"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Deus, por Alberto Caeiro

(...)


Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
de quem, por não saber o que olhar para as coisas,
não compreende quem fala delas
com o modo de falar que reparar para elas ensina.)






Mas se Deus é as flores e as arvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as arvores e as flores
E os montes e o luar e o sol
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e arvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e arvores e montes,
Se ele me aparece como sendo arvores e montes
E luar e sol e flores, é que ele quer que eu o conheça
Como arvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e arvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
 
O Guardador de Rebanhos
Alberto Caeiro

Uma reflexão sobre o Homem

Tudo está em movimento.

O físico não atravessa o físico.
O vital não atravessa o vital.
O emocional não atravessa o emocional.
A mente não atravessa a mente.
O Homem atravessa-os a todos.

Tudo vibra pelo embate ou por simpatia, pelo grosseiro ou pelo subtil.
Todas as coisas são a mesma coisa em estados distintos de vibração.
O subtil ocupa o mesmo espaço que o grosseiro, o espírito ocupa o mesmo espaço que o físico.

O vital atravessa o físico.
O emocional atravessa o vital.
O mental atravessa o emocional
O Homem faz vibrá-los a todos.

O homem que se olha ao espelho não vê a sua verdadeira Essência, vê uma vibração da matéria original.

A sua vista física mostra-lhe um corpo físico.
A sua vista vital mostrar-lhe-ia um corpo vital.
A sua vista emocional mostrar-lhe-ia um corpo emocional.
A sua vista mental mostrar-lhe-ia um corpo mental.
O homem ainda é cego na sua vitalidade, nas suas emoções e na sua mente.
O homem trabalha na obtenção dos seus olhos e na perfeição dos seus corpos, para que a imagem seja feita à sua Imagem.

O verdadeiro observador encontra-se para além da mente.
Da mesma forma que o homem não é a casa onde habita, da mesma forma que o Homem não é os corpos que ocupa.
Aquele que compreende a imagem do espelho é o homem, aquele que projecta a imagem do espelho é o Homem.

O Homem é como o Sol, um sol dentro da casa de vidro da mente, dentro da casa de vidro das emoções, dentro da casa de vidro da vitalidade, dentro da casa de vidro do seu físico.

Cada uma destas casas tem as suas cores, os vidros são assim coloridos.

O homem que se olha ao espelho vê a manifestação matizada da luz que o Sol, o Verdadeiro Homem, irradia, não a pura luz, mas uma luz colorida. Foram as cores dos vidros que a matizaram.
O homem que se olha no espelho vê uma ilusão.
O homem que se olha no espelho Vê a sua personalidade.
O homem que se olha no espelho não vê a sua verdadeira Essência, a sua Individualidade.

Para te conheceres a ti mesmo, para conheceres o que é teu e o que julgas que te pertence mas não é teu, o que verdadeiramente És, tens de operar sobre as cores dos teus vidros e tornar os mesmos transparentes. Desta forma, quando esse dia chegar, aquele que se observar ao espelho será ele mesmo.

Conhece-te a ti mesmo.

Fraternalmente, Azoth :.

Atlântida

“Muitos e poderosos são os feitos da vossa cidade realizados para admiração da humanidade. E há um que, pela sua grandeza e nobreza, se sobrepõe a todos. Pois as nossas crónicas falam de um grande adversário que a vossa cidade conquistou em tempos antigos, uma potência que avançou com injustificada insolência sobre toda a Europa e Ásia, partindo do oceano Atlântico. Pois nessa época era possível atravessar o mar, uma vez que existia uma ilha em frente da boca do estreito, que se chama, como vós dizeis, as Colunas de Hércules.

Essa ilha era maior que a Líbia e a Ásia juntas; e, a partir dela, os marinheiros desses tempos tinham passagem para as outras ilhas, e destas ilhas para todo o continente oposto, que limita esse oceano justamente assim considerado.

Pois essas regiões dentro do estreito mencionado parecem ser apenas uma baía com uma entrada estreita; mas é na verdade um oceano, e a terra que o rodeia pode, com grande verdade e propriedade, ser chamada de continente.

