"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Cristo




A palavra Mito tem origem na palavra grega Mythos e significa “Aquilo que contém uma verdade”. Funcionalmente, o mito é como um fino véu, opaco, que não mostrando o objecto que cobre deixa a descoberto a sua forma. Operando o homem sobre esta forma poderá, consoante as chaves que possuir caminhar no sentido de lhe ser revelada essa mesma verdade.

O mito é uma realidade para a alma, aquela parte do homem que os gregos chamaram de Phsyque, a intermediária entre o divino (Noús) e o mundano (Soma). EM certa medida podemos considerar Noús como o mundo das ideias puras, ou o mundo dos Arquétipos que Jung se refere nos seus trabalhos. Soma é o mundo físico, o palco onde nós representamos e onde maioritariamente a nossa consciência se foca.

Embora o mito seja uma realidade subtil, pode de quando a quando ter uma realidade histórica, ou seja, de quando a quando, a ideia que descreve pode se plasmar num tempo e espaço finito. Um exemplo, tomemos o mito de Hércules. Quantos e quantos bravos e corajosos homens, já encarnaram ideias que este mito vela, ao ponto de nós mesmos acharmos que as suas façanhas são Herculanas? Mas terá o mesmíssimo Hércules existido num tempo histórico?
Muitos Hércules existiram, sem dúvida, mas aquele Hércules mitológico provavelmente não.

Há quem diga que só parte da verdade tenha chegado aos autores dos Evangelhos, há que diga que não. Não me compete a mim julgar pois não estou a esse nível. O que posso dizer e note-se que é somente a minha opinão e não coisa certa, pelo estudo comparativo das Tradições, mais os relatos bíblicos se aproximam de verdades subtis, intemporais, que de verdades históricas, temporais.

Peguemos no novo testamento Terá Cristo existido? Sim, é provável que sim. É provável que algum humano há dois mil anos atrás tenha encarnado o arquétipo de Cristo, como antes também o ocorrera como  voltará a ocorrer.
Serão verdades históricas os relatos bíblicos? Provavelmente não, ou então somente poucos. Se não ocorreram tais eventos, escreveram os autores dos Evangelhos mentiras? Não, escreveram relatos míticos.

Tome-se aquele que se aproxima, o nascimento de Cristo.
A profundidade do significado de Cristo é imensurável, o drama da sua vida é, possivelmente representado em todos os patamares cósmicos. Revelam-nos as antigas Tradições apenas um pouquinho do véu.
 Cristo é o menino Sol de Tradições mais antigas e simultaneamente o Amor, Sabedoria, a capacidade de iluminar e vivificar que o homem possui no seu íntimo, no Trono do seu coração. Cosmicamente Cristo é o Sol e não é por acaso que o Nascimento de Cristo se situa tão próximo do solstício do Inverno, a noite mais longa do ano, aquela em que as trevas têm o seu auge, mas note-se, na noite mais tenebrosa nasce o Menino Sol, e a partir daí os dias serão maiores. Internamente vive o homem um drama semelhante, envolto nas suas trevas e trevas é tudo aquilo que o faz ignorante, porque na ignorância está a causa do seu sofrimento. Quando em si nasce a luz do conhecimento que advém da sabedoria, o que em si antes estava  escuro agora começa aos poucos a ser iluminado permitindo que ele consiga passar por entre os obstáculos e não mais ser impedido pelos mesmos.
Cristo é Horus, combatendo Seth.

Jesus nasce numa gruta, ou numa manjedoura, símbolos da personalidade do homem. Símbolos da imperfeição que tem de ser aperfeiçoada e o é somente pela luz da sabedoria. No intimo do nosso ser estão todas as respostas. Um dia, também Teseu se aventurou pelo escuro labrinto e ao matar o Minotauro, chegou um pouquinho mais perto da luz e do labirinto saiu com o fio de Ariadne enrolado em forma esférica, símbolo da perfeição da personalidade. Teseu, é o herói que procura esse Deus Menino Sol, mata o Minotauro, símbolo da adversidade, o motivo do próprio labirinto e avança todos os dias um pouco nessa procura.

José, como H.P.B. aponta, poderá assumir o mesmo papel que o Visvakarman Védico (Tvashtri), o artista e arquitecto divino, ou no imaginário maçónico, aquele que segura o compasso, uma personificação força cósmica formativa do Logos.
Maria é outro símbolo profundo, numa das chaves, representa a matriz virgem, na qual todos os universos são formados, nos seres humanos, o nascimento do conhecimento a partir da experiência na ilusão da vida. José e Maria são os dois grandes Princípios cósmicos e da sua união nasce a forma, o corpo do Menino Sol. No entanto, o espírito que alimenta este corpo é de natureza divina e tal facto é nos indicado pela presença do burro e do touro. O burro é um símbolo de Set, Typhon, Jehovah ou Saturno, o burro acalentando o menino Sol, mantendo-lhe a vida, pode ser visto como sendo um protegido de Saturno, uma vez que para as antigas Tradições, Saturno é o regente da Terra física. O Touro por sua vez é um dos símbolos mais sagrados da actual Raça Humana e “representa os poderes da geração no seu aspecto cósmico, em contraste com os aspectos gerativos terrestres e humanos representados pelo carneiro e por vezes pelo cordeiro. Também ele aquece com o seu bafo o menino.

No centro dessa gruta que não é senão o nosso intimo desenrola-se esse drama. Cada um de Nós possui uma chama divina que nasce e durante uma vida, em muitos de nós e em silêncio, cresce e luta contra as trevas que possuímos sacrificando-se na matéria, para que possamos no dia que se segue sermos melhores daquilo que somos hoje.

O Sábio é aquele que por vontade própria ajuda a sua verdadeira natureza que é esse Cristo, esse fogo do amor, a manifestar-se em seu esplendor, e aí essa luz, embora seja anunciada e ilumine a gruta atraindo até ela todos aqueles que procuram a verdadeira salvação, que é nada mais nada menos que a Verdade, Sai da gruta e opera no mundo ao seu redor, Integrando e conduzindo cada um ao interior de si mesmo.


