"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

O problema do Amor

No seu texto, O Banquete, Platão fala sobre o Amor. Para mim este é um dos textos mais belos que este tão ilustre Filósofo escreveu.
É um erro tremendo pensarmos que os filósofos clássicos são uma “maçada”. Pelo contrário, nos seus escritos, encontramos verdadeiros tesouros e por incrível que pareça, embora escritos há mais de dois mil anos, os assuntos que abordam continuam a ser actuais, por tanto, num mundo em que a maior parte das pessoas andam perdidas, isoladas e cinzentas, estes textos servem de verdadeiros guias.

"Rapariga resistindo a Eros"

Bouguereau


Escreve Gouvêa Neves no seu livro, “História da filosofia Grega”, o seguinte acerca do Banquete de Platão:

“Sócrates, tomando a palavra, distingue o seu discurso pelo seu amor à Verdade, em vez de, como os anteriores atribuírem ao amor todas as perfeições da Terra e do Céu.
Para ele, o único método para descobrir a verdade sobre o Amor é a Dialéctica. E, então, estabelece discussão com Agatão, pela qual se sucedem diversas perguntas e respostas como:

S – O Amor é amor de alguma coisa, ou de nada?
A – De alguma coisa, certamente.

S – O Amor deseja o que ama?
A – Sim.

S – O Amor é possuidor da coisa que ama?
A – Não.

Sócrates, diz ainda a Agatão

- Ora, tu dizes que o Amor ama e deseja a Beleza. Por tanto, se o Amor ama e deseja a Beleza é porque esta lhe falta e como o Belo é ao mesmo tempo bom, ao Amor falta a bondade?

Agatão precisa reconhecê-lo.

Sócrates, em lugar de prosseguir no seu discurso, cede a palavra a Diotime, mulher de Mantineo, sábia em tudo o que se refere ao Amor.

Diotime diz que, depois de se ter provado que o Amor não é belo nem bom, o Amor não é feio nem mau e está no ponto médio das duas classificações. Diz ainda que o Amor não é um Deus porque lhe falta a Beleza e a Bondade, mas sim nada mais que um mortal. É um daimon, isto é, um Ser intermediário que estabelece as relações entre os deuses e os homens.

Este daimon é Eros, filho de Poro (deus da abundância e conquistador infatigável) e de Pénia (a pobreza), servidor e companheiro de Afrodite.
Como sua mãe, é indigente, mas, como seu pai, ele tem sempre o desejo do Bom e do Belo, o espírito da aventura e do Amor à Sabedoria. Que utilidade tem este daimon para os homens?

O Amor é o amor da Beleza e do Bom; sendo o Belo inseparável do Bom, ele deseja sempre possui-lo para ser feliz.
Mas não se chama Amor a toda a procura da felicidade; a palavra não se aplica senão a uma espécie de acto – a geração na Beleza, quer pelo corpo, quer pela Alma.
Só a Beleza pode estar de acordo com o divino. A geração é obra divina e ela é o objecto do Amor. É ela que assegura ao homem a imortalidade.
O desejo da imortalidade é que explica a paixão sexual do Amor. É ainda, o desejo da imortalidade que governa as acções dos homens.

Para nos elevarmos das belezas cá de baixo à Beleza suprema, deve amar-se a beleza da Alma, como superior à dos corpos e, então, verificar-se a beleza das leis e das acções dos homens. Em seguida, contemplar-se-á a beleza das ciências, depois dos discursos e pensamentos magníficos da filosofia. Finalmente, ver-se-á a ciência da Beleza absoluta, ideal e eterna e da qual provêm todas as belas coisas.

Viver para contemplar esta Beleza é a única vida digna de ser vivida pelo homem.”


Por fim, tomando a liberdade de opinar, escrevo: só assim, Amando o que mais de divino conhecemos e que são o Ideais, podemos sentir e almejar a Eternidade, a Imortalidade.

O Sentido da Vida

“O Plano de Deus para o homem é o desenvolvimento da sua Divindade.

Com esse intento, o Logos envia-nos para fora de Si, para vivermos vidas separadas, atadas à roda de nascimentos, mortes e renascimentos, contando cada vida por um dia na Escola da Vida Eterna. Instruídos nesta Escola pelos Mensageiros de Deus, aprendemos as lições que nos são necessárias para passar de uma classe a outra superior.


Egoísmo é o plano de Deus para o selvagem, com a constante repetição do “eu quero”, para que ele fortaleça o centro da sua individualidade.



Mas, depois de muitas vidas como selvagem, muda o plano de Deus para ele, e lentamente a lição a aprender passa a ser “nós”, em vez de “eu”; desde então deve o homem cooperar com o Logos, repartindo e não pedindo para si. “Repartamo-lo” torna-se o seu credo como cidadão de uma comunidade.

