"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

O Pensamento

“Nós somos o que pensamos.
Tudo o que somos emerge com os nossos pensamentos.
Com os pensamentos fazemos o mundo.
Se falares ou agires com um espírito impuro
Os problemas seguir-te-ão
Como a roda segue o boi que puxa a carroça.

Nós somos o que pensamos.
Tudo o que somos emerge com os nossos pensamentos.
Com os nossos pensamentos fazemos o mundo.
Se falares ou agires com um espírito puro, a felicidade seguir-te-á
Como a tua sombra, constantemente.
Como pode um espírito perturbado
Compreender o caminho?

O vosso pior inimigo não vos pode magoar
Tanto quanto os vossos pensamentos descontrolados.

Mas uma vez dominados,
Ninguém vos ajudará tanto como eles,
Nem mesmo o vosso pai ou a vossa mãe.”

(excerto do Dhammapada, traduzido para inglês por Thomas Byrom)

O Valor da Palavra

Se foi por vontade própria ou se foi instigado pelos barões e cavaleiros do condado, é algo que poderá nunca se vir a saber, o que é facto é que O Infante Afonso Henriques desde cedo manifestou desejo de independência face a Afonso VII, seu primo, Rei de Leão e Castela.

Antes da Batalha de São Mamede, no ano de 1128, onde O Infante Afonso Henriques venceu sua Mãe, D. Teresa, já ocorriam no condado algumas escaramuças revolucionárias. Tal, fez que Afonso VII Invadisse o condado, impedindo, ou melhor dizendo, adiando a guerra civil que estava preste a rebentar no mesmo.

Na sua marcha vitoriosa, o Rei de Leão, tendo rendido outros castelos e povoações, chega a Guimarães e sitiou o castelo onde se encontrava o Infante e os sues apoiantes da causa independentista.

Depois de alguma resistência, concluíram que não teriam hipóteses face ao cerco das tropas de Leão, rendendo-se. Desta rendição lavraram um acordo, onde os Barões e Cavaleiros Portucalenses deram a palavra em nome do Infante que daí em diante ele seria um vassalo da coroa Leonesa, tendo Ficado o Cavaleiro Egas Moniz, conhecido para a história como o “Aio”, por ter sido o tutor de Afonso Henriques, como o fiador desse contrato.

Tal pacto não chegou a serenar os ânimos entre O Infante e a sua mãe e no ano seguinte, o seu exército e o exército de D. Teresa enfrentam-se na batalha de São Mamede. Com a sua vitória, O Infante Afonso Henriques assumiu o comando de condado, logo se esquecendo, mais os seus vassalos, do acordo estabelecido com o Rei de Leão.

Painéis da Estação de São Bento – Porto - retratando a situação


Mas Egas Moniz não se esqueceu do que jurara e da palavra que dera. Conhecido pela sua Lealdade, Honra e Coragem, Dirigiu-se a Afonso VII seguido da sua mulher e filhos. Diante do Monarca, descalço e com uma corda ao pescoço, pediu para resgatar com a sua morte o não cumprimento do acordo e a sua palavra nunca traída.

Afonso VII, conta a história que enfurecido, deixou-se vencer pelo acto daquele Cavaleiro e perdoou-o, deixando-o seguir livre, sem lhe cobrar a deslealdade o que era o mais importante para um Cavaleiro.


Bibliografia: “História de Portugal – Vol I “ Alexandre Herculano

O Semelhante


“Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.
Este é o grande e primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.”

“Bíblia”
Evangelho de Mateus
Capitulo 22.
(36, 37, 38, 39)

Os perigos do século XXI

Deixo as palavras de um verdadeiro Homem, de um Mestre, de um Amante da Sabedoria e sobretudo da Humanidade.

“(…)

Ainda se conserva actual um velho relato dos Puranas acerca da riqueza.

