"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Passado Megalítico

Um bem-haja.

Durante estes dias, eu e a Phtah, tivemos a oportunidade de visitar alguns locais chamados de megalíticos. Dizem os manuais de história que foram os nossos “peludos” antepassados que os construíram com o intuito funerário, pessoalmente, discordo desta hipótese e prefiro olhar para eles como verdadeiros lugares sagrados, onde os nossos ancestrais comungaram e viveram os mistérios da Natureza.

Embora se note em alguns deles um esforço passado para os preservar, por regra geral, actualmente parece que estão atirados ao abandono. Era bom vermos por parte do estado uma preocupação maior para além da deficiente sinalização que nos leva aos mesmos e dessa passada intervenção que o mato e muitas vezes o vandalismo faz esquecer.

À tempos mostrava a um amigo algumas fotos tiradas em locais megalíticos na região de Aveiro e ele ficou admiradíssimo pelas condições em que tais locais se encontravam. Dizia ele que por menores monumentos, em Inglaterra, construíam-se estruturas de protecção e promovia-se o local como pólo turístico da zona.

Quem se interessa por este tema, em Portugal, de certeza que sabe o quanto desvalorizamos o nosso património e como este se encontra ao abandono.

A quando de um passeio por São Pedro do Sul, visitámos a Pedra escrita de Serrazes. Aqui faz jus o ditado “Quem tem boca vai a Roma.” Indicações deste local, se existem, não vimos nenhuma. Mas vale-nos a simpatia e amabilidade do povo português que nos foi indicando o caminho.


Foto - Phtah & Azoth - Envolvente da Pedra escrita de Serrazes

Lá chegados, sente-se no local, aquele “algo”, aquela tranquilidade característica de um lugar sagrado. Situado numa envolvente florestal, este grande bloco de granito possui vários símbolos. Entre os mais visíveis destacam-se círculos e matrizes. Nos registos patrimoniais consta que possui muito mais elementos e assim constatámos, mas o estado de erosão do bloco dificulta a sua visualização.


Foto - Phtah & Azoth - Pedra de Serrazes

No local obtive a informação de alguém que se dedica à preservação deste tipo de património. É de louvar estas pessoas que acabam por desempenhar o papel que as autoridades responsáveis deviam desempenhar. Aqui deixo o meu agradecimento ao senhor David de Almeida pelo seu trabalho, pelo seu esforço na perpetuação deste património tão rico e tão pouco conhecido.
Se de entre vós se encontra alguém que deseje visitar a sua página pessoal e o seu blogue eis os endereços: http://www.daviddealmeida.net/ ; http://escritadapedra.blogspot.com/


Vivemos tão agitados e no meio de tanto ruído, mesmo quando achamos que tudo está em silêncio, que não temos ideia do que é verdadeiramente o silêncio.
Quando parámos o carro algures na freguesia de Santa Maria da Devesa, Castelo de Vide, Alentejo e subimos a um penedo que nos permitia uma visão sobre aquela paisagem alentejana, uma coisa nos chamou a atenção, o Silêncio. Nem o vento soprava, nem pássaros cantavam, nem algum sinal de ruído humano, etc., se permanecêssemos quietos, até mesmo a nossa respiração não se ouvia. Conscientes fisicamente da realidade que os nossos olhos captavam, confundia-se a mente se seria verdade ou sonho da experiência vivida.
Foto - Phtah & Azoth - Envolvente do Menir da Meada
Para estes lados encontra-se o Menir da Meada que é apontado como sendo o mais alto da península Ibérica. Tem cerca de 7 metros de altura.

Foto - Phtah & Azoth - Menir da Meada

Perto de castelo de vide visitámos umas antas muito bem sinalizadas, mas infelizmente muito degradadas.