Feliz Natal

Em favor da Arte

De onde veio o que escrevi?
Deus certamente que o criou.
Mas, será que a minha mente o encontrou?
Como a minha carne aquele jardim
Que no passeio eu vi?
Ou será esse poema célula do corpo,
Aquele que de pensamentos é feito
E que na imaginação tem o seu leito?

Não sei.
Apenas sei que o escrevi.
Que no silêncio o escutei.
Mas não sei se o encontrei muito menos se a mim mesmo o ditei.

Assim, escrevi-o para ser lido.
Sem motivo outro que não fosse o de ser entendido.
Porque em fazê-lo entender é parte da arte.
E se foi com arte que o escrevi,
Naqueles que o tenham lido
A parte em falta terá surgido que é o bem e em bem terão ficado.

Mas o bem é difícil a razão entender.
Pois não é coisa medida,
Temporizada
Ou pesada.
Antes dizer, se o bem fizer da razão morada,
Será esta por Justiça,
Prudência,
Temperança
E Coragem vivificada.

Na emoção o bem também tem casa
E serena-a quando nela habita.
Retira o bem a paixão da escrita,
Insuflando-a de amor torna-a bendita.
E por magia no coração do leitor
A tentação vê-se transmutada
E a tristeza ausentada.
Não mais as palavras são malditas
Ou o seu entendimento não abençoado.
São flores as palavras escritas
E desta forma vive o sagrado.

Quer-se assim o poema na simplicidade escrito
E nele o bem faça o seu templo.
Porque se algo há em ser dito
Que seja a paz e não tormento.


Azoth

Ordem de Cavalaria




“-Sancho amigo, hás-de saber que eu nasci, por determinação do céu, nesta idade de ferro, para nela ressuscitar a de ouro. Sou eu aquele para quem estão guardados os perigos, as grandes façanhas, e os valorosos feitos. Sou, torno a dizer, quem há-de ressuscitar os da Távola Redonda, os doze pares de França, e os nove da Fama; o que há-de por em esquecimento os Platires, os Tablantes, Olivantes e Tirantes, os Febos e Belianises. Com toda a caterva dos formosos cavaleiros dos passados tempos, fazendo neste em que me acho tais grandiosidades, estranhezas e feitos de armas, que escurecem os que eles fizeram mais brilhantes. Bem estás vendo, escudeiro fiel e de lei, as trevas desta noite, o seu estranho silêncio, o soturno e confuso estrondo destas árvores, o temeroso fracasso daquela água, em cuja busca vimos, que parece que se despenha e derruba desde os altos montes da lua, e aquele incessante martelar que nos fere e importuna os ouvidos, as quais coisas todas juntas, e cada uma só por si, são bastantes para infundir medo, temor e espanto ao peito do mesmo Marte, quanto mais a quem não está acostumado a semelhantes estranhezas e aventuras. Pois tudo isto, que eu te pinto, são incentivos e despertadores do meu ânimo, que já está fazendo que o coração me rebente no peito, com a ânsia que tem de acometer esta aventura, por temerosíssima que se mostra.”

“Don Quijote de la Mancha”
Miguel de Cervantes

A Imagem Divina

Por Clemência, Piedade, Paz e Amor
todos rezamos na aflição;
e para tais virtudes deliciosas
se volta a nossa gratidão.

Pois Clemência, Piedade, Paz e Amor
é Deus, o nosso pai adorado;
e Clemência, Piedade, Paz e Amor
o Homem, Seu filho e Seu cuidado.

Pois a Clemência tem um peito humano,
e o Amor forma humana celeste,
e um rosto humano tem a Piedade,
e a Paz exibe humana veste.

Assim todo homem, pelo mundo afora,
que reza em sua humana dor,
pede só à divina forma humana
Clemência, Paz, Piedade, Amor.

E amar a forma humana devem todos,
sejam pagãos, turcos, judeus;
onde habitam Clemência, Amor, Piedade,
ali também habita Deus.

William Blake

Deus, por Alberto Caeiro

(...)


Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
de quem, por não saber o que olhar para as coisas,
não compreende quem fala delas
com o modo de falar que reparar para elas ensina.)






Mas se Deus é as flores e as arvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as arvores e as flores
E os montes e o luar e o sol
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e arvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e arvores e montes,
Se ele me aparece como sendo arvores e montes
E luar e sol e flores, é que ele quer que eu o conheça
Como arvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e arvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
 
O Guardador de Rebanhos
Alberto Caeiro

Uma reflexão sobre o Homem

Tudo está em movimento.

O físico não atravessa o físico.
O vital não atravessa o vital.
O emocional não atravessa o emocional.
A mente não atravessa a mente.
O Homem atravessa-os a todos.

Tudo vibra pelo embate ou por simpatia, pelo grosseiro ou pelo subtil.
Todas as coisas são a mesma coisa em estados distintos de vibração.
O subtil ocupa o mesmo espaço que o grosseiro, o espírito ocupa o mesmo espaço que o físico.

O vital atravessa o físico.
O emocional atravessa o vital.
O mental atravessa o emocional
O Homem faz vibrá-los a todos.

O homem que se olha ao espelho não vê a sua verdadeira Essência, vê uma vibração da matéria original.

A sua vista física mostra-lhe um corpo físico.
A sua vista vital mostrar-lhe-ia um corpo vital.
A sua vista emocional mostrar-lhe-ia um corpo emocional.
A sua vista mental mostrar-lhe-ia um corpo mental.
O homem ainda é cego na sua vitalidade, nas suas emoções e na sua mente.
O homem trabalha na obtenção dos seus olhos e na perfeição dos seus corpos, para que a imagem seja feita à sua Imagem.

O verdadeiro observador encontra-se para além da mente.
Da mesma forma que o homem não é a casa onde habita, da mesma forma que o Homem não é os corpos que ocupa.
Aquele que compreende a imagem do espelho é o homem, aquele que projecta a imagem do espelho é o Homem.

O Homem é como o Sol, um sol dentro da casa de vidro da mente, dentro da casa de vidro das emoções, dentro da casa de vidro da vitalidade, dentro da casa de vidro do seu físico.

