"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

A Mónada - Vontade de Viver


“ “Primeiramente é a chispa de uma chama.”Oh! Gurudeva. Percebo uma chama. Vejo inumeráveis chispas inseparadas que brilham nela”. A chama é o primeiro Logos e as inseparadas chispas são as mónadas, porque são as células germinais do seu corpo que tomaram prontamente vida no universo iminente. Movidas por esta Vontade, as chispas participam da alteração chamada “o engendramento do filho” e passam em seguida para o seio do segundo Logos e moram nele. Depois de receberem do terceiro Logos a “individualidade espiritual” .
Mas a Mónada no entanto ainda não possui “das outras Mónadas” o conhecimento que necessita para adquirir por reacção o conhecimento do “Eu”. Os três aspectos de consciência que lhe pertencem, por participar na vida do Logos, estão ainda “virados para dentro” infundidos, adormecidos e alheados do “exterior” como participantes da Consciência Universal.
Os Excelsos Seres das hierarquias criadoras despertam as Mónadas para a vida “exterior”. A Vontade, a Sabedoria e a actividade descem ao conhecimento do “exterior” e adquirem uma vaga percepção de “outras”, enquanto “outras” têm sentido num mundo onde todas as formas se interfundem e interpenetram e cada uma chega a ser “um individual Dhyan Choan distinto dos outros”.

Na primeira etapa, quando as Mónadas estão inseparadas , como células germinais do seu corpo, a Vontade, a Sabedoria e a actividade estão latentes nelas, mas não se manifestam. A vontade de manifestação do Logos é também, mesmo que inconsciente, a vontade das Mónadas. O Logos é consciente por si e conhece o seu objecto e o seu caminho; as Mónadas, ainda não conscientes, têm, como partes do corpo do Logos, a energia do movimento da sua vontade, que em breve será a sua própria vontade individual de viver, que as coloque em condições possíveis de uma vida com consciência separada derivada da sua consciência universal anterior. Isto conduz as Mónadas à segunda etapa na vida do segundo Logos e depois ao terceiro. Mais tarde, já relativamente separadas, as hierarquias criadoras comunicam-lhes, ao despertá-las, a “vaga percepção das outras Mónadas” e do “Eu”, ao que sucede a adição de uma percepção mais clara do “Eu” das outras Mónadas. Esta é a “vontade individual de Viver” que as conduz a mundo mais densos onde seja possível o aperfeiçoamento da percepção.

A evolução do “Eu” individual tem origem na actividade livremente elegida pela Mónada. Estamos neste mundo por causa da “vontade de viver” pois “nenhuma outra vontade nos compele”.
Em todo o lado na natureza observamos esta vontade de viver, esta ânsia da mais plena manifestação de vida. A semente enterrada no solo, brota ansiosa de luz. O botão aprisionado dentro do cálice, quebrando a sua prisão estendendo-se aos beijos do Sol. O pinto que rompe a casca. Por todo o lado, a vida deseja manifestar-se e as potências estão sedentas de actualização. Vede o pintor, o escultor, o poeta cujo génio criativo ferve em suas mentes. Criar, para eles, é o mais delicado prazer, o mais intenso sabor de sublime deleite. Todos são exemplos da omnipresente natureza da vida, começando pelo Logos, no génio ou na criatura efémera de um dia. Todos gozam da alegria de viver e ao multiplicar-se acrescentam a sua vida. Da vontade de viver dimanam a expressão, brotar, desapego e incremento da vida culminadas na felicidade do Ser.”

Estudo Sobre a Consciência
Dra. Annie Besant

Desejos e Emoções

Para que possamos ter um pouco mais de consciência sobre alguma da psicologia que gera os nossos actos.

Todos nós possuímos Desejos e Emoções

O Desejo divide-se em:
- Atracção para possuir.
Estar em contacto com algo que tenha causado prazer

- Repulsão.
Afastar algo que tenha causado dor.

