"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

A Senda


“Aquele que está na Senda não existe para si mesmo, mas para os outros; esquece a si próprio para poder servi-los. Ele é como uma pena na mão de Deus, através da qual o Seu pensamento flúi e pode encontrar neste mundo uma expressão que, sem ela (a pena) não poderia Ter. É, ao mesmo tempo, um feixe de fogo vivo radiando sobre o mundo o Amor Divino que lhe enche o coração.

A sabedoria que torna capaz de ajudar, a vontade que dirige a sabedoria, o amor que inspira a vontade – tais são as qualidades requeridas. Vontade Sabedoria e Amor são os três aspectos do Logos; e tu, que desejas alistar-te ao Seu serviço, deves expressar esses três aspectos no mundo.”

Aos Pés do Mestre
J. KRISHNAMURTI

Druidas


“Casta sacerdotal que floresceu na Britania e na Gaulia. Eram iniciados que admitiam mulheres na sua Ordem Sagrada, iniciando-as nos Mistérios da sua Religião. Nunca escreveram os seus versos sagrados e os seus ensinamentos, tal como os Brahmanes da Índia antiga, apenas os confiavam à memória; um feito que, segundo uma texto atribuído a César, demoraria cerca de vinte anos a ser alcançado.
Como os Parsis, não tinham qualquer imagens ou estátuas dos seus Deuses. A Religião Celta, consideravam uma blasfémia representar qualquer Deus mesmo sendo um Deus menor.”

Glossário Teosófico
H.P.Blavatsky


“ Na hierarquia social, os Druidas eram os sacerdotes dos Celtas. Não formavam uma casta hereditária dado que qualquer pessoa tinha a possibilidade de iniciar-se como druida.O seu ensinamento compunha-se de três mandamentos:

1º-Obediência às leis divinas. Sendo Deus considerado como Inteligência cósmica (os gregos falavam de «Logos-Inteligência», esta obediência pressupõe que existe no homem o princípio de Vontade, característico da Divindade.

2º-Interesse pelo bem-estar do meio social, quer dizer da humanidade e do clã. Isto exige uma noção de Amor, segunda característica desta divindade com múltiplas formas que não pode ser representada.

3º-Suportar com coragem todos os embates da vida, quer dizer ser-se estóico, ter uma filosofia de vida. Como a História o demonstrou, estes povos tiveram uma enorme capacidade para aguentar o sofrimento e para enfrentar a adversidade. Para que isto seja possível é necessário a Inteligência: para saber calar e renunciar quando é preciso, e agir no momento exacto.
A característica desta divindade, que é ao mesmo tempo Una e Tripla é estar dividida em três, seguindo as três virtudes básicas: Vontade, Amor e Inteligência.Estes três «mandamentos» podem ser vividos individual ou colectivamente e estão relacionados com os três graus de sacerdócio.”

Fernand Schwarz

Génesis Apócrifo

Embora o texto seguinte seja extenso, vale a pena lê-lo ou imprimi-lo para ir lendo. É uma ideia aliciante para a mente pois introduz conceitos simbólicos que permitem olhar para o Génesis Bíblico de uma outra forma, quem sabe talvez a verdadeira.
Para os amantes do simbolismo universal é mais uma das pérolas que Madame Blavatsky nos prendou.
Este Texto pode ser encontrado na integra, na obra , Isis Sem Véu, da autora anteriormente referida, no Capitulo que tem por nome: As cosmogonias orientais e os relatos Bíblicos.

As ideias pertencem à filosofia Ofita. Os Ofitas foram uma Fraternidade Gnóstica do Egipto Sec. II. d.C. São uma das mais primitivas seitas do Gnosticismo, conhecida com o nome de Irmandade da Serpente.

