"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Palavras de um Mestre

“Contemplai ….
















e se não compreendeste ainda, contemplai novamente.”

Jinarajadasa

Sobre o Amor

LIVRO I
PRÓLOGO

Escuta a flauta de bambu, como se queixa,
Lamentando o seu desterro:


"Desde que me separaram da minha raiz,
as minhas notas queixosas arrancam lágrimas de homens e
de mulheres. O meu peito rompe-se,
lutando para libertar os meus suspiros,
e expressar os acessos de saudade do meu lugar.
Aquele que mora longe da sua casa
está sempre ansiando pelo dia em que há de voltar.
Ouve-se o meu lamento por toda a gente,
em harmonia com os que se alegram e os que choram.
Cada um interpreta as minhas notas de acordo com seus sentimentos,
mas ninguém penetra os segredos do meu coração.
Os meus segredos não destoam das minhas notas queixosas,
e, no entanto não se manifestam ao olho e ao ouvido sensual.
Nenhum véu esconde o corpo da alma, nem a alma do corpo,
E, no entanto homem algum jamais viu uma alma”

O lamento da flauta é fogo, e não puro ar.
Que aquele que carece desse fogo seja tido como morto!
É o fogo do amor que inspira a flauta,
E o amor que fermenta o vinho.
A flauta é confidente dos amantes infelizes;
sim, a sua melodia desnuda os meus segredos mais íntimos.
Quem viu veneno e antídoto como a flauta?
Quem viu consolador gentil como a flauta?

A flauta conta a história do caminho, manchado de sangue, do amor,
Conta a história das penas de amor de Majnun.
Ninguém sabe desses sentimentos senão aquele que está louco,
como um ouvido que se inclina aos sussurros da língua.
De pena, os meus dias são trabalho e dor,
Os meus dias passam de mãos dadas com a angústia.
E, no entanto, se os meus dias se esvaem assim, não importa,
faz tua vontade, ó Puro Incomparável!
Mas quem não é peixe logo se cansa da água;
e àqueles a quem falta o pão de cada dia, o dia parece muito longo;
assim o "Verde" não compreende o estado do "Maduro";
portanto cabe a mim abreviar o meu discurso.


Levanta-te, ó filho! Rompe as tuas cadeias e sê livre!
Quanto tempo serás cativo da prata e do ouro?
Embora despejes o oceano em teu cântaro,
Este não pode conter mais que a provisão de um dia.
O cântaro do desejo do ávido nunca se enche,
A ostra não se enche de pérolas até a saciedade;
Somente aquele cuja veste foi rasgada pela violência do amor
está inteiramente puro, livre de avidez e de pecado.
A ti entoamos louvores, ó Amor, doce loucura!
Tu que curas todas as nossas enfermidades!
Que és médico do nosso orgulho e presunção!
Tu que és nosso Platão e nosso Galeno!

O amor eleva aos céus os nossos corpos terrenos,
e faz até os montes dançarem de alegria!
Ó amante, foi o amor que deu vida ao Monte Sinai,
Quando "o monte estremeceu e Moisés perdeu os sentidos".
Se o meu Amado apenas me tocasse com os seus lábios,
também eu, como a flauta, romperia em melodias.
Mas aquele que se aparta dos que falam a sua língua,
Ainda que tenha cem vozes, é forçosamente mudo.
Depois que a rosa perde a cor e o jardim fenece,
Não se ouve mais a canção do rouxinol.
O Amado é tudo em tudo, o amante, apenas o seu véu;


Só o Amado é que vive, o amante é coisa morta.
Quando o amante não sente mais as esporas do Amor,
ele é como um pássaro que perdeu as asas.
Ai! Como posso manter os sentidos,
Quando o Amado não mostra a luz do Seu semblante?
O Amor quer ver o seu segredo revelado,
pois se o espelho não reflecte, de que servirá?
Sabes por que o teu espelho não reflecte?
Porque a ferrugem não foi retirada da sua face.
Fosse ele purificado de toda ferrugem e mácula,
e reflectiria o brilho do Sol de Deus.”

Masnavi
Jalaluddin Rumi

Sobre a natureza do Ser

Quem sou eu que lê esta frase? Podemo-nos perguntar.