As Emoções resultam da união do Desejo mais o Intelecto.
Devido à dupla natureza do desejo, estas também se dividem em dois grupos.
- Amor: Emoção atractiva que prazerosamente une dois objectos. Energia integrante do universo.

- Ódio: Emoção repulsiva que dolorosamente separa dois objectos. Energia Desintegrante do Universo.

Destas duas Colunas derivam todas as Emoções.

O Amor une com laços muito mais fortes que os laços do desejo de possuir, pois no amor participa a mente. Da mesma maneira, o Ódio causa mais dano que o desejo de afastar pois destrói mais profundamente que o desejo de afastar

Existem três tipos de Amor e três tipos de Ódio

Amor
Para o superior - Veneração
Para o Igual (Irmão) - Auxilio Mútuo
Para o inferior - Benevolência

Ódio
Para o superior - Medo
Para o Igual (Irmão) – Cólera, Hostilidade, Desatenção, Violência, Agressividade, Inveja e Insolência.
Para o Inferior -Menosprezo

O Ódio aproxima-nos da Animalidade.
O Amor aproxima-nos da Divindade.

De acordo com Annie Besant no seu livro “Estudo sobre a consciência”

Pelo Amor que no todo Flameja, unindo-nos.

Vontade


Escolhe por ti as pedras que pisas. Estas formam o teu caminho.

A Senda


“Aquele que está na Senda não existe para si mesmo, mas para os outros; esquece a si próprio para poder servi-los. Ele é como uma pena na mão de Deus, através da qual o Seu pensamento flúi e pode encontrar neste mundo uma expressão que, sem ela (a pena) não poderia Ter. É, ao mesmo tempo, um feixe de fogo vivo radiando sobre o mundo o Amor Divino que lhe enche o coração.

A sabedoria que torna capaz de ajudar, a vontade que dirige a sabedoria, o amor que inspira a vontade – tais são as qualidades requeridas. Vontade Sabedoria e Amor são os três aspectos do Logos; e tu, que desejas alistar-te ao Seu serviço, deves expressar esses três aspectos no mundo.”

Aos Pés do Mestre
J. KRISHNAMURTI

Druidas


“Casta sacerdotal que floresceu na Britania e na Gaulia. Eram iniciados que admitiam mulheres na sua Ordem Sagrada, iniciando-as nos Mistérios da sua Religião. Nunca escreveram os seus versos sagrados e os seus ensinamentos, tal como os Brahmanes da Índia antiga, apenas os confiavam à memória; um feito que, segundo uma texto atribuído a César, demoraria cerca de vinte anos a ser alcançado.
Como os Parsis, não tinham qualquer imagens ou estátuas dos seus Deuses. A Religião Celta, consideravam uma blasfémia representar qualquer Deus mesmo sendo um Deus menor.”

Glossário Teosófico
H.P.Blavatsky


“ Na hierarquia social, os Druidas eram os sacerdotes dos Celtas. Não formavam uma casta hereditária dado que qualquer pessoa tinha a possibilidade de iniciar-se como druida.O seu ensinamento compunha-se de três mandamentos:

1º-Obediência às leis divinas. Sendo Deus considerado como Inteligência cósmica (os gregos falavam de «Logos-Inteligência», esta obediência pressupõe que existe no homem o princípio de Vontade, característico da Divindade.

2º-Interesse pelo bem-estar do meio social, quer dizer da humanidade e do clã. Isto exige uma noção de Amor, segunda característica desta divindade com múltiplas formas que não pode ser representada.

3º-Suportar com coragem todos os embates da vida, quer dizer ser-se estóico, ter uma filosofia de vida. Como a História o demonstrou, estes povos tiveram uma enorme capacidade para aguentar o sofrimento e para enfrentar a adversidade. Para que isto seja possível é necessário a Inteligência: para saber calar e renunciar quando é preciso, e agir no momento exacto.
A característica desta divindade, que é ao mesmo tempo Una e Tripla é estar dividida em três, seguindo as três virtudes básicas: Vontade, Amor e Inteligência.Estes três «mandamentos» podem ser vividos individual ou colectivamente e estão relacionados com os três graus de sacerdócio.”

