"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Ideal


Baixo-relevo representa Marco Aurélio, imperador romano, perdoando os inimigos vencidos.


“Se a vida mortal te puder oferecer alguma coisa melhor do que a justiça e a verdade, o autodomínio e a coragem — isto é, paz de espírito na evidente conformidade das tuas acções com as leis da razão, e paz de espírito nas provações de um destino que não controlas — se, digamos, conseguires discernir um ideal mais elevado, nesse caso, aproveita-o com toda a tua alma e alegra-te com o prémio que encontraste. Mas se nada te parece melhor do que a divindade que mora dentro de ti, que orienta cada impulso, que pesa cada impressão, que abjura (nas palavras de Sócrates) as tentações da carne, e que confessa fidelidade aos deuses e compaixão pela humanidade; se, em comparação, achares tudo o resto mesquinho e sem valor, então não abras em ti espaço a quaisquer outras causas. Porque se alguma vez hesitares e te desviares, já não serás capaz de oferecer lealdade firme ao ideal que escolheste para ti próprio. Nenhumas ambições de outra natureza diferente podem disputar o título à bondade que pertence à razão e ao dever cívico; nem o aplauso do mundo, nem o poder, nem a riqueza, nem a alegria do prazer. À primeira vista, parece não haver incompatibilidade nestas coisas, mas logo elas levam a melhor e desequilibram o homem. Dir-te-ia, então, que escolhesses simples e espontaneamente o mais elevado e aderisses a ele. «Mas o melhor para mim é o mais elevado», dizes tu? Se é o melhor para ti como ser racional, segura-o bem; mas se o é meramente como animal, então di-lo abertamente e mantém o teu ponto de vista com a correspondente humildade — assegura-te apenas de que ponderaste bem o assunto.”

Meditações
Marco Aurélio

2 comentários:

Sandra S. disse...

Esta vida mortal...Sinceramente, já estou farta dela. E não é drama, não.

Beijinho grande em ti :)
Bom fim de semana.

Azoth disse...

Um Bem-Haja Sandra.

C. Jinarajadasa escreveu um dia

“Um homem deve estar preparado para viver ou morrer pela mais nobre hipótese de vida que o seu coração e a sua mente concebem.”

Nós somos aquilo que pensamos e o nosso dia a dia desenrola-se em torno disso mesmo. A felicidade que vivemos dos momentos que formam o nosso dia é tanto maior quanto maior for a ideia subjacente a esse momento. Não só maior, mas também mais duradoura. Todos nós já fomos felizes quando comprámos determinada peça de roupa, mas essa felicidade esfuma-se quando na estação seguinte chega uma nova colecção com uma nova moda. Por outro lado, quando ajudamos um amigo, quando nos sacrificamos por algo, a felicidade que advém desse acto é bem mais duradoura e intensa. Aqui, no entanto, existe uma armadilha. Não devemos aceitar os frutos do nosso acto. Um dos motivos mais fáceis de compreender é porque as nossas emoções são ávidas de emoções e muitas vezes não vemos nos outros o reconhecimento que esperávamos. Mas não é daqui que vem a felicidade. A felicidade vem do dever cumprido.

Existem dois tipos de ideias, as temporais e as intemporais. As temporais são por exemplo, como disse anteriormente, as modas e as intemporais, os ideais como a coragem, a fraternidade, o altruísmo, etc. quanto mais próximo vivermos dos ideias mais temos a sensação que vivemos verdadeiramente uma plenitude de vida. Se ligarmos a nossa consciência ao temporal, como a Sandra deve saber, mais tarde ou mais cedo acabamos por perder o “algo” do nosso afecto e a contrapartida que colhemos é dor, o fruto da nossa atitude.

Encontre um verdadeiro ideal de vida e verá que não se irá sentir farta.

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