Imediatamente respondemos, sou este corpo físico que possui alguma coisa que me faz dizer – Eu sou.

Segundo as Tradições orientais, somos mais daquilo que pensamos que somos, e o que dizemos que somos é a o somatório não só de um corpo, mas de Sete. Cada um possuindo a sua própria consciência, animados por um eixo que passa pelo centro de cada um, um eixo de pura consciência; de pura vontade, de pura vida e de pura actividade. Eixo esse que é a nossa verdadeira natureza, o nosso verdadeiro Eu.

O esquema é fácil de imaginar. Imaginem que o nosso corpo físico é um disco formado da matéria física que a nossa ciência nos deu a conhecer. Exteriormente ao nosso corpo existe o mundo, e todo o universo, ou seja, um disco ainda maior de matéria física, que podemos chamar de Plano físico.
Por incrível que possa parecer, este nosso corpo físico tem a sua própria consciência, autónoma. Quando estamos no estado de vigília, a nossa consciência sobrepõe-se à consciência do nosso corpo físico e a bem ou a mal domina-a. Falamos quando queremos falar, movemo-nos quando nos queremos mover, etc. Continuando a utilizar a analogia, podemos imaginar que a nossa verdadeira natureza, esse eixo, é como uma luz que ao atravessar esse disco físico, desde o cento até à periferia é tingida pela luz que o corpo em si possui (a consciência do corpo), adquirindo as matizes desta última. Assim, a consciência que se manifesta, não é a nossa verdadeiramente, mas uma mistura das duas, que é tanto mais aproximada da verdadeira, quanto maior for a organização do corpo físico em si. Milhares e milhares de anos, fizeram com que o nosso corpo físico atingisse não o máximo da sua perfeição, pois ainda tem pela frente quase outros tantos milhões, mas todo este tempo conduziu-o a uma organização e a uma harmonização muito maior que os restantes corpos que possuímos. Assim, tal como uma corrente ecléctica que percorre o caminho de menor resistência, a nossa verdadeira consciência, na quase totalidade das pessoas, durante uma vida, apenas se manifesta no seu esplendor através do corpo físico, por ser o mais ordenado. Isto implica que aquilo que dizemos que temos consciência é infinitamente pouco. Quando dizemos que apenas entendemos um grão de areia de um universo, seria melhor reformularmos e dizermos que somente entendemos um grão de areia de quatro universos.
É essa consciência tangida, não a nossa verdadeira consciência que agora está a ler este texto.

Uma situação simples em que podemos observar a consciência própria do nosso corpo em acção é nos estados de sonambulismo. Nestas ocasiões o corpo físico simplesmente vai, comando pela sua própria consciência, consciência esta que é do tipo “hábitos”. Não entraremos muito em pormenor neste assunto.

Como disse anteriormente, possuímos mais seis corpos para além do físico, dos quais apenas vou falar de três para além daquele que já falei. São eles o corpo Vital, o Corpo Emocional e o Corpo Mental Inferior.


Para podermos visualizar como estes corpo se dispõem no espaço, podemos imaginar que o nosso corpo físico como uma esponja. O nosso corpo vital será o ar que interpenetra todos os orifícios da esponja, incluindo o espaço situado até à mínima divisão que poderá ser feita da matéria atómica física. Tal como o corpo físico, este corpo vital também possui átomos próprios de matéria não física, mas vital. Tem assim a sua forma, a sua consciência própria e também é veiculo da nossa consciência, ainda que não seja totalmente dominado pela mesma. Algumas experiências ditas psíquicas têm origem no fluir da nossa verdadeira consciência não para o corpo físico mas para este.
Imaginem agora, que, afinal o nosso corpo físico é uma esfera de matéria física e não um disco. Pois bem, os nossos restantes corpos, também podem ser vistos como esferas, mas de matéria mais subtil, esferas estas que ocupam todas o mesmo lugar interpenetrando-se, ou seja, as mais subtis interpenetram as mais densas.


O eixo que falei há pouco, o nosso verdadeiro Ser é agora o centro simultâneo de cada uma destas esferas. Ao contrário do corpo físico, esses corpos subtis ainda não se desenvolveram o suficiente, ainda não se ordenaram o suficiente, para servirem de veículo estável à nossa consciência, para que possa interagir de uma forma auto-consciente com o mundo que rodeia cada um desses corpos. Da mesma maneira que existe um universo físico cheio de seres, existe também um Universo Vital, um Universo Emocional e um Universo Mental com toda uma infinidade de estruturas animadas nas quais se pode fazer “ciência”.
Que quero eu dizer quando me referi anteriormente a ser-se auto consciente? Auto-consciente é quando se consegue conceber a ideia do eu, do objecto diferente do eu e da relação que se pode estabelecer entre eu e objecto.




No entanto, por não ser auto consciente nesses planos, não significa que não seja consciente nesses planos e não se sofra impactos dos mesmos. Um exemplo no plano físico permite perceber esta ideia. Porque estamos despertos no mundo físico, sabemos que ao chocarmos com uma parede, a dor resultante é devida ao nosso choque com a parede, algo exterior a nós. Nunca pensamos nisto, mas só conseguimos formular este tipo de pensamento porque somos auto-conscientes no mundo físico ou seja, temos consciência do eu físico, do objecto e da interacção com o objecto. Depois, a resultante do embate é toda uma interpretação física, vital, emocional e mental do sucedido e tal interpretação esboça uma reacção. No entanto, se chocarmos com uma “parede” astral também vamos sentir tal embate, mas em forma de emoção, mas como não estamos auto-conscientes astralmente, identificamos essa emoção como nossa e no entanto ela foi devido a algo exterior a nós. Outro exemplo de tal é quando na presença de uma pessoa sentimos determinadas emoções, “boas” ou “más”, tomamo-las como originárias em nós, mas poderão não o ser. Poderá ser o corpo emocional da outra pessoa a interagir com o nosso.

Se nos eliminassem o corpo físico, poderíamos continuar a pensar, emocionar somente não mais formularíamos conceitos do mundo físico nem deste sentiríamos os seus estímulos, porque não possuíramos o corpo físico para os captar. Teríamos a capacidade de recordar e a nossa consciência iria estar mais sensibilizada para os mundos subtis onde os restantes corpos habitam. No nosso estado actual de evolução, a impressão que tais mundos subtis transmitem à nossa consciência é como um ténue som comparativamente ao buzinar de uma camião que são as impressões físicas.

A Lei evolutiva conduz-nos à organização de todos os corpos da mesma forma que o físico, para serem veículos perfeitos de consciência. Como se tivéssemos que organizar o mais impuro dos vidros para que a sua estrutura se deixe atravessar pela mais pura das luzes sem interferir na mesma no seu estado de máxima organização. Todas as provas que a Natureza nos coloca e nos irá colocar serão neste sentido. Com mais ou menos equipamentos tecnológicos, seremos constantemente instigados a viver, conhecer, experimentar e retirar a aprendizagem da experiência vivida, pois será a ideia retirada dessa experiência, a emoção vivida que irá agregar, ordenar o nosso corpo subtil correspondente. Daí que o papel da Ética e da Moral seja fundamental.
É por isso, que todos os Grandes Tratados Místicos são formados por preceitos Éticos.

Toda a ideia anterior é difícil de entender, não são todas as consciências que estão preparadas para dela tirarem juízos. Para a maioria das pessoas basta saber que se deve cultivar a amizade, que é melhor ser amigo que inimigo e devem ser educadas nesse sentido. Mas para poucas pessoas, aquelas que já procuram o porquê mais para além dos porquês que lhes foram transmitidos em crianças, antes que coloquem tudo em causa e acabem por cometer actos que só lhes tragam infelicidade, talvez seja já importante saberem um pouco mais de si mesmas e da dinâmica por detrás da dinâmica aparente. Agir Eticamente e Moralmente no cumprimento do Dever é estarmos a acelerar a nossa evolução, talhando com as nossas próprias mãos no nosso Corpo não esperando que as por vezes tão duras mãos da Natureza executem esse trabalho.



Não só no Oriente encontramos esta ideia, este é o sentido da Grande Obra Alquímica. O transformar o chumbo em ouro. Transformarmos a pedra cúbica, a nossa personalidade, os nossos quatro corpos inferiores, na Pedra Filosofal.