Cada uma destas casas tem as suas cores, os vidros são assim coloridos.

O homem que se olha ao espelho vê a manifestação matizada da luz que o Sol, o Verdadeiro Homem, irradia, não a pura luz, mas uma luz colorida. Foram as cores dos vidros que a matizaram.
O homem que se olha no espelho vê uma ilusão.
O homem que se olha no espelho Vê a sua personalidade.
O homem que se olha no espelho não vê a sua verdadeira Essência, a sua Individualidade.

Para te conheceres a ti mesmo, para conheceres o que é teu e o que julgas que te pertence mas não é teu, o que verdadeiramente És, tens de operar sobre as cores dos teus vidros e tornar os mesmos transparentes. Desta forma, quando esse dia chegar, aquele que se observar ao espelho será ele mesmo.

Conhece-te a ti mesmo.

Fraternalmente, Azoth :.

Atlântida

“Muitos e poderosos são os feitos da vossa cidade realizados para admiração da humanidade. E há um que, pela sua grandeza e nobreza, se sobrepõe a todos. Pois as nossas crónicas falam de um grande adversário que a vossa cidade conquistou em tempos antigos, uma potência que avançou com injustificada insolência sobre toda a Europa e Ásia, partindo do oceano Atlântico. Pois nessa época era possível atravessar o mar, uma vez que existia uma ilha em frente da boca do estreito, que se chama, como vós dizeis, as Colunas de Hércules.

Essa ilha era maior que a Líbia e a Ásia juntas; e, a partir dela, os marinheiros desses tempos tinham passagem para as outras ilhas, e destas ilhas para todo o continente oposto, que limita esse oceano justamente assim considerado.

Pois essas regiões dentro do estreito mencionado parecem ser apenas uma baía com uma entrada estreita; mas é na verdade um oceano, e a terra que o rodeia pode, com grande verdade e propriedade, ser chamada de continente.

Nesta ilha, Atlântida, surgiu uma grande e maravilhosa potência de reis, que dominavam toda a ilha e muitas outras, e partes do continente; e, para além disso, a Leste do estreito, dominavam a Líbia até ao Egipto, e a Europa até às fronteiras da Etrúria. Assim, esta potência reuniu todas as suas forças e procurou, de um só golpe, escravizar o vosso país e o nosso e toda a região no interior do estreito.



Então Sólon, o poder da tua cidade brilhou nos olhos de todos os homens, gloriosos em valor e força. Pois, sendo os melhores à face da terra em coragem e nas artes da guerra, por vezes a vossa cidade liderou os helenos, outras vezes ergueu-se forçosamente isolada quando todos os outros desertaram; e, depois de passar pelos maiores perigos, ela venceu os invasores e triunfou sobre eles, e salvou da escravidão as nações que ainda não estavam escravizadas; quanto aos restantes, os povos que viviam deste lado das Colunas de Hércules, a vossa cidade libertou-os com mão generosa. Mas, mais tarde,, depois de imensos terramotos e inundações, abateu-se um dia e uma noite de destruição; e os guerreiros do teu país foram, como um só, engolidos pela terra, e do mesmo modo a ilha da Atlântida afundou-se sob o mar e desapareceu."

(...) 






Timeu
Platão

Viver o agora.



“Aprendi a viver cada dia como se me depara e a nunca pedir problemas emprestados por recear o amanhã.”

Dorothy Dix

Dia Mundial da Filosofia

19 de Novembro


Dia Mundial da Filosofia

Ser Filósofo




Ser Filósofo é …?

Os Mistérios Mágicos

A Chave dos Grandes Mistérios
LIVRO II
Os Mistérios Mágicos

Capítulo I
Teoria da vontade

A vida humana e suas dificuldades incontáveis têm por finalidade, na ordem da sabedoria eterna, a educação da vontade do homem.
A dignidade do homem consiste em fazer o que quer e em querer o bem, em conformidade com a ciência do verdadeiro.
O bem conforme ao verdadeiro é o justo.
A justiça é a prática da razão.
A razão é o verbo da realidade.
A realidade é a ciência da verdade.
A verdade é a história idêntica ao ser.
(…)

Eliphas Levi

O Triplo Filtro

O Filósofo grego Sócrates, defendia que quando alguém tem algo para dizer devia sujeitar o assunto a um triplo filtro, para avaliar se deveria ou não falar.

filtro, a VERDADE.
Tenho a certeza absoluta de que aquilo que vou dizer é perfeitamente verdadeiro?


filtro, a BONDADE.
Aquilo que vou dizer é algo de bom?


filtro, a UTILIDADE.
 O que vou dizer será útil para quem escutar?

Se aquilo que vou falar não é Verdadeiro, não é Bom nem Útil, para quê dizê-lo?



Deveríamos manter esta atitude em todas as conversas do nosso dia a dia.
Fraternalmente :.

Subtil passagem

Para o dia 9 de Novembro,
Escreveu H.P.B.



“Toda a acção termina em destruição; a morte é certa para tudo o que nasceu; tudo neste mundo é efémero.”

In “Jóias do Oriente”

Fala-nos do Amor.

“Então Almitra disse, fala-nos do Amor.
E ele ergueu a cabeça e olhou para o povo e caiu uma grande imobilidade sobre eles. E em voz poderosa ele disse: Quando o amor vier ter convosco, seguros, embora os seus caminhos sejam árduos e sinuosos.
E quando as suas asas vos envolverem, abraçai-o, embora a espada oculta sob as asas vos possa ferir.
E quando ele falar convosco, acreditai, embora a sua voz possa abalar os vossos sonhos como o vento do norte devasta o jardim.
Pois o amor, coroando-vos, também vos sacrificará. Assim como é para o vosso crescimento também é para a vossa decadência.
Mesmo que ele suba até vós e acaricie os mais ternos ramos que tremem ao sol, também até às raízes ele descerá e abaná-las-à enquanto elas se agarram à terra.





Como molhos de trigo ele vos junta a si.
Vos amanha para vos pôr a nu.
Vos peneira para vos libertar das impurezas.
Vos mói até à alvura.
Vos amassa até vos tomardes moldáveis; e depois entrega-vos ao seu fogo sagrado, para que vos tomeis pão sagrado para a sagrada festa de Deus.


