"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Conferência: Mistérios do Sol e do Tempo

A Primeira parte desta conferência foi publicada no Post com o nome: Pequena reflexão sobre o Tempo
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Introdução ao Modelo Sagrado Sol-Terra-Homem

Nos tempos que correm, a maioria de nós leva a sua vida com a consciência apenas direccionada para o tempo profano, o mesmo será dizer que passamos a maior parte do tempo preocupados com o desgaste natural da realidade, e tal facto faz surgir a angústia.
Emaranhamo-nos numa teia de problemas cuja solução, pela falta de visão que possuímos, não conseguimos percebe-la manifestada na Natureza e afastamo-nos dos nossos objectivos como seres individuais e como Humanidade.
Como tal, necessitamos de recorrer ao sagrado de quando a quando para aferirmos os nossos actos relativamente a esses modelos primordiais.
Um desses modelos manifesta-se no plano físico sobre vários aspectos. Um deles, o mais visível, trata-se do sistema Sol-Terra.
A ideia associada a esta manifestação está muito para além da noção da ideia de tempo e estações anuais que encontrámos, a ideia subjacente está associada ao próprio caminho evolutivo do Homem.

O objectivo desta conferência é conseguirmos penetrar no grande símbolo cósmico que é o ano solar, transladando-nos para um espaço interior de análise e de reflexão, um espaço sagrado onde possamos sentir um pouco o sagrado do Tempo.


Constatar na Natureza as verdades manifestas deste modelo

Imaginemos por um instante que nada sabemos acerca do universo, a não ser aquilo que podemos ver a partir da Terra. Imaginemos que recuamos milhares de anos atrás e olhamos a nossa envolvente tal e qual como os nossos ancestrais o fizeram.

A primeira coisa que talvez vamos constatar é a alternância de ciclos de Luz e Trevas, Dias e noites. Se meditarmos sobre esta dualidade aparente e a transportarmos para o nosso dia a dia, veremos que tudo apresenta-se-nos sob a forma de opostos e continuamente optamos, por uma das partes e assim, dualmente agimos. Escolhemos o quente ou o frio, o doce ao salgado etc… acabamos por rejeitar totalmente uma das partes e afastamo-nos da compreensão da totalidade.

Atentos, também observamos que sob a acção do Sol espalha-se a vitalidade e tudo sobre a Terra Cresce e sob a influência da Lua a vida e a morte são controladas.

O Nascimento, o Crescimento e a Morte são eventos cíclicos que também tomamos consciência na Natureza. E como deve ter sido belo, para aquele que pela primeira vez entendeu que a natureza do circulo é algo mais que uma linha que não tem princípio nem fim, que o circulo da vida é um “ad eterno” de opostos.

Meditando sobre o circulo e desenhando-lo, o Homem compreendeu que existia um ponto equidistante que não se encontra sobre o perímetro que contem todos os outros pontos , mas fora deste. Este ponto ocupa o centro do circulo, um lugar de uma dimensão diferente.
Se todo o circulo possuir um centro, provavelmente nos iremos questionar acerca do que existe nesse centro. O que existe no centro do circulo da vida e da morte? O que existe no centro do circulo que anima a Natureza?

Como devem ter sido iluminados todas aquelas mentes, que sem o auxilio de satélites e telescópios conseguiram intuir que no centro do circulo anual encontrava-se o Sol e que a visão dual era somente devida à ilusão criada pela Terra, uma vez que se fosse possível sair da mesma tudo seria Luz. Afinal, a dualidade é somente dois aspectos da mesma coisa e não duas coisas diferentes.

Assim sendo, sobre o centro, a dualidade deixava de existir. A consciência total seria perene, o agir seria único e não parcial e partidário e o conhecimento seria total.


O Homem como parte da Natureza

A natureza morre e renasce ao longo do ciclo anual Terrestre. Como o Homem não é extra natura, deveria também obedecer ao mesmo plano e assim deveria morrer e também renascer.
Quando o Homem compreendeu isto pela primeira vez, talvez se tenha questionado então, o que seria a Morte e qual seria o seu caminho evolutivo?
Agora, não bastava conhecer o que os seus olhos viam, ele necessitava ultrapassar fronteiras, agora ele necessitava de conhecer-se a si mesmo. Era necessário ampliar a sua consciência, levantar o véu da ilusão pois só assim iria aprender e pisar as pedras firmes do seu caminho evolutivo, não caindo nos buracos que este contém.


Conhecer-se

Assim, ao longo do Tempo o homem foi conhecendo-se, conhecendo e transmitindo o seu conhecimento de geração em geração. Deste resultou a consciência que toda a natureza, assim como o homem, possui para além do plano denso, um conjunto de planos cada vez mais subtis. O corpo, a psique, a mente seriam cristalizações do homem nesses planos naturais.
O homem constatou que tal como no plano físico, nos planos subtis, actuavam leis análogas e assim, tal como a terra orbita em torno do sol, lançando este sobre ela a sua luz, também no seu interior existia uma individualidade que irradia sobre uma personalidade e dependendo do ponto do foco da consciência, se centrada na sua personalidade “lua” ou individualidade “sol”, a visão que teríamos de cada coisa.

No Egipto, este sol interior, este Eu divino do Homem foi representado e velado pela mitologia da divindade Osíris.

Os simbolos da Cruz e do Circulo

Penetremos um pouco mais neste modelo da natureza

O circulo e a cruz são símbolos que têm uma estrita ligação com o ano solar e desta forma com o próprio homem.
Como prova da sua antiguidade, vemos que foram dos primeiros símbolos que o homem antigo desenhou.