Vem depois o estágio superior em que o homem deve adquirir a espiritualidade, tendo por tónica o desejo de partilhar os fardos dos outros. A maneira como o plano de Deus fala ao coração do homem de crescente espiritualidade é:”Deixai-me ajudar-vos”.

Para o Discípulo, o plano de Deus é viver em nome do seu Mestre e tornar-se cada dia um receptáculo mais digno e um dispensador mais santo das bênçãos que o seu Mestre envia ao mundo. O mobil da acção do Discípulo é “Em seu nome”. No último estágio, o do Mestre de Sabedoria, o plano de Deus está realizado, a alma vive numa indescritível unidade de homem e Deus. “Não sigo a minha vontade sim a do Pai”, é então o motivo das suas acções. Como somente ele pode saber e mais ninguém abaixo do nível da sua realização, compreende o que quiseram dizer os Sábios com estas palavras: “Eu sou Eu”, e a frase de Cristo: “Eu e meu Pai somos um”.




E esta maravilha, que é a experiência de cada momento para o Mestre de Sabedoria, é o plano de Deus para todos os homens, o selvagem e o civilizado, o espiritual e o Discípulo. E Ele o realizará a Seu devido tempo, conciliando a cooperação de todos, pecadores e santos. Foi com esta intenção que Ele se sacrificou, formando um universo para a nossa morada e o nosso progresso. Não há revés possível onde Ele trabalha e unir-se em seu trabalho é alcançar a imortalidade e poder.

O Plano de Deus não é, como algumas vezes nos parece, um ciclo de fadigas e dores, um Destino implacável, que arranca do homem muitas tristezas para cada alegria que ele cria para si. Ao ensinar-se uma criança a andar, os seus músculos sentem tensão e a sua mente ansiedade, ao darem-se os primeiros passos; porém se ela tem diante de si, para a encorajar, o rosto alegre e os sorridentes olhos maternos, o esforço corporal é pequeno em comparação com a felicidade que a aguarda nos amorosos braços. Assim sucede com toda a vida. Se, por um lado, a evolução parece uma pressão infindável, por outro, é uma diversão atraente. É a grande Partida que o Logos joga connosco e cujas regras são as Leis da Justiça.



A alegria, que é o fundamento de todos os processos da natureza, deve cada um senti-la por si, extraindo-a das suas próprias experiências. Talvez precisem decorrer muitas vidas antes que ele possa dizer que, a despeito de tudo o que sofreu, o Amor é o cumprimento da Lei. Mas esta evolução não ficará completa enquanto ele não souber por si mesmo que o coração de todas as coisas é realmente o Amor e a Alegria, e que toda a tragédia da evolução não passa de uma fase passageira.”


Fundamentos de Teosofia
C. Jinarajadasa

Passado Megalítico

Um bem-haja.

Durante estes dias, eu e a Phtah, tivemos a oportunidade de visitar alguns locais chamados de megalíticos. Dizem os manuais de história que foram os nossos “peludos” antepassados que os construíram com o intuito funerário, pessoalmente, discordo desta hipótese e prefiro olhar para eles como verdadeiros lugares sagrados, onde os nossos ancestrais comungaram e viveram os mistérios da Natureza.

Embora se note em alguns deles um esforço passado para os preservar, por regra geral, actualmente parece que estão atirados ao abandono. Era bom vermos por parte do estado uma preocupação maior para além da deficiente sinalização que nos leva aos mesmos e dessa passada intervenção que o mato e muitas vezes o vandalismo faz esquecer.

À tempos mostrava a um amigo algumas fotos tiradas em locais megalíticos na região de Aveiro e ele ficou admiradíssimo pelas condições em que tais locais se encontravam. Dizia ele que por menores monumentos, em Inglaterra, construíam-se estruturas de protecção e promovia-se o local como pólo turístico da zona.

Quem se interessa por este tema, em Portugal, de certeza que sabe o quanto desvalorizamos o nosso património e como este se encontra ao abandono.

A quando de um passeio por São Pedro do Sul, visitámos a Pedra escrita de Serrazes. Aqui faz jus o ditado “Quem tem boca vai a Roma.” Indicações deste local, se existem, não vimos nenhuma. Mas vale-nos a simpatia e amabilidade do povo português que nos foi indicando o caminho.


Foto - Phtah & Azoth - Envolvente da Pedra escrita de Serrazes

Lá chegados, sente-se no local, aquele “algo”, aquela tranquilidade característica de um lugar sagrado. Situado numa envolvente florestal, este grande bloco de granito possui vários símbolos. Entre os mais visíveis destacam-se círculos e matrizes. Nos registos patrimoniais consta que possui muito mais elementos e assim constatámos, mas o estado de erosão do bloco dificulta a sua visualização.