“O Deus-mistério, ou a Divindade nunca-revelada, fecunda por meio da Sua Vontade Bythos, a profundidade insondável e infinita que existe no silêncio (Sigê) e na escuridão (para o nosso intelecto) e que representa a idéia abstrata de toda a natureza, o Cosmos eternamente produtivo. (Bythos termo gnóstico que significa "Profundidade" ou "grande abismo", Caos. Equivalente a "espaço", antes que nele se tenha formado alguma coisa a partir dos átomos primordiais, que existem eternamente em suas profundezas, segundo os ensinamentos de Ocultismo.)
(…)
o Bythos não-revelado e sua contrapartida masculina produziram Ennoia e os três, por sua vez, produziram Sophia, completando assim a Tetraktys
(…)
Fecundada pela Luz Divina do Pai e do Filho, o espírito supremo e Ennoia, Sophia produz por sua vez duas outras emanações - um Chistos perfeito e a segunda Sophia-Akhamôth imperfeita a partir da hokhmôth (sabedoria simples), que se torna a mediadora entre os mundos intelectuais e material.
Cristos era o mediador e o guia entre Deus (o Supremo) e tudo o que de espiritual havia no homem; Akhamôth – a Sophia mais jovem – exercia a mesma função entre o “Homem Primitivo”, Ennoia, e a matéria.
(…)
Sophia, a Sabedoria Andrógina, também é o espírito feminino, ou a fêmea hindu Nârî (Nârâyana), movendo-se na superfície das águas – o caos, ou a matéria futura. Ela a vivifica à distância, mas não toca o abismo das trevas. É incapaz de fazê-lo, pois a Sabedoria é puramente intelectual e não pode agir diretamente sobre a matéria. Portanto, Sophia é obrigada a recorrer a seu Parente Supremo, mas, embora a vida proceda em primeiro lugar da Causa Inobservada e de seu Ennoia, nenhum deles pode, mais do que ela, ter algo em comum com o caos inferior em que a matéria assume sua forma definitiva. Assim, Sophia é obrigada a empregar nessa tarefa a sua emanação imperfeita, que é de natureza mista, metade espiritual e metade material.
(…)
a Sophia-Akhamôth. Enviada por seu parente puramente espiritual, a Sophia primordial, para criar o mundo de formas visíveis, desceu ao caos e, dominada pela emanação da matéria, perdeu o seu caminho. Todavia, ambiciosa para criar um mundo de matéria-prima para si, ela se ocupou em flutuar daqui para ali sobre o abismo negro e deu vida e movimento aos elementos inertes, até que, irremediavelmente emaranhada na matéria, como Pthahil, ela é representada sentada imersa no lodo e incapaz de dele se safar; mas, pelo contato com a própria matéria, ela produz o Criador do mundo material. Ele é o Demiurgo, chamado pelos ofitas de Ialdabaôth, e, como mostraremos, o pai do Deus judaico na opinião de algumas seitas e na de outras, o Próprio "Senhor Deus". É neste ponto da cosmogonia cabalístico-gnóstica que começa a Bíblia mosaica. Tendo aceitado o Velho Testamento judaico como seu modelo, não espanta que os cristãos fossem forçados, pela posição excepcional em que foram colocados por sua própria ignorância, a extrair dele o melhor que pudessem.
(…)
Depois de ter produzido Ialdabaôth – de ialda, criança, e de baôth, uma terra desolada, uma desolação – Sophia-Akhamôth sofreu a tal ponto como o contato com a matéria, que, após uma luta extraordinária, ela escapa finalmente do caos pantanoso. Embora ignore o pleroma, a religião da sua mãe, ela alcançou o espaço mediano e chegou a sacudir as partículas materiais que estavam ligadas à sua natureza espiritual; depois disso, construiu imediatamente uma barreira infranqueável entre o mundo da inteligência (espíritos) e o mundo da matéria. Ialdabaôth é, assim, o “filho da escuridão”, o criador do nosso mundo pecaminoso (a sua porção física). Ele segue o exemplo de Bythos e produz de si mesmo seis espíritos estelares (filhos). Todos eles têm a sua própria imagem e reflexos uns dos outros, que se tornam mais escuros à medida que se afastem do seu pai. Com este, eles habitam sete regiões dispostas com uma escala, que começa abaixo do espaço mediano, a região da sua mãe, Sophia-Ahamôth, e termina com a nossa Terra, a sétima região. Eles são, assim, os génios das sete esferas planetárias, das quais a mais inferior é a região da nossa Terra (a esfera que a circunda, nosso éter). Os nomes respectivos desses génios das esferas são: Jove o Jehovah, Sabaoth, Adonai, Eloi, Uraios y Astaphaios. Os quatro primeiros, como todos sabem, são os nomes místicos do “Senhor Deus” judaico, sendo este, como afirma C. W. King, “rebaixado pelos fitas para as denominações dos subordinados do Criador; os dois últimos são os dos Génios do Fogo e da Água”.
