"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Vencer os desejos

O texto seguinte encontra-se disponível na sua totalidade na coluna do lado direito na secção de downloads – textos. Aconselho a sua leitura, pois é uma mais valia para todos, mesmo para aqueles a quem estes temas nada lhes dizem. Vale a pena o tempo que empregarem na sua leitura, de certeza que não se vão arrepender.


1. Veículo do desejo

(…)
O veículo de desejos está constituído por matéria astral ou seja a do plano astral imediatamente superior ao físico. Esta matéria, assim como a física, existe em sete estados que têm entre si a mesma relação que os subestados da matéria física sólido, líquido, gasoso e os estados etéricos. Assim como o corpo físico contém em si estes vários subestados de matéria física, também o corpo astral contém os vários subestados de matéria astral.
Cada um destes subestados consta de agregações mais ou menos grosseiras ou finas e a obra de purificação astral, a mesma que a física, consiste em substituir o grosseiro pelo fino. Ademais, os subestados inferiores de matéria astral servem principalmente para a manifestação dos desejos baixos, ao passo que os estados superiores vibram como resposta aos desejos convertidos em emoções pela intervenção da mente. Os subestados inferiores servem de meio para a força atractiva dos baixos desejos que se inclinam para os objectos de prazer, e quanto mais baixo seja o desejo, mais grosseiras serão as agregações de matéria que melhor os expressam.
(…)


2. Conflitos entre o desejo e o pensamento

(…)
Centenas de vidas estabeleceram e vigorizaram o hábito de apetecer e desfrutar, ao passo que esta está em vias de estabelecimento e por isso, é débil o hábito de resistir a um prazer presente a fim de evitar uma dor futura. De aqui que na luta entre a natureza kármica e o pensador sofra este durante um longo tempo uma série de fracassos.
A novata mente vê-se sem cessar vencida no seu combate com o veterano desejo; mas como a cada vitória deste segue uma dor duradoura depois de transcorrido o prazer, surgem novas forças hostis que vão debilitando as forças do inimigo. Assim, cada derrota do pensador é uma semente de uma futura vitória e diariamente aumenta as suas forças ao passo que diminuem as do desejo. Se compreendermos isto claramente, já não nos perturbarão as nossas caídas nem as daqueles a quem amamos, porque sabemos que estas caídas asseguram a futura firmeza e que na matriz do penar está madurando o futuro vencedor.
O conhecimento do bem e do mal nasce da experiência e unicamente pode afirmar-se por meio da prova. O sentimento do justo e do injusto, hoje congénito no homem civilizado, é a resultante de inumeráveis experiências.
(…)


3. A mais valia de um ideal

(…)
Quem habitualmente vive na presença de um alto ideal tem por armas contra os baixos desejos o amor ao seu ideal. A vergonha de rebaixar-se na sua presença, o anseio de parecer-se com o objecto da sua adoração e a marcha da sua mente pela senda dos nobres pensamentos. Os baixos desejo vão perdendo assim a sua virulência por incompatibilidade com a índole predominante no pensador, até que morrem incapazes de respirar tão puro e claro ambiente. Em vista dos nocivos resultados que a critica história produziu em algumas mentes, convém advertir que a mais valia do ideal de Cristo, do ideal de Buda, do ideal de Krishna, etc., não sofrem depreciação alguma por disparidade de datas históricas ou deficiências na comprovação da autenticidade de este ou daquele manuscrito. Poderão não ser alguns relatos historicamente verdadeiros, mas sim o são pela sua ética e vitalidade. Pouco importa que aquela ou a outra situação aconteceu ou não na vida física do instrutor, desde que seja, como é, profundamente verdadeira a reacção de tão ideal carácter em tudo o que lhe rodeia. As escrituras sagradas do mundo inteiro representam feitos espirituais, sejam ou não historicamente verdadeiros os incidentes físicos.
(…)


4. Purificação do desejo

(…)
Já vimos o quão muito se pode fazer na purificação do veículo do desejo e a adorante contemplação do ideal, segundo acabámos de expor, é um potentíssimo meio de purificar o desejo. Os maus desejos vão-se extenuando até morrerem por inacção à medida que alimentamos e fortalecemos os bons. O esforço para repudiar os maus desejos vai acompanhado do pensamento firme de não consentir que se concretizem em acto. A vontade restringe a má obra, mesmo que o desejo chame a obrar ao que instigam os baixos desejos, despoja gradualmente da sua força atractiva aos objectos que antes nos bajulavam.

“Os objectos de sensação abandonam o abstinente morador do corpo”
Bhagavad Gitâ II, 59.
(…)


Do Livro: “Um estudo Sobre a consciência”
Annie Besant

Sem comentários:

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin