"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

O Real e o Irreal

Tomando como mote o tema da Realidade abordado numa Aula da Nova Acrópole, aqui fica mais uma passagem do livro escrito pela Dra. Annie Besant, Estudo sobre a consciência”

“A transmutação da consciência em auto-consciência acompanha o reconhecimento de uma distinção que mais tarde chega a diferenciar o objectivo ou real (no sentido ocidental da palavra) do real ou imaginário. Para a alforreca, a anémona-do-mar, a hidra, a luz do sol, o soprar do vento, as ondas e as correntes, a areia e os alimentos que afectam a periferia dos seus tentáculos não são “reais”, senão que apenas registam mudanças de consciência, o mesmo acontece com o corpo humano de um bebé.

"Narciso"-Caravaggio

Disse registar e não reconhecer, porque em estados tão inferiores de evolução não é possível a observação, a análise e o juízo. Estes seres não têm todavia suficiente consciência de “outros” para serem conscientes de “si mesmos”, sentem as mudanças, como se apenas ocorressem dentro do círculo da sua mal definida consciência. O mundo externo cresce em “realidade” à medida que a consciência se vai separando dele e se dá conta da sua própria separação, transmutando-se um vago “sou” num definido “eu sou”.
.

À medida que esta auto-consciência ou ego acrescenta gradualmente o sentimento de separação e distingue entre as alterações do seu interior e o contacto com os objectos exteriores, coloca-se em disposição de passar à etapa imediata em que relaciona as alterações interiores com os diversos contactos exteriores. Então, o desejo de prazer muda em definitivo para objectos que provocam prazer, seguido por pensamentos com o propósito de alcançá-los, que determinam esforços para possui-los quando estão à vista e agarrara-los quando estão à mão, com a conseguinte evolução gradual do veiculo exterior de maneira a organizá-lo para o movimento, perseguição e captura do objecto apetecido.

O desejo do que não se tem, conduz à procurar e o êxito ou o fracasso imprimem na consciência em evolução a diferença entre os seus desejos e pensamentos (de que sempre é ou pode ser consciente) e os objectos externos que vão e vêm sem relação com ela, desconcertantes e inadequados aos seus sentimentos que distingue como “reais”, com existência própria que ela não pode subjugar e que a afectam sem ter em conta os seus gostos ou as suas repugnâncias.


"Eolo"

No presente estado de evolução, o homem normal identifica-se todavia com este centro cerebral de auto-consciência de vigília, ou seja, a consciência operante no sistema cérebro-espinal, reconhece o seu ego distinto tão só no plano físico, isto é, em seu estado de vigília. Neste plano é definidamente auto-consciente e distingue sem vacilar entre si mesmo e o mundo exterior, entre os seus pensamentos e as aparências externas. Daqui que no plano físico e tão somente neste plano, os objectos externos sejam para ele “reais”, “objectivos” “estranhos a si mesmo”.

Nos planos astral e mental, o homem normal é consciente, mas não auto-consciente. Reconhece as alterações levadas a cabo no seu interior, mas não distingue todavia entre as iniciadas por si mesmo e as produzidas pelos contactos exteriores, nos seus veículos astral e mental. Para ele tudo são alterações interiores. Daqui que o homem comum chame de “irreais”, “subjectivos” ou “internos” aos fenómenos de consciência ocorridos nos planos suprafisicos (onde todavia não está definidamente estabelecida a consciência. Considera o homem comum os fenómenos astrais e mentais como resultantes da sua imaginação, ou seja, como formas criadas por ele e não como efeitos dos contactos recebidos pelos seus veículos astral e mental dos mundos exteriores, mais subtis, mas tão “reais” e “objectivos” como o mundo físico externo. Significa isto que ainda não está suficientemente evoluído para alcançar a auto-consciência em ditos planos e objectivar neles. Por agora só é capaz de sentir as alterações de consciência; sendo o externo do mundo astral e mental simplesmente um campo dos seus desejos e pensamentos. É verdadeiramente um bebé nos planos astral e mental.”

1 comentário:

Pedro disse...

Obrigado pelo apoio, e pelo comentário.

Comentário:
Eu não penso com o coração. Eu penso com a cabeça. Eu não sinto com o coração, eu sinto com a cabeça.
Pensar com a cabeça é uma maneira de "deixar" andar a vida. Deixar-me levar com a maré. O que não é verdade.

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