Pensemos nisto.
Fraternamente, Azoth.

Vontade


"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce"
Fernando Pessoa

CONFERÊNCIA

Heróis Portugueses de Ontem...e os de Hoje, onde estão?



Hoje


Sexta-feira, dia 17 de Julho, 21h30

Por Sónia Oliveira e Margarida Maia
Entrada livre

Palavras de um Mestre

“Ninguém pode obter um verdadeiro conhecimento de si mesmo sem enfrentar a adversidade e subjugar as dificuldades. Mas ao desenvolver o dinamismo para subjugar, não deve haver nada no Espírito de agressão e engrandecimento.

Hercules lutando com a Hidra

No momento em que estamos conscientes de um impedimento, na nossa natureza, àquele preenchimento que toda a vida inconscientemente busca, estamos no caminho da sua abolição.


A alegria e a dor, o alcançar e o retroceder – todos são reunidos finalmente na experiência de uma realização da qual nada daí em diante pode abalar-nos.

É a direcção do nosso progresso que importa – não onde estamos no presente.


O homem, na sua própria natureza verdadeira, é eternamente livre e bem-aventurado; ele necessita apenas compreender esta verdade e conhecer-se a si próprio, afastando-se de todas as outras coisas que não o seu Eu. Somente isto constitui a sua verdadeira libertação."

N. Sri Ram



Espíritos Elementais da Natureza

Um bem-haja a todos

Hoje vou escrever sobre um tema que provavelmente vai originar opiniões contrárias nos diferentes leitores. É um tema universal, poético, fascinante e o suficientemente sensível para classificar qualquer um que dele fale como louco :), refiro-me aos Espíritos Elementais da Natureza.


Não há civilização que não fale deles, até nós, nos contos infantis fazemos crer as crianças em fadas, gnomos, elfos, etc… A diferença entre o presente e o passado é que para a maioria de nós, estes seres são meras fábulas, ao passo que para os povos da antiguidade eram tão reais quanto o vento ou o perfume de uma flor.

A maior barreira que encontramos para creditar estas histórias é o facto de não os sentirmos directamente, principalmente por não os vermos, por não lhe tocarmos, escutarmos ou ouvirmos. Mas, tal deve-se à limitada gama de frequências que os nossos sentidos fisicos captam e à intensidade como tais “inteligências”, utilizando a matéria fisica, se manifestam. Com isto, quero dizer que, como estas “inteligências” não têm existência no mundo físico tal como nós o conhecemos, tudo depende do nosso estado de consciência.


Bem, um dia, pode ser que dedique um artigo mais profundo relativamente a este assunto, por agora, antes que seja queimado pela fogueira do descrédito :) gostava de poder ler alguma história que vocês tenham vivido ou escutado e que não se encaixe nas ditas histórias normais.
Vou-vos deixar uma experiência pessoal e uma carta escrita por um elemento da Sociedade Teosófica.

A seguinte história, até que me é dado a conhecer, está limitada ao Alentejo. Provavelmente, se algum de vós já teve o prazer de ter convivido com alguém do Alentejo poderá já ter ouvido falar da mesma experiência, se não, questionem a pessoa que de certeza que terá algo a dizer relativamente ao assunto. Tal experiência é comum, pois a intensidade da manifestação supera a necessidade de alterar o estado de consciência, podendo ser vivida através do sentido de audição.
Embora, nos últimos anos, pessoalmente não a tenha vivido, talvez os danos que estamos a causar à natureza são mais profundos que aquilo que pensamos, assisti muitas vezes ao que vos vou contar.


No Folclore popular do Alentejo, esta história é conhecida como a lenda da costureirinha.
O fenómeno não se limita a uma casa em particular, nem a condições particulares de construção. Tanto pode ocorrer numa casa recente, como numa antiga seja ela de pedra ou madeira.