Fotos - Phtah & Azoth - Anta do complexo dos Coureleiros

Verificámos um hábito neste tipo de estrutura, o facto de por vezes serem utilizadas como abrigo para pastores. Pessoalmente, choca-me, transmitindo-me os mesmos sentimentos de ver algum local sagrado actual, por exemplo uma Igreja, com galinhas no seu interior e com sacos de ração encostados à parede, tendo todo o local sido profanado. Não entendo como nestes locais específicos não se verifica uma intervenção das autoridades competentes, restaurando o monumento, conferindo-lhe o aspecto inicial, construindo um abrigo muito melhor para o pastor. Quatro paredes e um telhado não custam assim tanto construir.

Foto - Phtah & Azoth - Anta do Pombal

No conselho de Almeirim visitámos um conjunto de menires, os menires do Lavajo. Desta vez fomos surpreendidos, não pela sinalização, que é boa, mas por estarem vedados e pela boa intervenção que foram alvo. Coisa rara para este tipo de monumentos. No meio do nada, ficámos impedidos de nos aproximar por uma vedação. Podia existir no local, para além da boa informação relativamente aos menires, alguma informação relativa a quem se deveria contactar para se poder ter uma visita mais “próxima” ao monumento.





Fotos - Phtah & Azoth - Envolvente e Menires do Lavajo

Neste menir, chamou-me à atenção os seus símbolos. Muito curiosos e diferentes daqueles que estava habituado a ver. Como não pude contactar directamente com o menir, fiz uma pesquisa a partir da informação existente no local e encontrei um artigo escrito por João Cardoso; João Carlos Caninas; Alexandra Gradim; A. Do Nascimento Joaquim publicado na REVISTA PORTUGUESA DE Arqueologia.volume 5.número 2.2002, p.99-133 do qual retirei a imagem com os símbolos que referi anteriormente.

Simbolos dos Menires do Lavajo

Num saltito a Espanha, mesmo na proximidade da estrada que faz a ligação entre Rosal de la Frontera e Sevilha, deparámo-nos com um círculo de pedras megalítico conhecido na zona por “ La Pasada del Abad”. Constituído por duas grandes pedras altas no formato de estelas e por quatro pedras muito menores e redondas, formam todas um curioso circulo no cimo de uma pequena elevação.
Numa das estelas pretas consegui identificar algumas “covinhas” que são um dos símbolos mais comuns que encontramos neste tipo de monumentos.

Foto - Phtah & Azoth - La Pasada del Abad

Serve este artigo para divulgar este património. Para que de entre vós surja a curiosidade e o interesse pelo estudo do mesmo e pela sua preservação. Ninguém, até ao presente, conseguiu decifrar a linguagem ou as ideias que surgem gravadas em muitas destas pedras. Que elo estabeleceram ou estabelecem tais locais? Uma coisa é certa, forte é a sua energia, porque mesmo apesar de todos os contratempos, ainda estão erguidos passados milhares de anos. Hoje em dia, constroem-se casas, que passados um ano ou dois já apresentam sinais de ruína e passada uma época “estão prontas para a abater”.

9 comentários:

Maria Ribeiro disse...

Azoth e PHTAH:belíssimo (e enorme!) texto sobre o passado que os portugueses, infelizmente, não sabem valorizar. Belas, de igual modo, as fotos com que o documentou, Fui visitar as localidades da região de Aveiro, por onde os senhores andaram e, se já deu uma volta pelo LUSIBERO, verá que também gosto de publicar fotos.
Ainda bem que gostou da bondade da gente simples de PORTUGAL.
ABRAÇO AMIGO. VOLTEM SEMPRE!

Azoth disse...

Um bem-haja, Maria.

Obrigado pela visita e pelo comentário.
Dei uma vista de olhos ao seu blog e achei-o interessante e sim, pelo que vi, tem bonitas fotos.

volte sempre e pessoalmente espero que este espaço lhe tenha sempre algo a dizer.

Fraternamente, Azoth..

Sun disse...