Fernand Schwarz

Génesis Apócrifo

Embora o texto seguinte seja extenso, vale a pena lê-lo ou imprimi-lo para ir lendo. É uma ideia aliciante para a mente pois introduz conceitos simbólicos que permitem olhar para o Génesis Bíblico de uma outra forma, quem sabe talvez a verdadeira.
Para os amantes do simbolismo universal é mais uma das pérolas que Madame Blavatsky nos prendou.
Este Texto pode ser encontrado na integra, na obra , Isis Sem Véu, da autora anteriormente referida, no Capitulo que tem por nome: As cosmogonias orientais e os relatos Bíblicos.

As ideias pertencem à filosofia Ofita. Os Ofitas foram uma Fraternidade Gnóstica do Egipto Sec. II. d.C. São uma das mais primitivas seitas do Gnosticismo, conhecida com o nome de Irmandade da Serpente.

“O Deus-mistério, ou a Divindade nunca-revelada, fecunda por meio da Sua Vontade Bythos, a profundidade insondável e infinita que existe no silêncio (Sigê) e na escuridão (para o nosso intelecto) e que representa a idéia abstrata de toda a natureza, o Cosmos eternamente produtivo. (Bythos termo gnóstico que significa "Profundidade" ou "grande abismo", Caos. Equivalente a "espaço", antes que nele se tenha formado alguma coisa a partir dos átomos primordiais, que existem eternamente em suas profundezas, segundo os ensinamentos de Ocultismo.)
(…)
o Bythos não-revelado e sua contrapartida masculina produziram Ennoia e os três, por sua vez, produziram Sophia, completando assim a Tetraktys
(…)
Fecundada pela Luz Divina do Pai e do Filho, o espírito supremo e Ennoia, Sophia produz por sua vez duas outras emanações - um Chistos perfeito e a segunda Sophia-Akhamôth imperfeita a partir da hokhmôth (sabedoria simples), que se torna a mediadora entre os mundos intelectuais e material.
Cristos era o mediador e o guia entre Deus (o Supremo) e tudo o que de espiritual havia no homem; Akhamôth – a Sophia mais jovem – exercia a mesma função entre o “Homem Primitivo”, Ennoia, e a matéria.
(…)
Sophia, a Sabedoria Andrógina, também é o espírito feminino, ou a fêmea hindu Nârî (Nârâyana), movendo-se na superfície das águas – o caos, ou a matéria futura. Ela a vivifica à distância, mas não toca o abismo das trevas. É incapaz de fazê-lo, pois a Sabedoria é puramente intelectual e não pode agir diretamente sobre a matéria. Portanto, Sophia é obrigada a recorrer a seu Parente Supremo, mas, embora a vida proceda em primeiro lugar da Causa Inobservada e de seu Ennoia, nenhum deles pode, mais do que ela, ter algo em comum com o caos inferior em que a matéria assume sua forma definitiva. Assim, Sophia é obrigada a empregar nessa tarefa a sua emanação imperfeita, que é de natureza mista, metade espiritual e metade material.
(…)
a Sophia-Akhamôth. Enviada por seu parente puramente espiritual, a Sophia primordial, para criar o mundo de formas visíveis, desceu ao caos e, dominada pela emanação da matéria, perdeu o seu caminho. Todavia, ambiciosa para criar um mundo de matéria-prima para si, ela se ocupou em flutuar daqui para ali sobre o abismo negro e deu vida e movimento aos elementos inertes, até que, irremediavelmente emaranhada na matéria, como Pthahil, ela é representada sentada imersa no lodo e incapaz de dele se safar; mas, pelo contato com a própria matéria, ela produz o Criador do mundo material. Ele é o Demiurgo, chamado pelos ofitas de Ialdabaôth, e, como mostraremos, o pai do Deus judaico na opinião de algumas seitas e na de outras, o Próprio "Senhor Deus". É neste ponto da cosmogonia cabalístico-gnóstica que começa a Bíblia mosaica. Tendo aceitado o Velho Testamento judaico como seu modelo, não espanta que os cristãos fossem forçados, pela posição excepcional em que foram colocados por sua própria ignorância, a extrair dele o melhor que pudessem.