Toda estas coisas vos fará o amor até que conheçais os segredos do vosso coração, e, com esse conhecimento, vos tomeis um fragmento do coração da Vida.


Mas se, receosos, procurardes só a paz do amor e o prazer do amor, então é melhor que oculteis a vossa nudez e saiais do amor, para o mundo sem sentido onde rireis, mas não com todo o vosso riso, e chorareis mas não com todas as vossas lágrimas.





O amor só se dá a si e não tira nada senão de si.
O amor não possui nem é possuído; pois o amor basta-se a si próprio.
Quando amardes não deveis dizer "Deus está no meu coração", mas antes "Eu estou no coração de Deus".
E não penseis que podeis alterar o rumo do amor, pois o amor, se vos achar dignos, dirigirá o seu curso.
O amor não tem outro desejo que o de se preencher a si próprio.
Mas se amardes e tiverdes desejos, que sejam esses os vossos desejos:
Fundir-se e ser como um regato que corre e canta a sua melodia para a noite.
Para conhecer a dor de tanta ternura.
Ser ferido pela vossa própria compreensão do amor; e sangrar com vontade e alegremente.
Despertar de madrugada com um coração alado e dar graças por mais um dia de amor; Repousar ao fim da tarde e meditar sobre o êxtase do amor; Regressar a casa à noite com gratidão; E depois adormecer com uma prece para os amados do vosso coração e um cântico de louvor nos vossos lábios.”


“O Profeta”
Khalil Gibran

Conselhos para nós

“Entre o bem e o mal não deveria ser difícil escolher, pois aqueles que desejam seguir o Mestre já se decidiram a seguir o bem a todo custo. Porém, o homem e o seu corpo são dois, e a vontade do homem nem sempre está de acordo com a do corpo.
Quando o teu corpo desejar alguma coisas, pára e considera se tu és Deus e só queres o que Deus quer; necessitas, porém, penetrar fundo em ti mesmo, para no  teu interior encontrares Deus e ouvir a Sua voz, que é a tua.




Não confundas os teus corpos contigo mesmo, nem o teu corpo físico, nem o astral, nem o mental. Cada um deles pretende ser o Ego, a fim de obter o que deseja. Precisas, porém, conhecê-los todos e conhecer-te a ti mesmo como seu possuidor.

Quando há um trabalho para fazer, é quando o corpo físico quer descansar, passear, comer e beber; o homem que não sabe, diz a si mesmo: eu quero fazer estas coisas e preciso fazê-las. Porém, o homem que sabe diz: Quem quer não sou eu; portanto espere um pouco. Freqüentemente, quando há oportunidade de auxiliar alguém, o corpo insinua: Que aborrecimento isto me trará; deixemos que outro qualquer tome o meu lugar. Porém, o homem que sabe lhe replica: Tu não me impedirás de praticar uma boa ação. O corpo é teu animal, o cavalo que montas. Deves, portanto, tratá-lo bem, cuidar bem dele, não o estafar, alimentá-lo convenientemente só com alimentos e bebidas puros, e mantê-lo perfeitamente limpo, sempre, sem o menor vestígio de impureza. Pois que, sem um corpo perfeitamente limpo e saudável, não podes efetuar a árdua tarefa da preparação, nem suportar-lhe os incessantes esforços. Deves, porém, ser sempre tu quem o domine, e não ele o que te domine a ti.

O corpo astral tem seus desejos – e os tem às dúzias; há de querer ver-te encolerizado, ouvir-te dizer palavras ásperas, que sintas ciúmes, que sejas ávido por dinheiro, que invejes os bens alheios e cedas ao desânimo. Quererá todas essas coisas e muitas outras mais, não porque deseje prejudicar-te, mas por que lhe aprazem as vibrações violentas e gosta de mudá-las continuamente. Tu, porém, não desejas nenhuma destas coisas e, portanto, deves distinguir os teus desejos dos de teu corpo astral.

O teu corpo mental deseja manter-se orgulhosamente separado; quererá que penses muito em ti mesmo e pouco nos outros. Mesmo quando o tiverdes desviado das coisas mundanas, tentará ainda especular acerca de ti próprio, fazer-te pensar no teu próprio progresso, em lugar de o fazeres na obra do Mestre e em auxiliar os outros.
Quando meditares, tentará fazer-te pensar nas diferentes coisas que ele quer, em vez da única de que necessitas. Não és esse corpo mental, mas dele dispões para o teu uso; assim, mesmo aqui, o discernimento é necessário. Deves vigiar incessantemente, sob pena de vires a falir.

Entre o bem e o mal, o Ocultismo não admite compromissos. Custe o que custar, deves fazer o bem e nunca o mal. Diga ou pense o ignorante o que quiser. Estuda profundamente as leis ocultas da Natureza e organiza a tua vida de acordo com elas, utilizando sempre a razão e o bom senso.

Deves discernir entre o que é importante e o que não é. Firme como uma rocha em tudo que concerne ao bem e ao mal, cede invariavelmente aos outros nas coisas de somenos importância. Pois deves ser sempre amável, bondoso, razoável e condescendente, deixando aos outros a mesma plena liberdade que para ti necessitas.”

Aos Pés do Mestre
KRISHNAMURTI

Ser Humano é Ser Virtuoso

“Quando utilizamos a palavra virtude, qual é o nosso conceito dela?


De uma maneira geral pensamos que se trata de uma fórmula, um princípio ou um preceito ao qual temos que aderir. Ao fazê-lo, há sempre um espaço entre o ideal ou o real e isto chega a causar um conflito interno. O ideal pode ser a veracidade, não meramente nas palavras, senão também em conduta e pensamento. Se falharmos em atingi-la, a não ser que amemos a verdade por si mesma - sem um ego que esteja buscando o êxito, um sentido de vitória, ou uma boa opinião de si – seguro que haverá descontentamento com nós mesmos e isto poderia incluso transferir-se ao próprio ideal. Esta insatisfação poderia levar a uma reconsideração do ideal ou incluso a revoltar-se contra o memo. Podemos observar este tipo de reacção no caso de uma pessoa que quer renunciar a uma apego mas acha difícil de o fazer. Depois de um certo tempo, a essa pessoa poderia inclusive parecer-lhe bem o consentir da sua imperfeição até determinado ponto porque lhe alivia a tensão, permite-lhe ter melhores relações, etc.