Nesta ilha, Atlântida, surgiu uma grande e maravilhosa potência de reis, que dominavam toda a ilha e muitas outras, e partes do continente; e, para além disso, a Leste do estreito, dominavam a Líbia até ao Egipto, e a Europa até às fronteiras da Etrúria. Assim, esta potência reuniu todas as suas forças e procurou, de um só golpe, escravizar o vosso país e o nosso e toda a região no interior do estreito.



Então Sólon, o poder da tua cidade brilhou nos olhos de todos os homens, gloriosos em valor e força. Pois, sendo os melhores à face da terra em coragem e nas artes da guerra, por vezes a vossa cidade liderou os helenos, outras vezes ergueu-se forçosamente isolada quando todos os outros desertaram; e, depois de passar pelos maiores perigos, ela venceu os invasores e triunfou sobre eles, e salvou da escravidão as nações que ainda não estavam escravizadas; quanto aos restantes, os povos que viviam deste lado das Colunas de Hércules, a vossa cidade libertou-os com mão generosa. Mas, mais tarde,, depois de imensos terramotos e inundações, abateu-se um dia e uma noite de destruição; e os guerreiros do teu país foram, como um só, engolidos pela terra, e do mesmo modo a ilha da Atlântida afundou-se sob o mar e desapareceu."

(...) 






Timeu
Platão

Viver o agora.



“Aprendi a viver cada dia como se me depara e a nunca pedir problemas emprestados por recear o amanhã.”

Dorothy Dix

Dia Mundial da Filosofia

19 de Novembro


Dia Mundial da Filosofia

Ser Filósofo




Ser Filósofo é …?

Os Mistérios Mágicos

A Chave dos Grandes Mistérios
LIVRO II
Os Mistérios Mágicos

Capítulo I
Teoria da vontade

A vida humana e suas dificuldades incontáveis têm por finalidade, na ordem da sabedoria eterna, a educação da vontade do homem.
A dignidade do homem consiste em fazer o que quer e em querer o bem, em conformidade com a ciência do verdadeiro.
O bem conforme ao verdadeiro é o justo.
A justiça é a prática da razão.
A razão é o verbo da realidade.
A realidade é a ciência da verdade.
A verdade é a história idêntica ao ser.
(…)

Eliphas Levi

O Triplo Filtro

O Filósofo grego Sócrates, defendia que quando alguém tem algo para dizer devia sujeitar o assunto a um triplo filtro, para avaliar se deveria ou não falar.

filtro, a VERDADE.
Tenho a certeza absoluta de que aquilo que vou dizer é perfeitamente verdadeiro?


filtro, a BONDADE.
Aquilo que vou dizer é algo de bom?


filtro, a UTILIDADE.
 O que vou dizer será útil para quem escutar?

Se aquilo que vou falar não é Verdadeiro, não é Bom nem Útil, para quê dizê-lo?



Deveríamos manter esta atitude em todas as conversas do nosso dia a dia.
Fraternalmente :.

Subtil passagem

Para o dia 9 de Novembro,
Escreveu H.P.B.



“Toda a acção termina em destruição; a morte é certa para tudo o que nasceu; tudo neste mundo é efémero.”

In “Jóias do Oriente”

Fala-nos do Amor.

“Então Almitra disse, fala-nos do Amor.
E ele ergueu a cabeça e olhou para o povo e caiu uma grande imobilidade sobre eles. E em voz poderosa ele disse: Quando o amor vier ter convosco, seguros, embora os seus caminhos sejam árduos e sinuosos.
E quando as suas asas vos envolverem, abraçai-o, embora a espada oculta sob as asas vos possa ferir.
E quando ele falar convosco, acreditai, embora a sua voz possa abalar os vossos sonhos como o vento do norte devasta o jardim.
Pois o amor, coroando-vos, também vos sacrificará. Assim como é para o vosso crescimento também é para a vossa decadência.
Mesmo que ele suba até vós e acaricie os mais ternos ramos que tremem ao sol, também até às raízes ele descerá e abaná-las-à enquanto elas se agarram à terra.