Diz-se que havia um grande príncipe coberto de ouro que passava o dia deitado, sendo abanicado pelos seus servidores. Ao seu redor havia um povo miserável que estava trabalhando no arrozal, submerso de água até à cintura. Certo dia passou por ali Brahma, o deus Supremo, que vinha do céu de Indra; viu este panorama e pensou como é que era possível tamanha injustiça, que um homem estivesse coberto de ouro junto às suas favoritas, aos seus elefantes amestrados, etc., ao passo que o resto das gentes se encontrava atolada na lama? « Isto não pode ser! Agora mesmo vou a fazer com que isto se remedeie – disse Brahma. De agora em diante, toda esta riqueza será repartida equitativamente entre todos.» Fez um gesto mágico e aconteceu o milagre. Todos possuíam agora uma pequena casinha, tinham algumas ferramentas e algum dinheiro. Por sua vez, o príncipe também possuía uma casinha e algum dinheiro! Satisfeito, Brahma retornou ao céu de Indra onde permaneceu durante vinte anos, ao fim dos quais regressou para ver como estava a sua reforma. Novamente encontrou o príncipe entre almofadas coberto de ouro e jóias e o povo encontrava-se novamente a trabalhar na água.
Então, Brahma – pois até Deus se irrita às vezes – apresenta-se diante do príncipe e diz: «Mas, não te disse que isto tinha de ser repartido e não o reparti eu mesmo entre todos?» Ao que contestou o príncipe: « Sim, Senhor, tu repartiste o dinheiro, mas não a inteligência para obtê-lo. Quando tu te retiraste, eu os explorei de novo.»

(….)


Todos temos, não só o dever moral, como a obrigação – e assim o sentimos dentro do nosso coração – de fazer com que as crianças, os nossos filhos, os nossos discípulos, os nossos netos, vivam num mundo melhor. Todos podemos colaborar de alguma forma e de alguma maneira: fomentando os valores artísticos ou literários, tratando de por ordem onde não a existe, tratando de por inteligência onde não a exista, tratando de colocar um grão de bondade onde este não esteja, tratando de fazer algo positivo e efectivo, não somente em dias especiais, mas durante todo o ano.

(….) “


Jorge Angel Livraga
Fundador da Nova Acrópole

Este artigo na sua totalidade pode ser encontrado em:
http://www.acropolis.com.bo/articulos/158.htm

Ode à Primavera


Antero de Quental
Saudades Pagãs

“I

Visões! Sonhos antigos!
Quando a Terra,
Na inocência primeira de seus anos,
Entre flores dormia… e era seu berço
O seio de mil deuses! Quando a vida
No coração dos homens sem esforço,
Se abria como um lótus, todo cheio
Dos raios do luar e dos segredos
Do vaporoso espírito das noites!

Quando um tronco era peito comovido,
E a montanha um Áugur, e a rocha um oráculo:
E não se achava um só bago de areia
Que não estremecesse e não sentisse
Agitar-se-lhe dentro a alma confusa
Quando os Orfeus passavam, silenciosos,
Por entre os arvoredos, meditando!

“Sátiro e as Ninfas”
Adolphe Bouguereau


Saía então da Terra um grande espírito:
Havia em tudo um expressão profunda:
Nem era muda a vastidão do mundo.
Como um canto que fere as cordas todas
D’uma harpa sonora, uma mesma alma
Através do universo ia acordando,
Em peito, árvore, pedra, e céu e onda,
As mil notas, diversas mas cadentes,
D’uma mesma harmonia – o hino da vida!

Era a cidade ideal da natureza!
Seu povo, a criação; seu templo, o espaço;
E muralhas em volta, circundando-a,
D’um lado ao outro os livre horizontes!
Era a cidade ideal! A lei eterna
Banhava-a sempre numa aurora imensa!
Quando um povo de deuses, radiante
De mocidade e brilho, caminhava
Por entre as multidões – e solo heróico,
Teu solo sacrossanto, ó Grécia antiga,
Como sublime palco, sob os passos
Dos actores divinos ressoava!”