A virtude pode considerar-se, através de outra luz, não como a conformidade de uma regra ou princípio colocado diante de nós que aceitamos por uma razão ou outra, se não como uma livre e espontânea expressão de uma pura natureza básica, ou do Ser que existe em cada pessoa, uma natureza que é incorrupta e incorruptível.

(…)

Quando se entende a virtude deste modo, como uma livre expressão e espontânea de uma natureza que existe em todos, pelo menos potencialmente, não existe vontade própria colocada na sua prática. A própria vontade só entra em acção quando há que dirigir a acção de acordo com certo conceito ou imagem e isto surgirá do próprio condicionamento e das inclinações.”


A Beleza da Virtude
N. Sri Ram


Podemos imaginar o nosso verdadeiro Ser como o Sol que constantemente irradia luz. Esse ponto é a Centelha Divina, aquilo que faz de nós Homens. Existem nuvens e nem sempre a luz límpida do Sol se manifesta na Terra. Essas nuvens, em nós, são a nossa Mente, Emoções e Corpo. Embora num dia nublado exista luz esta fica matizada de cinzento. Se quisermos realmente compreender quem somos, temos que tornar a nossa atmosfera tão clara e límpida para que através do nosso Corpo, a nossa verdadeira natureza se manifeste.

Fraternalmente :.

Halloween, Bruxas, Bruxos e Todos os Santos

“Dia de todos os Santos, All-Hallows, Hallowmas. Uma festividade originalmente celebrada no primeiro de Maio, é dito que foi criada nos países europeus para os mártires por volta do quarto ou quinto século. No século sétimo, o Papa Bonifácio instituiu esta celebração no 13 de Maio, sobrepondo ao festival pagão da morte. No ano de 834 o dia foi deslocado para o primeiro de Novembro por Gregório III e foi celebrado para todos os Santos. A Igreja Grega celebra-o no primeiro Domingo a seguir a Pentecostes.




Muito ligada a esta celebração manteve-se o anoitecer precedente, conhecido como a vigília de Hallowmas ou Halloween. Isto foi especialmente mantido na Escócia, na Inglaterra e na França. Na Escócia, um item importante era a chama de uma fogueira em cada casa. Os Celtas mantêm dois festivais, um chamado de Beltane (Bealtine ou Beiltine) no qual são acendidos fogos na véspera do primeiro de Maio e outro chamado de Samtheine na véspera do primeiro de Novembro, no qual as pessoas saltavam sobre duas fogueiras colocadas próximas uma da outra. “Os Druidas compreenderam o significado do Sol em Touro, dessa forma, enquanto todas as fogueiras eram extintas no primeiro de Novembro, os seus fogos sagrados e inextinguíveis continuavam sós iluminando o horizonte, tal como os dos Magi e Zoroastrianos”. As nações germânicas têm os seus Osterfeur e Johannisfeur. “

Glossário Teosófico Enciclopédico




Bruxas e Feiticeiros
“As palavras Inglesas Witch (Bruxa) e Wizard (Bruxo, Encantador ou Feiticeiro) derivam sem qualquer dúvida de Wit (Engenho) de onde se formaram os adjectivos Wittigh, Witty e Wittich (Engenhoso) cuja contracção deu origem à palavra Witch (Bruxa). Além do mais, o nome Wit (engenho) proveio por sua vez do verbo do verbo to weet (conhecer, saber) sinónimo de to wit e de to wis de onde deriva o nome de Wisard, transformado depois pelo uso em Wizard (Feiticeiro). Temos assim que as bruxas e os feiticeiros são personagens que sabem mais que a comum das gentes. A mesma ideia dá Festus à palavra latina Saga na seguinte frase: sagae dictae anus quae multa sciunt (Chamam-se bruxas as velhas que sabem muito).
A explicação dada para a palavra feiticeiro a dá Enrique More, corresponde exactamente ao significado etimológico das palavras rusas vyédma (bruxa) e vyedmak (feiticeiro) derivadas do verbo vyedât (conhecer, saber) cuja raiz é seguramente sâncrita. O mesmo ocorre na língua eslava com os vocábulos znâhâr (bruxo) e znâkarka (Bruxa) derivados do verbo znât(conhecer, saber).
Diz Max Muller (Discurso sobre os Vedas) que a palavra veda significa etimologicamente sabedoria, ciência, conhecimento e equivale à voz grega “eu sei”, em que se omitiu a v ou f, e à inglesa to wit (conhecer, saber), assim como a palavra sâncrita vidma significa exactamente nós sabemos.
Resulta por conseguinte perfeitamente correcta e de acordo com a moderna filologia a explicação que da palavra bruxo ou feiticeiro deu Enrique More em 1678.”

Ísis sem Véu
H.P. Blavatsky

Jehovah, Caim e Abel

Aproveitando a onda que se gerou em torno do tema da Bíblia, Caim e os seus, neste país à beira mar plantado, fica aqui um post, que revela um pouco do lado mistérico que este livro tão sublimemente vela, refiro-me à Bíblia como é claro.