Foto - Phtah & Azoth - Pedra de Serrazes

No local obtive a informação de alguém que se dedica à preservação deste tipo de património. É de louvar estas pessoas que acabam por desempenhar o papel que as autoridades responsáveis deviam desempenhar. Aqui deixo o meu agradecimento ao senhor David de Almeida pelo seu trabalho, pelo seu esforço na perpetuação deste património tão rico e tão pouco conhecido.
Se de entre vós se encontra alguém que deseje visitar a sua página pessoal e o seu blogue eis os endereços: http://www.daviddealmeida.net/ ; http://escritadapedra.blogspot.com/


Vivemos tão agitados e no meio de tanto ruído, mesmo quando achamos que tudo está em silêncio, que não temos ideia do que é verdadeiramente o silêncio.
Quando parámos o carro algures na freguesia de Santa Maria da Devesa, Castelo de Vide, Alentejo e subimos a um penedo que nos permitia uma visão sobre aquela paisagem alentejana, uma coisa nos chamou a atenção, o Silêncio. Nem o vento soprava, nem pássaros cantavam, nem algum sinal de ruído humano, etc., se permanecêssemos quietos, até mesmo a nossa respiração não se ouvia. Conscientes fisicamente da realidade que os nossos olhos captavam, confundia-se a mente se seria verdade ou sonho da experiência vivida.
Foto - Phtah & Azoth - Envolvente do Menir da Meada
Para estes lados encontra-se o Menir da Meada que é apontado como sendo o mais alto da península Ibérica. Tem cerca de 7 metros de altura.

Foto - Phtah & Azoth - Menir da Meada

Perto de castelo de vide visitámos umas antas muito bem sinalizadas, mas infelizmente muito degradadas.




Fotos - Phtah & Azoth - Anta do complexo dos Coureleiros

Verificámos um hábito neste tipo de estrutura, o facto de por vezes serem utilizadas como abrigo para pastores. Pessoalmente, choca-me, transmitindo-me os mesmos sentimentos de ver algum local sagrado actual, por exemplo uma Igreja, com galinhas no seu interior e com sacos de ração encostados à parede, tendo todo o local sido profanado. Não entendo como nestes locais específicos não se verifica uma intervenção das autoridades competentes, restaurando o monumento, conferindo-lhe o aspecto inicial, construindo um abrigo muito melhor para o pastor. Quatro paredes e um telhado não custam assim tanto construir.

Foto - Phtah & Azoth - Anta do Pombal

No conselho de Almeirim visitámos um conjunto de menires, os menires do Lavajo. Desta vez fomos surpreendidos, não pela sinalização, que é boa, mas por estarem vedados e pela boa intervenção que foram alvo. Coisa rara para este tipo de monumentos. No meio do nada, ficámos impedidos de nos aproximar por uma vedação. Podia existir no local, para além da boa informação relativamente aos menires, alguma informação relativa a quem se deveria contactar para se poder ter uma visita mais “próxima” ao monumento.





Fotos - Phtah & Azoth - Envolvente e Menires do Lavajo

Neste menir, chamou-me à atenção os seus símbolos. Muito curiosos e diferentes daqueles que estava habituado a ver. Como não pude contactar directamente com o menir, fiz uma pesquisa a partir da informação existente no local e encontrei um artigo escrito por João Cardoso; João Carlos Caninas; Alexandra Gradim; A. Do Nascimento Joaquim publicado na REVISTA PORTUGUESA DE Arqueologia.volume 5.número 2.2002, p.99-133 do qual retirei a imagem com os símbolos que referi anteriormente.

Simbolos dos Menires do Lavajo

Num saltito a Espanha, mesmo na proximidade da estrada que faz a ligação entre Rosal de la Frontera e Sevilha, deparámo-nos com um círculo de pedras megalítico conhecido na zona por “ La Pasada del Abad”. Constituído por duas grandes pedras altas no formato de estelas e por quatro pedras muito menores e redondas, formam todas um curioso circulo no cimo de uma pequena elevação.
Numa das estelas pretas consegui identificar algumas “covinhas” que são um dos símbolos mais comuns que encontramos neste tipo de monumentos.

Foto - Phtah & Azoth - La Pasada del Abad

Serve este artigo para divulgar este património. Para que de entre vós surja a curiosidade e o interesse pelo estudo do mesmo e pela sua preservação. Ninguém, até ao presente, conseguiu decifrar a linguagem ou as ideias que surgem gravadas em muitas destas pedras. Que elo estabeleceram ou estabelecem tais locais? Uma coisa é certa, forte é a sua energia, porque mesmo apesar de todos os contratempos, ainda estão erguidos passados milhares de anos. Hoje em dia, constroem-se casas, que passados um ano ou dois já apresentam sinais de ruína e passada uma época “estão prontas para a abater”.

Tempos de repouso


Queiram desculpar a minha ausência, mas estou de férias no meu Belo Alentejo e arredores.

Foto de Phtah e Azoth


Até breve e uns óptimos dias para todos vós.
Fraternamente, Azoth.

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