O Bem e o Sol

Diálogo entre Sócrates e Glauco - A República - 508

“- Admitindo que os olhos são dotados da capacidade de ver, que o possuidor desta faculdade se esforça por servir-se dela e que os objectos aos quais ele a aplica sejam coloridos, se não intervir um terceiro elemento, destinado precisamente a este fim, bem sabes que a vista nada perceberá e que as cores serão invisíveis.
- De que elemento falas, pois? – Perguntou.
- Daquele que denominas luz – respondi.
- Está certo.
- Assim, o sentido da vista e a faculdade de ser visto se unem por um laço incomparavelmente mais precioso do que aquele que forma as outras uniões, se todavia a luz não for desprezível.
- Mas falta muito, indubitavelmente, para ele ser desprezível!
- Qual é, pois, de todos os deuses do céu o que podes designar como o senhor disso, aquele cuja luz permite que os olhos vejam da melhor maneira possível e os objectos visíveis sejam vistos?
- Aquele mesmo que tu designarias, assim como todo o mundo; pois é o sol, evidentemente, que me podes nomear.
- Agora, a vista, por sua natureza, não está na seguinte relação com este deus?
- Qual relação?
- Nem a vista é o sol, nem o órgão onde ela se forma e que chamamos olho.
- Não por certo.
- Mas o olho é, penso, de todos os órgãos dos sentidos, o que mais se assemelha ao sol.
- De longe.
- Pois bem! O Poder que ele conta não lhe advém do sol, como emanação deste?
- Mas sim.
- Logo o sol não é a vista, mas sendo o seu princípio, é apercebido por ela.
- Sim – anuiu.
- Saiba portanto, que é a ele que eu chamo filho do bem, que o bem engendrou semelhante a si mesmo. O que o bem é no domínio do inteligível com referência ao pensamento e seus objectos, o sol o é no domínio do visível com referência à vista e seus objectos.
- Como? – Inquiriu ele; - explica-mo.
- Como sabes – respondi – os olhos, quando os voltamos para objectos cujas cores não são iluminadas pela luz do dia, mas pelo clarão dos astros nocturnos, perdem a acuidade e parecem quase cegos, como se não fossem dotados de visão nítida.
- Sei muito bem disso.
- Mas, quando os voltamos para objectos iluminados pelo sol, enxergam distintamente e mostram ser dotados de visão nítida.
- Sem dúvida.
- Concebe, pois, que ocorre o mesmo em relação à alma; quando ela fixa os olhares sobre aquilo que a verdade e o ser iluminam, ela o compreende, o conhece e denota que é dotada de inteligência; mas quando os dirige para o mesclado de obscuridade, para o que nasce e perece, a sua visão se debilita, ela não tem mais do que opiniões, passa incessantemente de uma a outra e parece desprovida de inteligência.
- Com efeito parece desprovida de inteligência.
- Confessa, portanto, que aquilo que difunde a luz da verdade sobre os objectos do conhecimento, é a ideia do bem; visto que ela é o princípio da ciência da verdade, podes concebê-la como objecto do conhecimento, porém, por mais belas que sejam estas duas coisas, a ciência e a verdade, não te enganarás de modo algum, pensando que a ideia do bem é distinta e as supera em beleza; como, no mundo visível, é certo pensar que a luz e a vista são semelhantes ao sol, mas errado acreditar que sejam o sol, do mesmo modo, no mundo inteligível, é justo pensar que a ciência e a verdade são, ambas, semelhantes ao bem, mas falso acreditar que uma ou outra seja o bem; a natureza do bem há de ser considerada muito mais preciosa. “

“A República”
Platão

Ser


“A Alma do homem é aquela substância que é verdadeiramente o homem. É o númem, o herói, o demónio, o deus particular, ao Inteligência, que move e governa o corpo segundo a razão. É superior àquele e não pode estar necessitado nem constrangido por ele.
É um conceito paralelo ao Júpiter de Giordano, a luz intelectual do sistema solar. Ambos, Júpiter e o homem interno, são o centro do universo. Este homem interno é a Mónada humana. É uma chispa divina, um ponto de acção que contribui com a sua cota de luz para a beleza do universo. Pode usar as asas da existência e do funcionamento divino até encher os céus com a sua própria irradiação pura, semelhante à da estrela ou ponto pai. Então, quando realiza este movimento envolvente do qual ele é um centro constante, pode destacar-se por cima de deuses e demónios (*).

(*) «Demónios» no sentido clássico da palavra, como génios ou espíritos que fazem a mediação entre os Deuses e os Homens. “

“O Simbolismo Esotérico-Astrológico da Última Ceia”
José Carlos Fernández

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