Ialdabaôth, que muitas seitas consideravam como o Deus de Moisés, não era um espírito puro; era ambicioso e orgulhoso e, rejeitando a luz espiritual do espaço mediano que sua mãe Sophia-Akhamôth lhe oferecia, pôs-se ele próprio a criar um mundo para si mesmo. Ajudado por seus filhos, os seis Génios planetários, ele fabricou o homem, mas não obteve êxito na primeira tentativa. Era um monstro; sem alma, ignorante e que caminhava sobre quatro patas no chão como uma fera material. Ialdabaôth viu-se obrigado a implorar a ajuda de sua Mãe Espiritual. Ela lhe transmitiu um raio da sua Luz e assim animou o Homem e o dotou de Alma. E então teve início a animosidade de Ialdabaôth contra sua própria criatura. Seguindo o impulso da luz Divina, o homem aumentou mais e mais o volume das suas aspirações; muito cedo ele começou a apresentar não a imagem do seu Criador Ialdabaôth, mas antes do Ser Supremo, o “Homem Primitivo”, Ennoia. Então o Demiurgo foi dotado de cólera e inveja; e, ficando seu olho invejoso sobre o abismo de matéria, seu olhar, envenenado pela paixão, reflectiu-se repentinamente nele como num espelho; o reflexo tornou-se animado e do abismo sai Satã, serpente, Ophiomorphos – “a incorporação da inveja e da esperteza. Ele é a união de tudo o que é mais abjecto na matéria como o ódio, a inveja e a astúcia de uma inteligência espiritual”.
Depois disso, e sempre com rancor face à perfeição do homem, Ialdabaôth criou os três da Natureza: o mineral, o vegetal e o animal, com todos os seus instintos perniciosos e pensamentos maus. Imponente para aniquilar a Árvore do Conhecimento, que cresce em sua esfera e em cada uma das regiões planetárias, mas determinado a afastar o “homem” da sua protectora espiritual, Ialdabaôth proibiu-o de comer do seu fruto, com medo de que ele revelasse à Humanidade os mistérios do mundo superior. Mas Sophia-Akhamôth, que amava e protegia o homem que ela animara, enviou o seu próprio Génio, Ophis, sob a forma de uma serpente, para induziu o homem a transgredir o mandamento egoísta e injusto. E o “homem” de repente tornou-se capaz de compreender os mistérios da criação.
Ialdabaôth vingou-se, então, punindo o primeiro par, pois o homem, através do seu conhecimento, já havia conseguido uma companheira feita de suas metades espiritual e material. Aprisionou o homem e a mulher num calabouço de matéria, no corpo tão indigno de sua natureza, e no qual o homem ainda está encerrado. Mas Akhamôth ainda o protegeu. Ele estabeleceu entre a sua região celestial e o “homem” uma corrente de Luz Divina e continua a lhe fornecer iluminação espiritual.
(…)
Akhamôth, entristecida com os males que afligiram a Humanidade, apesar da sua proteção, suplica à sua celeste Sophia – seu antitipo – que interceda junto à PROFUNDIDADE desconhecida para que ela envie Cristos (o filho e a emanação da “Virgem Celestial”) em socorro da Humanidade que estava perecendo. Ialdabaôth e os seus filhos da matéria privam da luz divina a Humanidade. O homem deve ser salvo. Ialdabaôth já enviou o seu próprio agente. João Batista, da raça de Seth, que ele protege – como um profeta do seu povo, mas apenas uma pequena porção o ouviu – os nazarenos , os oponentes dos judeus, porque eles adoravam Iurbo-Adunai. (Iurbo e Adonai, segundo os ofitas, são nomes de ão-Jeová, uma das emanações de Ialdabaôth.
(…)
Akhamôth dissera a seu filho, Ialdabaôth, que o reino de Cristos seria apenas temporal e, assim, induzindo-o a enviar um precursor. Além disso, o fez causar o nascimento do homem Jesus da Virgem Maria, o seu próprio tipo da Terra, "pois a criação de um personagem material só poderia ser obra do Demiurgo; estava fora do alcance de um poder superior. Logo que Jesus nasceu, Cristos, o perfeito, unindo-se a Sophia [sabedoria e espiritualidade], desceu através das sete regiões planetárias, assumindo em cada uma delas uma forma análoga e ocultando dos génios a sua verdadeira natureza, ao mesmo tempo em que atraía para si as centelhas de Luz Divina que eles retinham em sua essência. Assim, Cristos entrou no Homem Jesus no momento do seu baptismo no Jordão. A partir desse momento Jesus começou a operar milagres; antes disso, ignorava completamente a sua missão". (King, The Gnostics and their Remains, p. 31. [p.100 na 2ª ed. ].
Ialdabaôth, descobrindo que Cristos estava levando ao fim o seu próprio reino da matéria, excitou os judeus contra ele e Jesus foi condenado à morte *.
(…)
Uma vez na cruz, Cristos e Sophia abandonaram o seu corpo e retornaram à sua própria esfera. O corpo material do homem Jesus foi abandonado à terra, mas sendo dado a ele um corpo feito de éter (alma astral). "A partir desse momento, ele consistia apenas de Alma e de Espírito, razão pela qual os discípulos não o reconheceram após a ressurreição". Nesse estado espiritual de um simulacrum, Jesus permaneceu sobre a Terra durante mais dezoito meses. Nesta última permanência, recebeu de Sophia o conhecimento perfeito, a verdadeira Gnose que ele comunicou a alguns dos apóstolos que eram capazes de a receber. "Depois, acendendo ao espaço mediano, sentou-se à direita de Ialdabaôth, mas invisível a ele, e dali reúne todas as almas que foram purificadas pelo conhecimento de Cristo. Quando tiver reunido toda a Luz Espiritual que existe na matéria, no império de Ialdabaôth, a redenção será cumprida e o mundo será destruído. Essa é a significação da reabsorção de toda a Luz Espiritual no Pleroma ou Plenitude, donde Ele desceu na origem." (King, op. cit., p. 31 [p. 100 na 2ª ed.].”