Como molhos de trigo ele vos junta a si.
Vos amanha para vos pôr a nu.
Vos peneira para vos libertar das impurezas.
Vos mói até à alvura.
Vos amassa até vos tomardes moldáveis; e depois entrega-vos ao seu fogo sagrado, para que vos tomeis pão sagrado para a sagrada festa de Deus.


Toda estas coisas vos fará o amor até que conheçais os segredos do vosso coração, e, com esse conhecimento, vos tomeis um fragmento do coração da Vida.


Mas se, receosos, procurardes só a paz do amor e o prazer do amor, então é melhor que oculteis a vossa nudez e saiais do amor, para o mundo sem sentido onde rireis, mas não com todo o vosso riso, e chorareis mas não com todas as vossas lágrimas.





O amor só se dá a si e não tira nada senão de si.
O amor não possui nem é possuído; pois o amor basta-se a si próprio.
Quando amardes não deveis dizer "Deus está no meu coração", mas antes "Eu estou no coração de Deus".
E não penseis que podeis alterar o rumo do amor, pois o amor, se vos achar dignos, dirigirá o seu curso.
O amor não tem outro desejo que o de se preencher a si próprio.
Mas se amardes e tiverdes desejos, que sejam esses os vossos desejos:
Fundir-se e ser como um regato que corre e canta a sua melodia para a noite.
Para conhecer a dor de tanta ternura.
Ser ferido pela vossa própria compreensão do amor; e sangrar com vontade e alegremente.
Despertar de madrugada com um coração alado e dar graças por mais um dia de amor; Repousar ao fim da tarde e meditar sobre o êxtase do amor; Regressar a casa à noite com gratidão; E depois adormecer com uma prece para os amados do vosso coração e um cântico de louvor nos vossos lábios.”


“O Profeta”
Khalil Gibran

Conselhos para nós

“Entre o bem e o mal não deveria ser difícil escolher, pois aqueles que desejam seguir o Mestre já se decidiram a seguir o bem a todo custo. Porém, o homem e o seu corpo são dois, e a vontade do homem nem sempre está de acordo com a do corpo.
Quando o teu corpo desejar alguma coisas, pára e considera se tu és Deus e só queres o que Deus quer; necessitas, porém, penetrar fundo em ti mesmo, para no  teu interior encontrares Deus e ouvir a Sua voz, que é a tua.




Não confundas os teus corpos contigo mesmo, nem o teu corpo físico, nem o astral, nem o mental. Cada um deles pretende ser o Ego, a fim de obter o que deseja. Precisas, porém, conhecê-los todos e conhecer-te a ti mesmo como seu possuidor.

Quando há um trabalho para fazer, é quando o corpo físico quer descansar, passear, comer e beber; o homem que não sabe, diz a si mesmo: eu quero fazer estas coisas e preciso fazê-las. Porém, o homem que sabe diz: Quem quer não sou eu; portanto espere um pouco. Freqüentemente, quando há oportunidade de auxiliar alguém, o corpo insinua: Que aborrecimento isto me trará; deixemos que outro qualquer tome o meu lugar. Porém, o homem que sabe lhe replica: Tu não me impedirás de praticar uma boa ação. O corpo é teu animal, o cavalo que montas. Deves, portanto, tratá-lo bem, cuidar bem dele, não o estafar, alimentá-lo convenientemente só com alimentos e bebidas puros, e mantê-lo perfeitamente limpo, sempre, sem o menor vestígio de impureza. Pois que, sem um corpo perfeitamente limpo e saudável, não podes efetuar a árdua tarefa da preparação, nem suportar-lhe os incessantes esforços. Deves, porém, ser sempre tu quem o domine, e não ele o que te domine a ti.

O corpo astral tem seus desejos – e os tem às dúzias; há de querer ver-te encolerizado, ouvir-te dizer palavras ásperas, que sintas ciúmes, que sejas ávido por dinheiro, que invejes os bens alheios e cedas ao desânimo. Quererá todas essas coisas e muitas outras mais, não porque deseje prejudicar-te, mas por que lhe aprazem as vibrações violentas e gosta de mudá-las continuamente. Tu, porém, não desejas nenhuma destas coisas e, portanto, deves distinguir os teus desejos dos de teu corpo astral.

