"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

O Sentido da Vida

“O Plano de Deus para o homem é o desenvolvimento da sua Divindade.

Com esse intento, o Logos envia-nos para fora de Si, para vivermos vidas separadas, atadas à roda de nascimentos, mortes e renascimentos, contando cada vida por um dia na Escola da Vida Eterna. Instruídos nesta Escola pelos Mensageiros de Deus, aprendemos as lições que nos são necessárias para passar de uma classe a outra superior.


Egoísmo é o plano de Deus para o selvagem, com a constante repetição do “eu quero”, para que ele fortaleça o centro da sua individualidade.



Mas, depois de muitas vidas como selvagem, muda o plano de Deus para ele, e lentamente a lição a aprender passa a ser “nós”, em vez de “eu”; desde então deve o homem cooperar com o Logos, repartindo e não pedindo para si. “Repartamo-lo” torna-se o seu credo como cidadão de uma comunidade.

Vem depois o estágio superior em que o homem deve adquirir a espiritualidade, tendo por tónica o desejo de partilhar os fardos dos outros. A maneira como o plano de Deus fala ao coração do homem de crescente espiritualidade é:”Deixai-me ajudar-vos”.

Para o Discípulo, o plano de Deus é viver em nome do seu Mestre e tornar-se cada dia um receptáculo mais digno e um dispensador mais santo das bênçãos que o seu Mestre envia ao mundo. O mobil da acção do Discípulo é “Em seu nome”. No último estágio, o do Mestre de Sabedoria, o plano de Deus está realizado, a alma vive numa indescritível unidade de homem e Deus. “Não sigo a minha vontade sim a do Pai”, é então o motivo das suas acções. Como somente ele pode saber e mais ninguém abaixo do nível da sua realização, compreende o que quiseram dizer os Sábios com estas palavras: “Eu sou Eu”, e a frase de Cristo: “Eu e meu Pai somos um”.




E esta maravilha, que é a experiência de cada momento para o Mestre de Sabedoria, é o plano de Deus para todos os homens, o selvagem e o civilizado, o espiritual e o Discípulo. E Ele o realizará a Seu devido tempo, conciliando a cooperação de todos, pecadores e santos. Foi com esta intenção que Ele se sacrificou, formando um universo para a nossa morada e o nosso progresso. Não há revés possível onde Ele trabalha e unir-se em seu trabalho é alcançar a imortalidade e poder.

O Plano de Deus não é, como algumas vezes nos parece, um ciclo de fadigas e dores, um Destino implacável, que arranca do homem muitas tristezas para cada alegria que ele cria para si. Ao ensinar-se uma criança a andar, os seus músculos sentem tensão e a sua mente ansiedade, ao darem-se os primeiros passos; porém se ela tem diante de si, para a encorajar, o rosto alegre e os sorridentes olhos maternos, o esforço corporal é pequeno em comparação com a felicidade que a aguarda nos amorosos braços. Assim sucede com toda a vida. Se, por um lado, a evolução parece uma pressão infindável, por outro, é uma diversão atraente. É a grande Partida que o Logos joga connosco e cujas regras são as Leis da Justiça.



A alegria, que é o fundamento de todos os processos da natureza, deve cada um senti-la por si, extraindo-a das suas próprias experiências. Talvez precisem decorrer muitas vidas antes que ele possa dizer que, a despeito de tudo o que sofreu, o Amor é o cumprimento da Lei. Mas esta evolução não ficará completa enquanto ele não souber por si mesmo que o coração de todas as coisas é realmente o Amor e a Alegria, e que toda a tragédia da evolução não passa de uma fase passageira.”


Fundamentos de Teosofia
C. Jinarajadasa

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