Conferência: Mistérios do Sol e do Tempo

A Primeira parte desta conferência foi publicada no Post com o nome: Pequena reflexão sobre o Tempo
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Introdução ao Modelo Sagrado Sol-Terra-Homem

Nos tempos que correm, a maioria de nós leva a sua vida com a consciência apenas direccionada para o tempo profano, o mesmo será dizer que passamos a maior parte do tempo preocupados com o desgaste natural da realidade, e tal facto faz surgir a angústia.
Emaranhamo-nos numa teia de problemas cuja solução, pela falta de visão que possuímos, não conseguimos percebe-la manifestada na Natureza e afastamo-nos dos nossos objectivos como seres individuais e como Humanidade.
Como tal, necessitamos de recorrer ao sagrado de quando a quando para aferirmos os nossos actos relativamente a esses modelos primordiais.
Um desses modelos manifesta-se no plano físico sobre vários aspectos. Um deles, o mais visível, trata-se do sistema Sol-Terra.
A ideia associada a esta manifestação está muito para além da noção da ideia de tempo e estações anuais que encontrámos, a ideia subjacente está associada ao próprio caminho evolutivo do Homem.

O objectivo desta conferência é conseguirmos penetrar no grande símbolo cósmico que é o ano solar, transladando-nos para um espaço interior de análise e de reflexão, um espaço sagrado onde possamos sentir um pouco o sagrado do Tempo.


Constatar na Natureza as verdades manifestas deste modelo

Imaginemos por um instante que nada sabemos acerca do universo, a não ser aquilo que podemos ver a partir da Terra. Imaginemos que recuamos milhares de anos atrás e olhamos a nossa envolvente tal e qual como os nossos ancestrais o fizeram.

A primeira coisa que talvez vamos constatar é a alternância de ciclos de Luz e Trevas, Dias e noites. Se meditarmos sobre esta dualidade aparente e a transportarmos para o nosso dia a dia, veremos que tudo apresenta-se-nos sob a forma de opostos e continuamente optamos, por uma das partes e assim, dualmente agimos. Escolhemos o quente ou o frio, o doce ao salgado etc… acabamos por rejeitar totalmente uma das partes e afastamo-nos da compreensão da totalidade.

Atentos, também observamos que sob a acção do Sol espalha-se a vitalidade e tudo sobre a Terra Cresce e sob a influência da Lua a vida e a morte são controladas.

O Nascimento, o Crescimento e a Morte são eventos cíclicos que também tomamos consciência na Natureza. E como deve ter sido belo, para aquele que pela primeira vez entendeu que a natureza do circulo é algo mais que uma linha que não tem princípio nem fim, que o circulo da vida é um “ad eterno” de opostos.