Eu vou ser sincera contigo. Sou esquesita...o entusiasmo que tenho ao ler certos assuntos históricos, não é o mesmo de quando estou no próprio lugar. Aí, por exemplo, tenho a certeza de que morreria de tédio. No entanto, já tinha conhecimento de algumas coisas sobre o assunto, e acho muito interessante.
Isso é irritante, por que já viajei prá vários lugares, dentro e fora de Portugal, já estive frente a frente com vários monumentos e, no entanto, não os soube apreciar enquanto lá estive. Só um tempo depois, enquanto faço as minhas pesquisas, é que me dou conta da sorte que tive em lá estar...e sinto vontade de ir outra vez.

Enfim..
:)

Beijo e boa semana.

Sun disse...

Azoth, muito obrigada :)
Farei o download sim, para vir de ti, só pode ser muito bom.
Ando mesmo precisando de algumas respostas estes dias...mas não as tenho encontrado....quer dizer, encontro, mas não chegam ao fundo das questões que coloco, entende?

:)
beijos

Azoth disse...

Olá Sun.
Alguém uma vez disse tudo é meia verdade e meia mentira.
Um dos maiores entraves que nós colocamos ao avanço do conhecimento é aceitarmos algo como uma verdade ou mentira irrefutável. Tal facto deve-se somente à nossa limitada consciência. Conhecemos tanto do mundo físico e conhecemos tão pouco do nosso mundo interior. Quando abordamos qualquer tema, devemos ser flexíveis, tal como o bambu quando sopra o vento, desta forma não nos iremos quebrar. Não aceite qualquer coisa que leia ou de uma forma geral, que viva, como verdade e também não aceite como mentira, interrogue-se, procure sempre um pouco mais além da última questão. No caminho da compreensão não ficamos com as pedras que calcamos, nem mesmo com a dor ou a alegria do pisar das mesmas, apenas retemos a compreensão da experiência.
Sun, todas as respostas acabam sempre por vir, nós é que temos de demonstrar que as merecemos. Toda a vida é uma prova. Nós apenas temos de ficar gratos, porque no final, depois de tantas lágrimas derramadas e sorrisos rasgados, aprendemos um pouquinho mais.
Qualquer dúvida que tiver e se lhe poder responder terei todo o gosto em a ajudar, mas, tal como você, sou alguém que caminha à procura de respostas e se possuo algo são meias verdades e meias mentiras, portanto nada possuo.
Fraternamente…

alguém em algum lugar disse...

Desculpe estar a responder agora, mas nao tenho tido disponibilidade.
Sim, adoro ler

Sun disse...

Olá Azoth, fiz o download, e terminei a pouco de o ler. Gostei sim, sem dúvida alguma que foi esclarecedor, e serviu para fortalecer algumas coisas que eu já tinha conhecimento...O recomendarei sempre que tiver a oportunidade.

Mas ainda assim...as respostas que encontro ainda não chegaram às raízes das minhas questões, se é que me entendes...Talvez o que eu queira saber, aliás, aquilo que eu tenho sentido a necessidade de saber, eu não encontre em livros...Talvez seja caso de me dirigir a algum centro espírita ( se eu encontrasse algum por aqui), ou a alguém específico, não sei...
Ou talvez fosse melhor eu ir dormir e esquecer o assunto, pois já são quase duas da manhã..... :)

Mais uma vez, obrigada pela paciência e disponibilidade.

Um beijo

Azoth disse...

Olá Sun.

A segunda hipotese é de longe a mais sensata.

Encontra mais respostas através da sua mente que através de determinadas práticas. E no caso que referiu são de todo desaconselhadas.

Sun disse...

Olá uma vez mais, Azoth :)
Já fiz o download e já li o capítulo que me recomendaste...Podes ficar tranquilo que, aos poucos, e com as leituras que por aqui faço, e com estas que me enviaste, vou ficando menos inquieta...temporariamente, é claro.
Neste momento, estou na companhia de Kardec, e sem dúvida alguma, não poderia querer melhor companhia.


Um beijo, e mais uma vez, obrigada pela ajuda.

Sun.

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