(…)
Depois de ter produzido Ialdabaôth – de ialda, criança, e de baôth, uma terra desolada, uma desolação – Sophia-Akhamôth sofreu a tal ponto como o contato com a matéria, que, após uma luta extraordinária, ela escapa finalmente do caos pantanoso. Embora ignore o pleroma, a religião da sua mãe, ela alcançou o espaço mediano e chegou a sacudir as partículas materiais que estavam ligadas à sua natureza espiritual; depois disso, construiu imediatamente uma barreira infranqueável entre o mundo da inteligência (espíritos) e o mundo da matéria. Ialdabaôth é, assim, o “filho da escuridão”, o criador do nosso mundo pecaminoso (a sua porção física). Ele segue o exemplo de Bythos e produz de si mesmo seis espíritos estelares (filhos). Todos eles têm a sua própria imagem e reflexos uns dos outros, que se tornam mais escuros à medida que se afastem do seu pai. Com este, eles habitam sete regiões dispostas com uma escala, que começa abaixo do espaço mediano, a região da sua mãe, Sophia-Ahamôth, e termina com a nossa Terra, a sétima região. Eles são, assim, os génios das sete esferas planetárias, das quais a mais inferior é a região da nossa Terra (a esfera que a circunda, nosso éter). Os nomes respectivos desses génios das esferas são: Jove o Jehovah, Sabaoth, Adonai, Eloi, Uraios y Astaphaios. Os quatro primeiros, como todos sabem, são os nomes místicos do “Senhor Deus” judaico, sendo este, como afirma C. W. King, “rebaixado pelos fitas para as denominações dos subordinados do Criador; os dois últimos são os dos Génios do Fogo e da Água”.
Ialdabaôth, que muitas seitas consideravam como o Deus de Moisés, não era um espírito puro; era ambicioso e orgulhoso e, rejeitando a luz espiritual do espaço mediano que sua mãe Sophia-Akhamôth lhe oferecia, pôs-se ele próprio a criar um mundo para si mesmo. Ajudado por seus filhos, os seis Génios planetários, ele fabricou o homem, mas não obteve êxito na primeira tentativa. Era um monstro; sem alma, ignorante e que caminhava sobre quatro patas no chão como uma fera material. Ialdabaôth viu-se obrigado a implorar a ajuda de sua Mãe Espiritual. Ela lhe transmitiu um raio da sua Luz e assim animou o Homem e o dotou de Alma. E então teve início a animosidade de Ialdabaôth contra sua própria criatura. Seguindo o impulso da luz Divina, o homem aumentou mais e mais o volume das suas aspirações; muito cedo ele começou a apresentar não a imagem do seu Criador Ialdabaôth, mas antes do Ser Supremo, o “Homem Primitivo”, Ennoia. Então o Demiurgo foi dotado de cólera e inveja; e, ficando seu olho invejoso sobre o abismo de matéria, seu olhar, envenenado pela paixão, reflectiu-se repentinamente nele como num espelho; o reflexo tornou-se animado e do abismo sai Satã, serpente, Ophiomorphos – “a incorporação da inveja e da esperteza. Ele é a união de tudo o que é mais abjecto na matéria como o ódio, a inveja e a astúcia de uma inteligência espiritual”.
Depois disso, e sempre com rancor face à perfeição do homem, Ialdabaôth criou os três da Natureza: o mineral, o vegetal e o animal, com todos os seus instintos perniciosos e pensamentos maus. Imponente para aniquilar a Árvore do Conhecimento, que cresce em sua esfera e em cada uma das regiões planetárias, mas determinado a afastar o “homem” da sua protectora espiritual, Ialdabaôth proibiu-o de comer do seu fruto, com medo de que ele revelasse à Humanidade os mistérios do mundo superior. Mas Sophia-Akhamôth, que amava e protegia o homem que ela animara, enviou o seu próprio Génio, Ophis, sob a forma de uma serpente, para induziu o homem a transgredir o mandamento egoísta e injusto. E o “homem” de repente tornou-se capaz de compreender os mistérios da criação.