 Tintoretto, Caim e Abel


“Jehovah. o nome da “Divindade Judaica J’hovah, é composto por duas palavras, Jah (y, i ou j, Yodh, a décima letra do alfabeto) e por hovah (Hâvah, ou Eva),” diz uma autoridade Cabalística, Mr. J. Ralston Skinner. Outra vez, “a palavra Jehovah, ou Jah-Eva, tem o significado primário de Existência ou Ser macho-fêmea”. Significa isto Cabalísticamente que é nada mais que um símbolo fálico. Assim, o verso 26 do IV capítulo do Génesis, lido na sua versão desfigurada…”Foi nesse tempo, que os homens começaram a invocar o nome do Senhor.” Na forma correcta devia-se ler ”Foi nesse tempo, que os homens começaram a chamar-se a  eles mesmos pelo nome de Jah-hovah.” ou machos e fêmeas, que aconteceu após a separação dos sexos. De facto, este assunto é descrito no mesmo capítulo, quando Caim (o macho ou Jah) “levantou contra o seu (a sua Irmã Abel  e não ) irmão Abel, e matou-o” ( derramou o seu sangue, na versão original). O Capítulo IV do Génesis contém na verdade, a narrativa alegórica do período da evolução antropomórfica e fisiológica que é descrita na Doutrina Secreta quando se trata da Terceira Raça da Humanidade (a Raça Lemur). O Capítulo V serve para baralhar e o capítulo IV deveria ser seguido pelo VI, onde os Filhos de Deus tomaram para suas esposas as filhas do homem ou dos gigantes. Isto é uma alegoria que faz referência ao mistério da encarnação dos Egos Divinos na humanidade depois do qual as Raças até então desprovidas de sentido, “Vieram a ser homens poderosos …. Homens de renome” (V 4), tendo adquirido mentes (manas) que anteriormente não possuíam.”


Glossário Teosófico
H. P. Blavatsky

Muitos textos do Antigo Testamento são somente originais Judaicos na medida em que as personagens que velam os ensinamentos são criações suas. Estes ensinamentos, na sua maioria Mistéricos e ocultos ao profano, são encontrados em grandes culturas anteriores a este povo, como por exemplo a Hindu e aquelas onde o Povo Judaico foi beber directamente, A Caldeia e a Egípcia.

A Bíblia, como livro sagrado, tem o poder de revelar apenas aquilo que cada um consegue abrir com as chaves que possui. A verdadeira história do Homem é um mistério que chama por cada homem para a revelar.


Fraternamente :.

Pensamentos de Séneca


“A morte de Séneca”  por: Gerrit von Honthorst

“- A vida mais breve e mais cheia de inquietudes é a daqueles que se esquecem do passado, que olham com indiferença o presente e temem o futuro.

- Quem tema a morte, nunca fará nada por um homem vivo, mas quem saiba que este facto estava pactuado no mesmo instante em que foi concebido, viverá segundo a lei da natureza, e, por sua vez, com a mesma força de espírito, irá se manter firme para que nenhuma coisa que lhe suceda seja inesperada.

- Não é grata e segura a vida de quem viva sempre por detrás de uma máscara.

- A melhor medida para o dinheiro é não cair na pobreza nem afastar-se demasiado da mesma.

- Que tarde é começar a viver quando se tem que abandonar a vida!”

Séneca

Viagem Guiada - Mosteiros da Batalha e Alcobaça


A Nova Acrópole vai realizar no dia 25 de Outubro, uma visita Guida aos Mosteiros de Alcobaça e da Batalha.

Um evento a não perder, visto que o guia vai ser o famoso escritor português Paulo Alexandre Loução, autor de várias obras, como por exemplo:

“Os Templários na Formação de Portugal”
“Grandes Enigmas da História de Portugal”
“Dos Templários à nova Demanda do Graal”
 ....

As Inscrições encontram-se abertas, reserve já o seu lugar.





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Jesus

Um Bem-haja.


Penso que uma das pessoas mais conhecidas pelo mundo fora seja uma daquelas que menos se conhece. Refiro-me a Jesus, um dos Grandes Mestres da humanidade.

A imediata associação com a Religião Católica, ou com alguma outra que tenha por base os seus ensinamentos, matiza a compreensão daquele que pretende compreender este Puro Ser.

Como outros Grandes Mestres que a humanidade possuiu, não fundou nenhuma religião, apenas trouxe uma mensagem ao mundo. Sendo a pura essência do Amor, ensinou o Homem verdadeiramente a Amar.

O homem fez dele filho de Deus, pois o coração da humanidade não estava preparado para o reconhecer como Irmão.



Nos séculos que se seguiram à sua morte, muitos textos foram escritos com as suas lições e os mais importantes ficaram conhecidos para a história como Evangelhos. Note-se que antes do Imperador Constantino ter decretado o Cristianismo como a única religião de Roma, muitas seitas Cristãs existiam, cada uma seguindo uma ou outra ideia e aquela que foi eleita por Roma, cedo começou a sobrepor a sua mensagem à mensagem das restantes.

Somente no Sec IV d.C. surge o Novo Testamento e com este os Evangelhos que foram considerados aceites ou verdadeiros, Mateus, Marcos, Lucas e João, mas estes, têm tanto de verdade ou falsidade como aqueles que foram considerados apócrifos. Todos eles valem no seu conjunto e são o vestígio histórico dessa mensagem transmitida ao homem algures no tempo. Por ventura poderão ser os Evangelhos apócrifos aqueles que mais se aproximam da mensagem original, pois não sofreram as sucessivas intervenções da mão humana nas suas cópias, quem sabe?

O Evangelho de Tomé é verdadeiramente delicioso de ler. É um dos mais antigos, sendo datado dos meados do primeiro século depois de Cristo, estando os quatro que estão incluídos no Novo Testamento datados entre o Sec. I e II d.C.

De Tomé sabe-se que era irmão de Jesus. Mas todos os textos sagrados possuem várias interpretações, dirigidas para diferentes mentes e este parentesco, possivelmente deva ser entendido esotericamente, ou seja, Tomé seria um discípulo na mesma senda que Jesus trilhou, um Irmão.

Fraternamente :.


Os seus discípulos disseram-lhe: “Mostra-nos o lugar onde estás, pois precisamos de procurá-lo.”

Ele disse-lhes: “Aquele que tem ouvidos, ouça! Há luz no interior do Homem de luz e ele ilumina o mundo inteiro. Se ele não Brilha, ele é a escuridão.”

Jesus disse:” Ama o teu irmão como à tua alam, protege-o como a pupila dos teus olhos.”

Jesus disse: “tu vês o cisco no olho de teu irmão, mas não vês a trave no teu próprio olho. Quando retirares a trave do teu olho, então verás claramente e poderás retirar o cisco do olho de teu irmão.”