Inesperadamente, vindo de uma divisão da casa, soa um som parecidíssimo a uma máquina de costura das antigas. Quando nós nos deslocamos para essa divisão, na direcção do som, temos a perfeita consciência de estarmos no local que ele está a ser emitido, mas simultaneamente parece que ele está a vir de todos os “cantos” dessa mesma divisão.
As crianças desde cedo são educadas neste fenómeno através da lenda ao ponto de tal fenómeno passar à categoria de comum, tal e qual um cão a ladrar na rua, não provocando qualquer tipo de pavor, angustia ou medo.
Conta o povo que uma senhora, tendo feito uma promessa à Virgem Maria, prometeu-lhe que se a sua prece fosse atendida iria costurar um vestido para a sua imagem que se encontrava num altar. Tendo a sua prece sido atendida, ela, no entanto não chegou a costurar o vestido e assim, quando morreu, foi condenada a levar toda a eternidade a realizar a obra que se comprometera fazer.


“Letchworth
3 de Janeiro de 1925

Durante os últimos seis meses estive consciente de que um membro da família dos gnomos, que havia conseguido obter uma medida de auto consciência maior do que alguns dos seus irmãos, tem desenvolvido um crescente interesse em nós. No verão ele geralmente aparecia assim que saíamos da casa e entrávamos no jardim, correndo do pomar através do relvado, e atraindo a minha atenção com lampejos etéricos. Demos-lhe pouca atenção na época, mas desde que chegou o Inverno ele passou a entrar na casa. Durante os nossos serões em torno do fogo, ele é frequentemente visto brincando pela sala, passando para dentro e para fora das janelas, e mostrando tanto interesse em nós como o faria, digamos, uma ave doméstica ou um esquilo.
Ele tem exactamente cinquenta centímetros de altura. Fui capaz de medi-lo porque a sua cabeça atinge a ponta de certo ornamento nas pernas do piano. A sua pele é muito escura, e o seu corpo de uma textura esponjosa, antes como o solo que foi congelado e degelou. No jardim ele costumava correr sem nenhuma roupa, embora ocasionalmente colorisse o seu corpo com um verde escuro.
(…)
O seu pescoço e braços são finos, e longos demais para o nosso senso de proporção, e a sua cabeça e membros são tão frouxos e esponjosos que neste aspecto ele lembra uma boneca de trapos; mesmo assim ele consegue em certa medida enrijecê-los à vontade, como tem estado a fazer ao executar uma espécie de dança sacolejante, através da qual dá expressão aos seus sentimentos de prazer pelo nosso retorno de uma ausência de dez dias. Os movimentos de suas danças são uma oscilação do corpo de um lado para outro, as pernas sendo mantidas juntas e depois curvando-se para fora, primeiro para a direita e então para a esquerda, os braços ao mesmo tempo sendo erguidos acima da cabeça. Estes movimentos não provocam uma mudança de posição na sala, embora resulte num tipo de movimento vagaroso e circular.
A face é a mais desairosa, sendo quase negra, e a testa é longa e muito encurvada. Não há sobrancelhas, só pequenas órbitas e dois pequenos olhos redondos e negros como botões de sapatos, bochechas pequenas, ou antes afundadas, nariz longo e pontudo, boca larga, por meio da qual, junto com a expressão de seus olhos, ele é capaz de registrar algo de natureza semelhante a um sorriso de prazer. O queixo é pequeno e não tem forma fixa, mas varia de acordo com a expressão de sua face. Os braços terminam na aparência de um punho fechado; seus pés têm cerca de quinze centímetros de comprimento, e são pontudos.
Por mais desajeitado e estúpido que esta descrição possa fazê-lo parecer, existe um espiritozinho muito brilhante habitando aquele corpo. Embora não seja capaz de nada que se aproxime de uma verdadeira afeição, ele encontra prazer suficiente na nossa sociedade para fazê-lo esquecer dos seus lugares habituais em favor do ambiente incomum do interior de uma casa.
Ele é capaz de reconhecer a minha esposa e a mim mesmo como distintos um do outro e de outras pessoas, e na nossa companhia ele acha um nítido prazer. Ele não é tão sensível às vibrações das nossas auras astro-mentais como o são outras ordens de espíritos da natureza, e pode chegar bem perto de nossos corpos físicos, sentindo apenas prazer naquelas vibrações a que é capaz de responder. Depois de algum tempo ele sente um estímulo definido, e algo que corresponde no mundo dos sólidos a um ardor quente percorre seu pequeno corpo. Quando isto chega a certo ponto ele parcialmente se desmaterializa, e flutua para o jardim como se, naquele estado mais subtil, gravitasse para seu próprio mundo. Assim que o efeito passa, o que acontece em poucos minutos, ele volta e caminha pela sala completamente alheio.
Olhando para dentro da sua mente – por uma extensão das faculdades que me possibilitam ver sua forma – não encontro nenhuma lembrança desta experiência, nada, de fato, além de uma vaga sensação de que é agradável estar aqui. Há um reconhecimento instintivo de que o conteúdo da sala lhe é familiar, mas sem nenhuma lembrança definida de qualquer contacto prévio com ela. Ele não vê nenhum objecto como nós o fazemos. Quando no chão ele vê as pernas da mobília e das pessoas; ele não tem percepção de nenhuma parte superior ligada a elas. Não sou capaz de ver como ele nos reconhece, embora ele certamente mostre uma preferência por nós, e no verão ele frequentemente aparecia assim que púnhamos os pés fora de casa. Enquanto eu dito isto ele está bem atrás de mim, e em sua mente não há nenhum conhecimento de eu ter qualquer existência acima de meus quadris; de facto, a sua concepção de mim agora parece-me ser como a de um par de calças vivo. Esta concepção o satisfaz plenamente. Se, contudo, ele me vê à distância, enxerga um pouco mais para cima, digamos até os ombros, e acima deles uma espécie de névoa brilhante. Ele tanto me vê quanto sente a aura de saúde, e aprecia ficar dentro dela e receber o banho etérico.”