Meditando sobre o circulo e desenhando-lo, o Homem compreendeu que existia um ponto equidistante que não se encontra sobre o perímetro que contem todos os outros pontos , mas fora deste. Este ponto ocupa o centro do circulo, um lugar de uma dimensão diferente.
Se todo o circulo possuir um centro, provavelmente nos iremos questionar acerca do que existe nesse centro. O que existe no centro do circulo da vida e da morte? O que existe no centro do circulo que anima a Natureza?

Como devem ter sido iluminados todas aquelas mentes, que sem o auxilio de satélites e telescópios conseguiram intuir que no centro do circulo anual encontrava-se o Sol e que a visão dual era somente devida à ilusão criada pela Terra, uma vez que se fosse possível sair da mesma tudo seria Luz. Afinal, a dualidade é somente dois aspectos da mesma coisa e não duas coisas diferentes.

Assim sendo, sobre o centro, a dualidade deixava de existir. A consciência total seria perene, o agir seria único e não parcial e partidário e o conhecimento seria total.


O Homem como parte da Natureza

A natureza morre e renasce ao longo do ciclo anual Terrestre. Como o Homem não é extra natura, deveria também obedecer ao mesmo plano e assim deveria morrer e também renascer.
Quando o Homem compreendeu isto pela primeira vez, talvez se tenha questionado então, o que seria a Morte e qual seria o seu caminho evolutivo?
Agora, não bastava conhecer o que os seus olhos viam, ele necessitava ultrapassar fronteiras, agora ele necessitava de conhecer-se a si mesmo. Era necessário ampliar a sua consciência, levantar o véu da ilusão pois só assim iria aprender e pisar as pedras firmes do seu caminho evolutivo, não caindo nos buracos que este contém.


Conhecer-se

Assim, ao longo do Tempo o homem foi conhecendo-se, conhecendo e transmitindo o seu conhecimento de geração em geração. Deste resultou a consciência que toda a natureza, assim como o homem, possui para além do plano denso, um conjunto de planos cada vez mais subtis. O corpo, a psique, a mente seriam cristalizações do homem nesses planos naturais.
O homem constatou que tal como no plano físico, nos planos subtis, actuavam leis análogas e assim, tal como a terra orbita em torno do sol, lançando este sobre ela a sua luz, também no seu interior existia uma individualidade que irradia sobre uma personalidade e dependendo do ponto do foco da consciência, se centrada na sua personalidade “lua” ou individualidade “sol”, a visão que teríamos de cada coisa.

No Egipto, este sol interior, este Eu divino do Homem foi representado e velado pela mitologia da divindade Osíris.

Os simbolos da Cruz e do Circulo

Penetremos um pouco mais neste modelo da natureza

O circulo e a cruz são símbolos que têm uma estrita ligação com o ano solar e desta forma com o próprio homem.
Como prova da sua antiguidade, vemos que foram dos primeiros símbolos que o homem antigo desenhou.

Todo o Cosmos é a manifestação de uma ideia que é Deus, e tal é esta ideia, que é impossível atingi-la pelas nossas mentes. No entanto, o cosmos é constituído por um harmónico de ideias ligadas entre si e aceder a estas pode ser possível.

Muitas destas ideias, conhecemo-las através de símbolos. Um símbolo é um portal que guarda a entrada a uma ideia. Comporta-se como um longo corredor que contém várias portas. Este corredor transporta a consciência até à essência da ideia, protegendo-la das consciências que não estão habilitadas para a possuírem. Consoante as chaves que se possuem, assim se vai caminhando ao longo do corredor e desta forma compreendendo a ideia em si.

No entanto, não basta possuir as chaves filosóficas de um símbolo para chegar à ideia que este vela, para compreendermos a mensagem ultima, temos de ser nós mesmos o símbolo, temos de nos alinhar segundo as suas directrizes, porque da experiência obtém-se a parte final que complementa a ideia velada pelo mesmo, casando-se assim os opostos como numa boda alquímica.