Evangelho de Tomé

Mudança




“Nós fugimos à mudança; contudo, há alguma coisa que possa nascer sem ela? O que é que a Natureza considera de mais querido ou mais próprio para si mesma? Poderias tu tomar um banho se a lenha da fogueira não sofresse uma mudança? Poderias tu alimentar-te se a comida não sofresse uma alteração? Será possível, para uma coisa útil, a realização sem mudança? Não vês, pois, que a mudança em ti próprio é da mesma ordem e não menos necessária à Natureza? “


Meditações
Marco Aurélio
(Imperador Romano)

Sobre o Caminho

“ A pessoa da matéria e a Pessoa do Espírito nunca se podem encontrar. Uma delas tem de desaparecer; não há lugar para ambas.


Antes que a mente da tua Alma possa compreender, deve a flor da personalidade ser esmagada em botão, e o verme dos sentidos destruído até não poder ressurgir.

Não podes caminhar no Caminho enquanto não te tornares, tu próprio, esse Caminho

Que a tua Alma dê ouvidos a todo o grito de dor como a flor de lótus abre o seu seio para beber o sol matutino.

Que o sol feroz não seque uma única lágrima de dor antes que a tenhas limpado dos olhos de quem sofre.





Que cada lágrima humana escaldante caia no teu coração e aí fique; nem nunca a tires enquanto durar a dor que a produziu.

Estas lágrimas, ó tu de coração tão compassivo, são os rios que irrigam os campos da caridade imortal. É neste terreno que cresce a flor noturna de Buda, mais difícil de achar, mais rara de ver, do que a flor da árvore Vogay. É a semente da libertação do renascer. Ela isola o Arhat tanto da luta como da luxúria, leva-o através dos campos do ser para a paz e a felicidade que só se conhecem na terra do silêncio e do não-ser.

Mata o desejo; mas se o matares, cuida bem em que ele não renasça da morte.”


A Voz do Silêncio
H. P. Blavatskk

Sexto Aniversário - Nova Acrópole Aveiro

um bem-haja a todos.

No passado dia 4 de Outubro, a Associação Cultural Nova Acrópole de Aveiro comemorou o seu sexto aniversário. Estando há trinta anos em Portugal, foi há seis anos atrás que a Pintora e Investigadora Françoise Terseur juntamente dom o Dr. e Investigador José Ramos abriram a filial de Aveiro. Desta forma, a Filosofia chegou a esta cidade, Rainha do litoral cujo Rei é o Sal.

Alquimicamente, o Sal é a cristalização do subtil. O Sal representa a materialização e talvez por isso mesmo, Aveiro esteja sempre na vanguarda de vários projectos, quer a nível científico, quer a nível empresarial.

Deixemos o assunto do Sal para uma outra altura e falemos da actividade que a Nova Acrópole realizou para comemorar o seu sexto aniversário. O distrito de Aveiro, nas suas zonas limítrofes, tal como o distrito de Viseu, é muito rico em património megalítico e assim, a Nova Acrópole levou a cabo um Rally Megalítico, destinado apenas para os seus membros, por alguns destes lugares.

Contando com a presença do Director Nacional, o Professor, Escritor e Investigador José Carlos Fernández, todos os participante foram brindados pelo mesmo com riquíssimas explicações históricas relativas aos monumentos em questão.

Embora todos estes monumentos estejam referenciados nas páginas das respectivas autarquias, alguns, como por exemplo A Pedra dos Cantinhos e a Pedra das Ferraduras Pintadas são de difícil localização, quer pela falta de sinalização, quer por se encontrarem envoltos por floresta. Se procurarmos na net por fotos relativas a estes dois locais apenas encontramos imagens antigas, por isso, ficam aqui duas fotografias recentes da autoria da PHTAH.



Pedra dos Cantinhos



Pedra das Ferraduras Pintadas 

Sobre a rocha foi espalhada areia branca para que os nossos olhos pudessem visualizar as belas inscrições ocultas para o olho do desatento.

Como referência do estado de sinalização, conservação e beleza, fica aqui uma foto da Anta da Cerqueira, situada no conselho de Sever do Vouga.


Anta da Cerqueira 

Para finalizar, faço aqui referência a uma próxima actividade a não perder. Uma viagem aos Mosteiros da Batalha e de Alcobaça, no dia 25 de Outubro de 2009, guiada pelo Escritor e investigador Paulo Loução, autor de várias obras entre elas: “OS TEMPLÁRIOS NA FORMAÇÃO DE PORTUGAL”; “PORTUGAL –TERRA DE MISTÉRIOS”; “DOS TEMPLÁRIOS À NOVA DEMANDA DO GRAAL”, entre outras. Esta é uma viagem aberta ao publico se estiverem interessados em participar podem entrar em contacto com a Nova Acrópole de Aveiro ou então se estiverem próximo de Lisboa, com a Nova Acrópole de Lisboa.

Fraternamente :.

Mistérios do Zodiaco e Segredos do Génesis

“Se recordarmos os conceitos da cosmogonia hindu, compreenderemos mais facilmente a relação  entre os patriarcas pré-diluvianos e a “Roda de Ezequiel”, tão enigmática para os comentadores. Assim, pois, temos de ter presente que:

Que o universo não é uma criação súbita e espontânea, senão um termo da indefinida série de universos que evoluíram da substância pré-existente.
Que a eternidade é uma sucessão de ciclos máximos onde em cada um dos quais ocorrem doze transformações do nosso mundo, ocasionadas alternadamente pelo fogo e pela água, de modo que a Terra fica tão geologicamente alterada, que na realidade constitui um novo planeta.
Que nas seis primeiras destas doze transformações, todos os seres e todas as coisas da Terra vão sendo cada vez mais densamente materiais, ao passo que nas seis restantes vão sendo cada vez mais subtis e espirituais.
Que ao chegar a evolução ao ponto culminante do círculo, desvanecem-se as formas objectivas; e as entidades que nelas residiam, homens, animais e plantas, esperam no Mundo Astral o término deste pralaya menor para retornar à terra e prosseguir nela a sua evolução.





