"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

À Memória de Giordano Bruno

Um Bem-haja.

Vou ser breve nestas minhas palavras introdutórias, embora no meu intimo sinta o desejo de muitas mais escrever acerca deste homem que a história, pressionada por interesses, tentou fazer-nos esquecer. Devido a isso, euforicamente recordamos grandes nomes do Renascimento, como por exemplo Galileu, mas de nós, continua a ser estranho e desconhecida a vida e a obra de um dos maiores pensadores daquele tempo, Giordano Bruno, cuja obra vida e morte serviram de referência a todos aqueles que o procederam, incluindo Galileu.



Não vos relato a sua vida, nem a sua obra, na esperança que sintais a sã curiosidade de por vossa própria vontade querer saber um pouco mais sobre este vulto do Renascimento, que foi uma Luz para o seu tempo, mas sim, relato-vos a sua morte. Condenado pela santa Inquisição por acreditar em ideias tais como: O universo é infinito e uno. Todos somos cada um. Cada coisa é tudo o resto. Que a terra gira em torno do Sol. Que existem muitos mais sistemas solares como o nosso por esse universo fora.



Eis a memória, para que crimes hediondos como o foi o assassinato de Giordano, nunca mais venham a acontecer para o bem da humanidade. Ainda hoje não foi expresso um pedido de desculpas por parte da Igreja, por este crime que cometeu.


“ Às 5:30 da manhã do dia 19 de Fevereiro, uma quinta-feira e dia festivo em Roma, Bruno foi levado acorrentado de Santa Úrsula. Envergava vestes brancas até aos tornozelos, realçadas por uma cruz de Santo André e salpicadas com demónios, segurando as suas longas caudas de pontas em flecha sobre um fundo de chamas carmesim grosseiramente pintadas. O caminho estava cheio de virtuosos e curiosos. Havia uma enorme expectativa relativamente a este suplício na fogueira. Uma forma primitiva de boletim informativo fora mesmo impresso para se informar as pessoas da cerimónia: «cremos ser esta um fervorosa execução na fogueira judicial», declarava. Segundo este tablóide da época, «Bruno declarou que morrerá como mártir solícito e a sua alma ascenderá com o fumo até ao paraíso.» Cópias do boletim informativo foram sendo distribuídas pela multidão agitada que se acotovelava ao longo da estrada molhada.

À medida que o cortejo passava, Bruno ia-se mostrando cada vez mais acicatado e agitado. Reagia à multidão motejadora, respondendo aos seus brados com citações dos seus livros e ditos dos antigos. Os seus confortadores da Confraria de São João tentaram silenciar a troca de palavras, poupar Bruno a mais sofrimento e indignidade, mas ele ignorou-os. Assim, decorridos alguns minutos, o cortejo parou junto aos oficiais de justiça. Um carcereiro foi trazido para diante e outros dois seguraram com firmeza a cabeça de Bruno. Uma longa pua de metal foi empurrada para o interior da sua face esquerda cavilhando-lhe a língua e emergindo pela sua face direita. Depois, com a ajuda de um maço outra pua foi enterrada na vertical trespassando-lhe os lábios. Juntas, as puas formavam uma cruz. Enormes jactos de sangue esguicharam para as suas vestes e salpicaram os rostos dos membros da confraria que estavam mais próximos dele. Bruno nunca mais falou.



Passados alguns minutos, o cortejo chegou ao local da execução no Campo di Fiori, o Campo das Flores, onde, num dos recantos, do lado oposto ao teatro de pompeia, a pira estava preparada para o receber. Os guardas levaram Bruno até ao grosso madeiro, impeliram-no vigorosamente contra ele e prenderam-lhe todo o corpo com uma corda grossa, firmando-lhe os ombros, o peito, a cintura e as pernas. Os feixes de madeira (de que outrora Bruno motejara) foram empilhados até ao pescoço do condenado e a tocha colocada a seus pés. Depressa as chamas se atearam sob a leve brisa da manhã.

Consta que muitas vítimas da fogueira foram poupadas a uma morte lenta graças à remuneração que davam ao carrasco para furtivamente lhes partir o pescoço enquanto eram atadas ao poste. Sabemos que isto não aconteceu a Bruno, porque quando o fogo começou a pegar, os irmãos da Confraria da Caridade de São João Degolado tentaram uma última vez salvar a alma daquele pobre homem. Desafiando as chamas, um deles inclinou-se para o fogo empunhando um crucifixo, mas Bruno limitou-se a virar-lhe a cara. Segundos depois, o fogo chegou às suas vestes e cauterizou-lhe o corpo, e, sobrepondo-se ao silvo e à crepitação das chamas, tornou-se audível a sua agonia abafada.

Depois das chamas se terem extinto, o que restou do corpo de Bruno foi reduzido a pó com martelos e as cinzas foram lançadas ao vento para que ninguém pudesse guardar nada do herege como relíquia. Para a inquisição, os seus membros tinham conseguido eliminar Bruno, destruir o seu corpo, banir a sua memória, as suas ideias, os seus escritos, até o seu pensamento, e ele fora mandado para o inferno.”

Giordano Bruno
Michael White

5 comentários:

Hermeticum disse...

Giordano Bruno foi, sem a menor duvida, um grande génio e visionário (no expoente máximo da palavra) do Renascimento.
Qual terá sido a Fonte da qual Bruno bebeu?

Azoth disse...

Um bem-haja, Hermeticum.

Alegro-me de te ver neste universo.
A fonte questionas tu, não te sei responder, mas com toda a certeza que lá chegou pelo estudo, pela reflexão, pela observação, pelo sacrifício, pela devoção, pelo amor e por todas as restantes qualidades que devem pautar um Amante da Sabedoria.

Um Abraço.

lumenamena disse...

Olá Azoth!

Giordano Bruno foi um grande filósofo, matemático e astrónomo. Alegra-me debater-mo-nos, sobre um grande homen, como tantos outros que, podemos mencionar, tais como: Galileu, Copérnimo, etc. Foi sem dúvida um grande génio do Renascimento, e foi condenado pelas suas ideias teológicas. Era materialista e panteísta, onde Deus e o mundo, seria um só corpo e alma. As ideias de Giordano Bruno eram totalmente contrárias à doutrina Católica, e foi isso que levou à sua condenação.

ATENÇÃO: O boletim informativo na época, não era um tablóide.
Há que ter em conta, que este acontecimento, era uma informação, como hoje, nós temos através dos canais de informação, também importantes.

Giordano Bruno como Filósofo, transmitiu todo o seu saber, pelo conhecimento, pela observação, pelo raciocínio e também pela dedução. Foi desta fonte que ele "bebeu", se tornou num pensador.

Um bem haja
Lumenamena

Azoth disse...

Um bem haja Lumenamena.

É bom saber que se interessa por Giordano.

obrigado por aparecer.

lumenamena disse...

Olá Azoth

Sim, interesso-me pelo percurso de vida deste grande génio e visionário do Renascimento, como diz o nosso amigo Ricardo.

Um abraço!

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