O principal drama que se desenrola ao longo do ano solar é o confronto entre a vida e a morte. A Natureza mostra-nos a cada ano que é necessário morrer para voltar a renascer para princípios cada vez mais elevados, cuja expressão exterior é a evolução das formas, mas a nossa visão dual, característica da nossa encarnação terrena, faz com que abominemos a morte e não aceitemos como necessária e assim nos afastemos da lição principal. Esta lição diz-nos que no íntimo possuímos uma parte eterna, um Eu divino, que se manifesta de tempos em tempos sobre um aspecto de um novo corpo tendo em vista a sua própria evolução.

Por mistérios ainda maiores da Natureza, somos levados a viver os símbolos e as suas provas nos conduzirão à iluminação da mensagem velada pelos mesmos. Só quando compreendermos a mensagem da experiência, poderemos deixar de sofrer inutilmente e seguir para o próximo nível de conhecimento que possui um novo leque de ideias a viver. Assim, porque vivemos mais determinados símbolos que outros, acabamos por compreendemos melhor aqueles que vivemos, que aqueles que tomamos contacto pela primeira vez.

Assim sendo, sob o ponto de vista terreno, a cruz é por nós conhecida mesmo sem havermos tido um contacto místico com este símbolo, bastando apenas “pensar um pouco nele”.

A cruz simboliza o equilíbrio dos quatro elementos. Simboliza o Homem que conseguiu dominar o seu corpo quaternário.
Inscrita no círculo é símbolo da vida humana e do sucessivo “vir a ser” do homem através das diversas peregrinações ou reencarnações da alma libertada. Simboliza o nascimento, a vida, a morte e a imortalidade. Imortalidade esta que será atingida quando estivermos preparados para ela. Esta porta ser-nos à aberta quando tivermos trilhado o caminho da Sabedoria e então seremos libertos dos ciclos de encarnação.

Significado da Cruz Ankh

Este momento de passagem remete-nos para outro símbolo que é a Cruz Ank, símbolo da vida, da aliança.
A parte superior deste símbolo é formada pelo hieróglifo Ru (porta, entrada, boca, saída) colocado sobre uma cruz Tau. Esta porta indica o quadrante Norte do céu, local onde se eleva o Sol da Meia Noite, o Sol Interno do Homem, símbolo do seu Eu Divino.


O Sol Invicto

O sol físico é o criador da natureza física. A na natureza espiritual é obra do Deus Superior, o Sol Oculto, central e espiritual e de seu Demiurgo, a mente Divina de Platão e a sabedoria divina de Hermes Trimegisto.


Iniciação

O conhecimento deste sol interno é um dos objectivos últimos da humanidade e pode ser acelerado por algo que se conhece por iniciação.

Um iniciado é uma pessoa que por vontade própria não aguarda que a natureza o faça viver determinada ideia. Ou seja, ele propõe-se a viver essa ideia acelerando assim o seu processo de aprendizagem. Tomando consciência da ideia através dos símbolos, alinhando-se pelas suas linhas de força, vive um momento que a restante humanidade irá viver daqui a milhares de anos.

No antigo Egipto, o adepto iniciado que superava todas as provas era atado a uma cruz em forma de Tau e depois mergulhado em sono profundo durante 3 dias e 3 noites, período onde o seu Ego espiritual dirigia-se à presença dos Deuses, ao terceiro dia era despertado pelos raios do Sol que lhe incidiam sobre a cara, sendo depois iniciado.

Se no recinto sagrado o adepto era iniciado para os mistérios da eternidade através de um ritual de um simbolismo profundo, a humanidade é iniciada nos mesmos mistérios através dos mesmos símbolos ocultos na natureza, no maior recinto sagrado de todos, a Terra.

Homem, Cruz e Circulo, o seu significado

Em suma, O Sol Sobre o centro do circulo da vida é o símbolo do Ego Divino. É símbolo da frutificação e da Regeneração. A cruz, símbolo da carne e das paixões, quando associada ao homem, representa a ideia do homem regenerado, o mortal que crucificando a carne e as paixões, renasce como ser imortal pois encontrou o seu centro. Para trás fica o homem animal, atado à cruz da iniciação e a sua nova vida passa a ser plenamente humana, que é a manifestação da Vontade, amor e inteligência.
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Bibliografia:
Doutrina secreta - H.P. Blavatsky
Isis Sem Véu - H.P. Blavatsky
Dicionário Teosófico - H.P. Blavatsky
Textos de Jorge Angel Livragra
O Sagrado e o Profano - Mircea Eliade
Signos del zodíaco y fiestas religiosas antiguas y modernas - J. M. Ragon

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