Profundo como o Oceano - Reflictam

“Melhor que mil palavras desprovidas de sentido é uma única palavra razoável, que pode levar a calma àquele que a escuta.
.

Melhor que mil versos desprovidos de sentido é uma única linha de verso (cheio de sentido) que pode dar calma àquele que o escuta.

Pode-se conquistar milhares e milhares de homens numa batalha; mas aquele que pode conquistar-se a si mesmo, somente ele é o mais nobre dos conquistadores.

Um único dia vivido na virtude e meditação vale mais do que cem anos passados no vício e depravações.



Um único dia vivido na compreensão da Verdade Suprema vale mais do que um século vivido na ignorância da Verdade Suprema.


O Dhammapada ou o Caminho da Lei Budista

Mago


“Mago, vem de Mag ou Maha. Esta palavra é a raiz da qual deriva o termo “mágico”. O Maha-âtmâ (Grande Alma ou Espírito) da Índia tinha os seus sacerdotes em tempos anteriores aos Vedas. Os Magos eram sacerdotes do Deus Fogo; encontramo-los entre os assírios e os babilónios, bem como entre os persas adoradores do fogo.
Os três Magos, também denominados Reis, de quem se diz que levaram presentes de ouro, incenso e mirra ao infante Jesus, eram adoradores do fogo, como os demais e astrólogos, uma vez que viram a estrela do recém-nascido. O sumo-sacerdote dos parsis, em Surat, é designado com o nome de Mobed.

Outros fazem derivar dito nome de Megh; Meh-ab significa alguma coisa grande e nobre. Os discípulos de Zoroastro eram chamados de meghestom, segundo diz Kleuker.

O término Mago ou Mágico, noutro tempo um título honorífico e de distinção, degenerou por completo do seu verdadeiro significado. Sendo antigamente sinónimo de tudo o que era honrado e digno de respeito, do que estava na posse da ciência e da sabedoria, degenerou para um epíteto utilizado para designar um impostor, farsante, numa palavra, um charlatão ou aquele que “vendeu a alma ao diabo”, aquele que faz mal uso do seu saber e o emprega para fins reprováveis e perigosos, segundo os ensinamentos do clero e uma massa de néscios supersticiosos que crêem que o mago é um bruxo e um “encantador”.

Dita palavra deriva de Magh, Mah, em sânscrito Maha (grande) e significa um homem muito versado na ciência esotérica. Mas os cristãos, segundo parece, esqueceram que Moisés era também um mago e Daniel, “Príncipe dos Magos, astrólogos caldeus e adivinhos”. (Daniel, V, 11)”

Glossário Teosófico – “Mago”
H. P. Blavatsky

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