é possuído; pois o amor basta-se a si próprio.
Quando amardes não deveis dizer "Deus está no meu coração", mas antes "Eu estou no coração de Deus".
E não penseis que podeis alterar o rumo do amor, pois o amor, se vos achar dignos, dirigirá o seu curso.
O amor não tem outro desejo que o de se preencher a si próprio.
Mas se amardes e tiverdes desejos, que sejam esses os vossos desejos:
Fundir-se e ser como um regato que corre e canta a sua melodia para a noite.
Para conhecer a dor de tanta ternura.
Ser ferido pela vossa própria compreensão do amor; e sangrar com vontade e alegremente.
Despertar de madrugada com um coração alado e dar graças por mais um dia de amor; Repousar ao fim da tarde e meditar sobre o êxtase do amor; Regressar a casa à noite com gratidão; E depois adormecer com uma prece para os amados do vosso coração e um cântico de louvor nos vossos lábios.”


“O Profeta”
Khalil Gibran

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