Ialdabaôth vingou-se, então, punindo o primeiro par, pois o homem, através do seu conhecimento, já havia conseguido uma companheira feita de suas metades espiritual e material. Aprisionou o homem e a mulher num calabouço de matéria, no corpo tão indigno de sua natureza, e no qual o homem ainda está encerrado. Mas Akhamôth ainda o protegeu. Ele estabeleceu entre a sua região celestial e o “homem” uma corrente de Luz Divina e continua a lhe fornecer iluminação espiritual.
(…)
Akhamôth, entristecida com os males que afligiram a Humanidade, apesar da sua proteção, suplica à sua celeste Sophia – seu antitipo – que interceda junto à PROFUNDIDADE desconhecida para que ela envie Cristos (o filho e a emanação da “Virgem Celestial”) em socorro da Humanidade que estava perecendo. Ialdabaôth e os seus filhos da matéria privam da luz divina a Humanidade. O homem deve ser salvo. Ialdabaôth já enviou o seu próprio agente. João Batista, da raça de Seth, que ele protege – como um profeta do seu povo, mas apenas uma pequena porção o ouviu – os nazarenos , os oponentes dos judeus, porque eles adoravam Iurbo-Adunai. (Iurbo e Adonai, segundo os ofitas, são nomes de ão-Jeová, uma das emanações de Ialdabaôth.
(…)
Akhamôth dissera a seu filho, Ialdabaôth, que o reino de Cristos seria apenas temporal e, assim, induzindo-o a enviar um precursor. Além disso, o fez causar o nascimento do homem Jesus da Virgem Maria, o seu próprio tipo da Terra, "pois a criação de um personagem material só poderia ser obra do Demiurgo; estava fora do alcance de um poder superior. Logo que Jesus nasceu, Cristos, o perfeito, unindo-se a Sophia [sabedoria e espiritualidade], desceu através das sete regiões planetárias, assumindo em cada uma delas uma forma análoga e ocultando dos génios a sua verdadeira natureza, ao mesmo tempo em que atraía para si as centelhas de Luz Divina que eles retinham em sua essência. Assim, Cristos entrou no Homem Jesus no momento do seu baptismo no Jordão. A partir desse momento Jesus começou a operar milagres; antes disso, ignorava completamente a sua missão". (King, The Gnostics and their Remains, p. 31. [p.100 na 2ª ed. ].
Ialdabaôth, descobrindo que Cristos estava levando ao fim o seu próprio reino da matéria, excitou os judeus contra ele e Jesus foi condenado à morte *.
(…)
Uma vez na cruz, Cristos e Sophia abandonaram o seu corpo e retornaram à sua própria esfera. O corpo material do homem Jesus foi abandonado à terra, mas sendo dado a ele um corpo feito de éter (alma astral). "A partir desse momento, ele consistia apenas de Alma e de Espírito, razão pela qual os discípulos não o reconheceram após a ressurreição". Nesse estado espiritual de um simulacrum, Jesus permaneceu sobre a Terra durante mais dezoito meses. Nesta última permanência, recebeu de Sophia o conhecimento perfeito, a verdadeira Gnose que ele comunicou a alguns dos apóstolos que eram capazes de a receber. "Depois, acendendo ao espaço mediano, sentou-se à direita de Ialdabaôth, mas invisível a ele, e dali reúne todas as almas que foram purificadas pelo conhecimento de Cristo. Quando tiver reunido toda a Luz Espiritual que existe na matéria, no império de Ialdabaôth, a redenção será cumprida e o mundo será destruído. Essa é a significação da reabsorção de toda a Luz Espiritual no Pleroma ou Plenitude, donde Ele desceu na origem." (King, op. cit., p. 31 [p. 100 na 2ª ed.].”