Todo o Cosmos é a manifestação de uma ideia que é Deus, e tal é esta ideia, que é impossível atingi-la pelas nossas mentes. No entanto, o cosmos é constituído por um harmónico de ideias ligadas entre si e aceder a estas pode ser possível.

Muitas destas ideias, conhecemo-las através de símbolos. Um símbolo é um portal que guarda a entrada a uma ideia. Comporta-se como um longo corredor que contém várias portas. Este corredor transporta a consciência até à essência da ideia, protegendo-la das consciências que não estão habilitadas para a possuírem. Consoante as chaves que se possuem, assim se vai caminhando ao longo do corredor e desta forma compreendendo a ideia em si.

No entanto, não basta possuir as chaves filosóficas de um símbolo para chegar à ideia que este vela, para compreendermos a mensagem ultima, temos de ser nós mesmos o símbolo, temos de nos alinhar segundo as suas directrizes, porque da experiência obtém-se a parte final que complementa a ideia velada pelo mesmo, casando-se assim os opostos como numa boda alquímica.

O principal drama que se desenrola ao longo do ano solar é o confronto entre a vida e a morte. A Natureza mostra-nos a cada ano que é necessário morrer para voltar a renascer para princípios cada vez mais elevados, cuja expressão exterior é a evolução das formas, mas a nossa visão dual, característica da nossa encarnação terrena, faz com que abominemos a morte e não aceitemos como necessária e assim nos afastemos da lição principal. Esta lição diz-nos que no íntimo possuímos uma parte eterna, um Eu divino, que se manifesta de tempos em tempos sobre um aspecto de um novo corpo tendo em vista a sua própria evolução.

Por mistérios ainda maiores da Natureza, somos levados a viver os símbolos e as suas provas nos conduzirão à iluminação da mensagem velada pelos mesmos. Só quando compreendermos a mensagem da experiência, poderemos deixar de sofrer inutilmente e seguir para o próximo nível de conhecimento que possui um novo leque de ideias a viver. Assim, porque vivemos mais determinados símbolos que outros, acabamos por compreendemos melhor aqueles que vivemos, que aqueles que tomamos contacto pela primeira vez.

Assim sendo, sob o ponto de vista terreno, a cruz é por nós conhecida mesmo sem havermos tido um contacto místico com este símbolo, bastando apenas “pensar um pouco nele”.

A cruz simboliza o equilíbrio dos quatro elementos. Simboliza o Homem que conseguiu dominar o seu corpo quaternário.
Inscrita no círculo é símbolo da vida humana e do sucessivo “vir a ser” do homem através das diversas peregrinações ou reencarnações da alma libertada. Simboliza o nascimento, a vida, a morte e a imortalidade. Imortalidade esta que será atingida quando estivermos preparados para ela. Esta porta ser-nos à aberta quando tivermos trilhado o caminho da Sabedoria e então seremos libertos dos ciclos de encarnação.

Significado da Cruz Ankh

Este momento de passagem remete-nos para outro símbolo que é a Cruz Ank, símbolo da vida, da aliança.
A parte superior deste símbolo é formada pelo hieróglifo Ru (porta, entrada, boca, saída) colocado sobre uma cruz Tau. Esta porta indica o quadrante Norte do céu, local onde se eleva o Sol da Meia Noite, o Sol Interno do Homem, símbolo do seu Eu Divino.


O Sol Invicto

O sol físico é o criador da natureza física. A na natureza espiritual é obra do Deus Superior, o Sol Oculto, central e espiritual e de seu Demiurgo, a mente Divina de Platão e a sabedoria divina de Hermes Trimegisto.


Iniciação

O conhecimento deste sol interno é um dos objectivos últimos da humanidade e pode ser acelerado por algo que se conhece por iniciação.

Um iniciado é uma pessoa que por vontade própria não aguarda que a natureza o faça viver determinada ideia. Ou seja, ele propõe-se a viver essa ideia acelerando assim o seu processo de aprendizagem. Tomando consciência da ideia através dos símbolos, alinhando-se pelas suas linhas de força, vive um momento que a restante humanidade irá viver daqui a milhares de anos.

No antigo Egipto, o adepto iniciado que superava todas as provas era atado a uma cruz em forma de Tau e depois mergulhado em sono profundo durante 3 dias e 3 noites, período onde o seu Ego espiritual dirigia-se à presença dos Deuses, ao terceiro dia era despertado pelos raios do Sol que lhe incidiam sobre a cara, sendo depois iniciado.

Se no recinto sagrado o adepto era iniciado para os mistérios da eternidade através de um ritual de um simbolismo profundo, a humanidade é iniciada nos mesmos mistérios através dos mesmos símbolos ocultos na natureza, no maior recinto sagrado de todos, a Terra.

Homem, Cruz e Circulo, o seu significado

Em suma, O Sol Sobre o centro do circulo da vida é o símbolo do Ego Divino. É símbolo da frutificação e da Regeneração. A cruz, símbolo da carne e das paixões, quando associada ao homem, representa a ideia do homem regenerado, o mortal que crucificando a carne e as paixões, renasce como ser imortal pois encontrou o seu centro. Para trás fica o homem animal, atado à cruz da iniciação e a sua nova vida passa a ser plenamente humana, que é a manifestação da Vontade, amor e inteligência.
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Bibliografia:
Doutrina secreta - H.P. Blavatsky
Isis Sem Véu - H.P. Blavatsky
Dicionário Teosófico - H.P. Blavatsky
Textos de Jorge Angel Livragra
O Sagrado e o Profano - Mircea Eliade
Signos del zodíaco y fiestas religiosas antiguas y modernas - J. M. Ragon

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