O teu corpo mental deseja manter-se orgulhosamente separado; quererá que penses muito em ti mesmo e pouco nos outros. Mesmo quando o tiverdes desviado das coisas mundanas, tentará ainda especular acerca de ti próprio, fazer-te pensar no teu próprio progresso, em lugar de o fazeres na obra do Mestre e em auxiliar os outros.
Quando meditares, tentará fazer-te pensar nas diferentes coisas que ele quer, em vez da única de que necessitas. Não és esse corpo mental, mas dele dispões para o teu uso; assim, mesmo aqui, o discernimento é necessário. Deves vigiar incessantemente, sob pena de vires a falir.

Entre o bem e o mal, o Ocultismo não admite compromissos. Custe o que custar, deves fazer o bem e nunca o mal. Diga ou pense o ignorante o que quiser. Estuda profundamente as leis ocultas da Natureza e organiza a tua vida de acordo com elas, utilizando sempre a razão e o bom senso.

Deves discernir entre o que é importante e o que não é. Firme como uma rocha em tudo que concerne ao bem e ao mal, cede invariavelmente aos outros nas coisas de somenos importância. Pois deves ser sempre amável, bondoso, razoável e condescendente, deixando aos outros a mesma plena liberdade que para ti necessitas.”

Aos Pés do Mestre
KRISHNAMURTI

Ser Humano é Ser Virtuoso

“Quando utilizamos a palavra virtude, qual é o nosso conceito dela?


De uma maneira geral pensamos que se trata de uma fórmula, um princípio ou um preceito ao qual temos que aderir. Ao fazê-lo, há sempre um espaço entre o ideal ou o real e isto chega a causar um conflito interno. O ideal pode ser a veracidade, não meramente nas palavras, senão também em conduta e pensamento. Se falharmos em atingi-la, a não ser que amemos a verdade por si mesma - sem um ego que esteja buscando o êxito, um sentido de vitória, ou uma boa opinião de si – seguro que haverá descontentamento com nós mesmos e isto poderia incluso transferir-se ao próprio ideal. Esta insatisfação poderia levar a uma reconsideração do ideal ou incluso a revoltar-se contra o memo. Podemos observar este tipo de reacção no caso de uma pessoa que quer renunciar a uma apego mas acha difícil de o fazer. Depois de um certo tempo, a essa pessoa poderia inclusive parecer-lhe bem o consentir da sua imperfeição até determinado ponto porque lhe alivia a tensão, permite-lhe ter melhores relações, etc.

A virtude pode considerar-se, através de outra luz, não como a conformidade de uma regra ou princípio colocado diante de nós que aceitamos por uma razão ou outra, se não como uma livre e espontânea expressão de uma pura natureza básica, ou do Ser que existe em cada pessoa, uma natureza que é incorrupta e incorruptível.

(…)

Quando se entende a virtude deste modo, como uma livre expressão e espontânea de uma natureza que existe em todos, pelo menos potencialmente, não existe vontade própria colocada na sua prática. A própria vontade só entra em acção quando há que dirigir a acção de acordo com certo conceito ou imagem e isto surgirá do próprio condicionamento e das inclinações.”


A Beleza da Virtude
N. Sri Ram


Podemos imaginar o nosso verdadeiro Ser como o Sol que constantemente irradia luz. Esse ponto é a Centelha Divina, aquilo que faz de nós Homens. Existem nuvens e nem sempre a luz límpida do Sol se manifesta na Terra. Essas nuvens, em nós, são a nossa Mente, Emoções e Corpo. Embora num dia nublado exista luz esta fica matizada de cinzento. Se quisermos realmente compreender quem somos, temos que tornar a nossa atmosfera tão clara e límpida para que através do nosso Corpo, a nossa verdadeira natureza se manifeste.

Fraternalmente :.

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