Conferência: Mistérios do Sol e do Tempo

A Primeira parte desta conferência foi publicada no Post com o nome: Pequena reflexão sobre o Tempo
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Introdução ao Modelo Sagrado Sol-Terra-Homem

Nos tempos que correm, a maioria de nós leva a sua vida com a consciência apenas direccionada para o tempo profano, o mesmo será dizer que passamos a maior parte do tempo preocupados com o desgaste natural da realidade, e tal facto faz surgir a angústia.
Emaranhamo-nos numa teia de problemas cuja solução, pela falta de visão que possuímos, não conseguimos percebe-la manifestada na Natureza e afastamo-nos dos nossos objectivos como seres individuais e como Humanidade.
Como tal, necessitamos de recorrer ao sagrado de quando a quando para aferirmos os nossos actos relativamente a esses modelos primordiais.
Um desses modelos manifesta-se no plano físico sobre vários aspectos. Um deles, o mais visível, trata-se do sistema Sol-Terra.
A ideia associada a esta manifestação está muito para além da noção da ideia de tempo e estações anuais que encontrámos, a ideia subjacente está associada ao próprio caminho evolutivo do Homem.

O objectivo desta conferência é conseguirmos penetrar no grande símbolo cósmico que é o ano solar, transladando-nos para um espaço interior de análise e de reflexão, um espaço sagrado onde possamos sentir um pouco o sagrado do Tempo.


Constatar na Natureza as verdades manifestas deste modelo

Imaginemos por um instante que nada sabemos acerca do universo, a não ser aquilo que podemos ver a partir da Terra. Imaginemos que recuamos milhares de anos atrás e olhamos a nossa envolvente tal e qual como os nossos ancestrais o fizeram.

A primeira coisa que talvez vamos constatar é a alternância de ciclos de Luz e Trevas, Dias e noites. Se meditarmos sobre esta dualidade aparente e a transportarmos para o nosso dia a dia, veremos que tudo apresenta-se-nos sob a forma de opostos e continuamente optamos, por uma das partes e assim, dualmente agimos. Escolhemos o quente ou o frio, o doce ao salgado etc… acabamos por rejeitar totalmente uma das partes e afastamo-nos da compreensão da totalidade.

Atentos, também observamos que sob a acção do Sol espalha-se a vitalidade e tudo sobre a Terra Cresce e sob a influência da Lua a vida e a morte são controladas.

O Nascimento, o Crescimento e a Morte são eventos cíclicos que também tomamos consciência na Natureza. E como deve ter sido belo, para aquele que pela primeira vez entendeu que a natureza do circulo é algo mais que uma linha que não tem princípio nem fim, que o circulo da vida é um “ad eterno” de opostos.

Meditando sobre o circulo e desenhando-lo, o Homem compreendeu que existia um ponto equidistante que não se encontra sobre o perímetro que contem todos os outros pontos , mas fora deste. Este ponto ocupa o centro do circulo, um lugar de uma dimensão diferente.
Se todo o circulo possuir um centro, provavelmente nos iremos questionar acerca do que existe nesse centro. O que existe no centro do circulo da vida e da morte? O que existe no centro do circulo que anima a Natureza?

Como devem ter sido iluminados todas aquelas mentes, que sem o auxilio de satélites e telescópios conseguiram intuir que no centro do circulo anual encontrava-se o Sol e que a visão dual era somente devida à ilusão criada pela Terra, uma vez que se fosse possível sair da mesma tudo seria Luz. Afinal, a dualidade é somente dois aspectos da mesma coisa e não duas coisas diferentes.

Assim sendo, sobre o centro, a dualidade deixava de existir. A consciência total seria perene, o agir seria único e não parcial e partidário e o conhecimento seria total.