Os antigos representavam este maravilhoso conceito no símbolo do Zodíaco ou Cinturão Celeste, para que as gentes o entendessem, mas no lugar dos doze símbolos agora conhecidos só deram ao público o nome de dez signos, a saber: Carneiro, Touro, Gémeos, Caranguejo, Leão, Virgem, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. Eram estes os signos exotéricos; mas haviam outros signos místicos, somente conhecidos pelos Iniciados, que eram Balança, o ponto intermédio dos doze e Escorpião que segue imediatamente o de Virgem. Quando foi necessário exoterizar estes dois signos, deram-lhes o nome que agora levam, para ocultar os verdadeiros nomes, cujo conhecimento colocaria a descoberto os segredos da criação e a origem do bem e do mal.

A verdadeira doutrina da sabedoria, ensinava secretamente que estes dois signos encobriam a transformação gradual do mundo, desde o seu estado espiritual e subjectivo, ao sublunar de sexo duplo. Assim foi que os doze signos se dividiram em grupos de seis. O primeiro grupo chamou-se de ascendente ou linha do Macrocosmos (mundo espiritual maior), o segundo chamou-se de descendente ou Microcosmos (mundo subalterno e reflexo do primeiro). Esta divisão recebeu o nome de “Roda de Ezequiel”, que compreendia como primeiro arco os cinco signos ascendentes, personificados pelos patriarcas, a saber: Carneiro, Touro, Gémeos, Caranguejo, Leão e por último Virgem-Escorpião. Depois vem Balança, o ponto de equilíbrio ou de mudança e de seguida desdobrava-se a primeira metade do signo Virgem-Escorpião para guiar o grupo descendente do Microcosmos até ao último signo, Peixes, cuja personificação é Noé, emblema do díluvio. Veremos isto mais claro tendo em conta que o signo Virgem-Escorpião representado primeiramente por (m) reduziu-se simplesmente a Virgem e o seu par (m) ou Escorpião, como personificação de Caim, ficou colocado depois de balança, pois segundo a teologia exotérica, Caim foi a perdição da humanidade, mas de acordo com a verdadeira Doutrina da Sabedoria representa a descida do universo, durante o curso da evolução, do subjectivo ao objectivo.

Costuma acreditar-se que o signo balança foi inventado pelos gregos; mas mesmo que assim fosse, unicamente o conheciam os Iniciados, ficando o vulgo tão ignorante como sempre. De todos os modos, o novo signo serviu admiravelmente para descobrir quanto se podia dizer sem revelar toda a verdade e dava-se a entender com ele que quando no processo da evolução chegou o mundo ao máximo grau de materialização, ou seja, ao ponto ínfimo da sua descida, já não poderia mais descer porque aquele era o ponto de equilíbrio, de balança ou de conversão, desde onde havia de iniciar-se a ascensão por impulso da divina chispa que arde no intimo de todas as formas. A balança simboliza o eterno equilíbrio de harmonia e justiça que há de reinar no universo, a ponderação das forças centrifuga e centrípeta, da luz e das trevas, da matéria e do espírito.

A interpolação dos signos adicionais do Zodíaco demonstra que o livro do Génesis, tal como aparece nas versões actuais, é posterior à invenção do nome Balança pelos gregos, pois a genealogia dos patriarcas faz-se corresponder com os doze signos zodiacais, se este livro fosse de data anterior, apenas se faria corresponder a dez. A adição dos dois signos e a necessidade que tinham de ocultar a verdadeira chave, moveu os compiladores a repetir o nome de Enoch e Lamech na tábua genealógica.

Tudo o que é referente à criação e ao dilúvio tem várias interpretações, não é possível compreender devidamente o  significado do relato bíblico sem ter em conta o relato Caldeu e do significado esotérico do que sobre o díluvio dizem o Mahabharata e o Satapatha. Os Acadianos, que segundo Rawlinson eram oriundos da Arménia, mas que não foram os primeiros emigrantes da Índia, ensinaram os mistérios religiosos e o idioma sacerdotal aos babilónios, que personificaram em Xisuthrus o Sol em Aquário, assim como Oannes, o homem-peixe e semideus, representava o primeiro avatar de Vishnu, com o qual temos a chave da dupla origem do relato bíblico.

Oannes simboliza a sabedoria esotérica e por isso sai do mar, do grande abismo, das águas, emblema da doutrina secreta e esta é também a razão porque os egípcios divinizaram o Nilo e o tiveram por salvador do país nas suas periódicas inundações e respeitassem os crocodilos que moravam no “abismo”. Os Povos de raça Camita habitaram sempre as orlas marítimas ou as margens dos rios, pois a água foi o primeiro elemento da criação, segundo algumas cosmogonias antigas e assim veneravam profundamente os sacerdotes caldeus o nome de Oannes, levavam uma túnica em forma de peixe, cuja cabeça era o chapéu cónico (aquele tipo de chapéu que surge associado aos magos).

Diz Cícero que, segundo Tales de Mileto, a água é o princípio de todas as coisas e que Deus é a Mente suprema que da água modelou todas as coisas.

E canta Virgílio na Eneiada:
No princípio, o Espírito anima céus e terra, o líquido elemento, o brilhante globo lunar e as titânicas estrelas. A mente infundida por qualquer lado desperta a massa e mistura-se com a matéria primordial.

Temos assim que a água simboliza por uma parte a dualidade do Macrocosmos-Microcosmos vivificada pelo Espírito e pela outra, o Cosmos evoluindo do Kosmos. Neste sentido, o dilúvio simboliza o período final do conflito entre os elementos correspondentes ao término do primeiro ciclo máximo do nosso planeta. Estes períodos de dura luta entre os elementos sucedem-se para que do caos surja a ordem e a ordem volte a cair no caos, de modo que os sucessivos tipos de organismos físicos estejam adaptados às respectivas condições naturais de cada período. Assim temos que no anterior ao actual não pode viver o homem de hoje sobre a terra, visto que não estava vestido dos trajes de pele que alegoricamente menciona o Génesis.”

Ísis sem véu
H. P. Blavatsky

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