"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Da ignorância ao Amor


“A constatação da ignorância conduz ao Amor ou à busca do que nos falta.
Um duplo caminho surge-nos pela frente: aquele que consiste em não assumirmos os nossos erros, ignorâncias, a permanecer pedantes, egocêntricos e a justificar-nos, querendo provar, ou aquele que consiste em aceitar o que somos e a decidir que é necessário fazer alguma coisa para avançar.

É a constatação do que nos falta que permite fazer nascer o Amor. No inicio, esta tomada de consciência exprime-se como um sofrimento perante a ausência de uma dimensão superior da qual sentimos nostalgia. A introspecção a que nos leva a exortação conduz-nos ao fundo de nós próprios, à descoberta socrática que apenas sabemos que nada sabemos, mas também à descoberta da nossa necessidade de Amar e de procurar a sabedoria. É este re-conhecimento que nos leva a sair da ignorância.

Esta nova inquietação leva-nos da ignorância à filosofia ou Amor pela Sabedoria. A ignorância segundo Sócrates, não consiste em não saber mas em continuar a ignorar o que sabemos que ignoramos. Podemos ignorar a ignorância sob pena de não conseguir aprender. Ignorar a ignorância, segundo Sócrates, é a mais terrível das doenças. O nosso verdadeiro inimigo interior é o que nos incita a resignar-mos à ignorância com fatalismo, a renunciar a desenvolver uma necessidade profunda de mudança interior, a renunciar à sua própria capacidade de transformação, é já estar morto.

A instar da obra ao negro dos alquimistas, Sócrates convida-nos a descer ao fundo de nós próprios e a encontrar a nossa própria matéria prima essencial que, embora submersa e recoberta de escórias das nossas dúvidas e medos é a pedra adamantina, matriz da nossa consciência luminosa.”


“A sabedoria de Sócrates”
Fernand Schwarz

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