O Homem como parte da Natureza

A natureza morre e renasce ao longo do ciclo anual Terrestre. Como o Homem não é extra natura, deveria também obedecer ao mesmo plano e assim deveria morrer e também renascer.
Quando o Homem compreendeu isto pela primeira vez, talvez se tenha questionado então, o que seria a Morte e qual seria o seu caminho evolutivo?
Agora, não bastava conhecer o que os seus olhos viam, ele necessitava ultrapassar fronteiras, agora ele necessitava de conhecer-se a si mesmo. Era necessário ampliar a sua consciência, levantar o véu da ilusão pois só assim iria aprender e pisar as pedras firmes do seu caminho evolutivo, não caindo nos buracos que este contém.


Conhecer-se

Assim, ao longo do Tempo o homem foi conhecendo-se, conhecendo e transmitindo o seu conhecimento de geração em geração. Deste resultou a consciência que toda a natureza, assim como o homem, possui para além do plano denso, um conjunto de planos cada vez mais subtis. O corpo, a psique, a mente seriam cristalizações do homem nesses planos naturais.
O homem constatou que tal como no plano físico, nos planos subtis, actuavam leis análogas e assim, tal como a terra orbita em torno do sol, lançando este sobre ela a sua luz, também no seu interior existia uma individualidade que irradia sobre uma personalidade e dependendo do ponto do foco da consciência, se centrada na sua personalidade “lua” ou individualidade “sol”, a visão que teríamos de cada coisa.

No Egipto, este sol interior, este Eu divino do Homem foi representado e velado pela mitologia da divindade Osíris.

Os simbolos da Cruz e do Circulo

Penetremos um pouco mais neste modelo da natureza

O circulo e a cruz são símbolos que têm uma estrita ligação com o ano solar e desta forma com o próprio homem.
Como prova da sua antiguidade, vemos que foram dos primeiros símbolos que o homem antigo desenhou.

Todo o Cosmos é a manifestação de uma ideia que é Deus, e tal é esta ideia, que é impossível atingi-la pelas nossas mentes. No entanto, o cosmos é constituído por um harmónico de ideias ligadas entre si e aceder a estas pode ser possível.

Muitas destas ideias, conhecemo-las através de símbolos. Um símbolo é um portal que guarda a entrada a uma ideia. Comporta-se como um longo corredor que contém várias portas. Este corredor transporta a consciência até à essência da ideia, protegendo-la das consciências que não estão habilitadas para a possuírem. Consoante as chaves que se possuem, assim se vai caminhando ao longo do corredor e desta forma compreendendo a ideia em si.

No entanto, não basta possuir as chaves filosóficas de um símbolo para chegar à ideia que este vela, para compreendermos a mensagem ultima, temos de ser nós mesmos o símbolo, temos de nos alinhar segundo as suas directrizes, porque da experiência obtém-se a parte final que complementa a ideia velada pelo mesmo, casando-se assim os opostos como numa boda alquímica.

O principal drama que se desenrola ao longo do ano solar é o confronto entre a vida e a morte. A Natureza mostra-nos a cada ano que é necessário morrer para voltar a renascer para princípios cada vez mais elevados, cuja expressão exterior é a evolução das formas, mas a nossa visão dual, característica da nossa encarnação terrena, faz com que abominemos a morte e não aceitemos como necessária e assim nos afastemos da lição principal. Esta lição diz-nos que no íntimo possuímos uma parte eterna, um Eu divino, que se manifesta de tempos em tempos sobre um aspecto de um novo corpo tendo em vista a sua própria evolução.

Por mistérios ainda maiores da Natureza, somos levados a viver os símbolos e as suas provas nos conduzirão à iluminação da mensagem velada pelos mesmos. Só quando compreendermos a mensagem da experiência, poderemos deixar de sofrer inutilmente e seguir para o próximo nível de conhecimento que possui um novo leque de ideias a viver. Assim, porque vivemos mais determinados símbolos que outros, acabamos por compreendemos melhor aqueles que vivemos, que aqueles que tomamos contacto pela primeira vez.

Assim sendo, sob o ponto de vista terreno, a cruz é por nós conhecida mesmo sem havermos tido um contacto místico com este símbolo, bastando apenas “pensar um pouco nele”.

A cruz simboliza o equilíbrio dos quatro elementos. Simboliza o Homem que conseguiu dominar o seu corpo quaternário.
Inscrita no círculo é símbolo da vida humana e do sucessivo “vir a ser” do homem através das diversas peregrinações ou reencarnações da alma libertada. Simboliza o nascimento, a vida, a morte e a imortalidade. Imortalidade esta que será atingida quando estivermos preparados para ela. Esta porta ser-nos à aberta quando tivermos trilhado o caminho da Sabedoria e então seremos libertos dos ciclos de encarnação.

Significado da Cruz Ankh

Este momento de passagem remete-nos para outro símbolo que é a Cruz Ank, símbolo da vida, da aliança.
A parte superior deste símbolo é formada pelo hieróglifo Ru (porta, entrada, boca, saída) colocado sobre uma cruz Tau. Esta porta indica o quadrante Norte do céu, local onde se eleva o Sol da Meia Noite, o Sol Interno do Homem, símbolo do seu Eu Divino.


O Sol Invicto

O sol físico é o criador da natureza física. A na natureza espiritual é obra do Deus Superior, o Sol Oculto, central e espiritual e de seu Demiurgo, a mente Divina de Platão e a sabedoria divina de Hermes Trimegisto.


Iniciação

O conhecimento deste sol interno é um dos objectivos últimos da humanidade e pode ser acelerado por algo que se conhece por iniciação.

Um iniciado é uma pessoa que por vontade própria não aguarda que a natureza o faça viver determinada ideia. Ou seja, ele propõe-se a viver essa ideia acelerando assim o seu processo de aprendizagem. Tomando consciência da ideia através dos símbolos, alinhando-se pelas suas linhas de força, vive um momento que a restante humanidade irá viver daqui a milhares de anos.

No antigo Egipto, o adepto iniciado que superava todas as provas era atado a uma cruz em forma de Tau e depois mergulhado em sono profundo durante 3 dias e 3 noites, período onde o seu Ego espiritual dirigia-se à presença dos Deuses, ao terceiro dia era despertado pelos raios do Sol que lhe incidiam sobre a cara, sendo depois iniciado.

Se no recinto sagrado o adepto era iniciado para os mistérios da eternidade através de um ritual de um simbolismo profundo, a humanidade é iniciada nos mesmos mistérios através dos mesmos símbolos ocultos na natureza, no maior recinto sagrado de todos, a Terra.

Homem, Cruz e Circulo, o seu significado

Em suma, O Sol Sobre o centro do circulo da vida é o símbolo do Ego Divino. É símbolo da frutificação e da Regeneração. A cruz, símbolo da carne e das paixões, quando associada ao homem, representa a ideia do homem regenerado, o mortal que crucificando a carne e as paixões, renasce como ser imortal pois encontrou o seu centro. Para trás fica o homem animal, atado à cruz da iniciação e a sua nova vida passa a ser plenamente humana, que é a manifestação da Vontade, amor e inteligência.
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Bibliografia:
Doutrina secreta - H.P. Blavatsky
Isis Sem Véu - H.P. Blavatsky
Dicionário Teosófico - H.P. Blavatsky
Textos de Jorge Angel Livragra
O Sagrado e o Profano - Mircea Eliade
Signos del zodíaco y fiestas religiosas antiguas y modernas - J. M. Ragon

Pequena Reflexão Sobre o Tempo


Dizia Mircea Eliade que o Tempo constituiu a dimensão mais profunda do Homem e está ligado à sua própria existência.

A dimensão Tempo é de tal forma complexa, que continua a ser um verdadeiro mistério por revelar. longe está de ser o que aparentemente se nos revela à vista e Einstein o demonstrou na sua Teoria da Relatividade, ao entrar nessa gruta dos mistérios ao dizer que o tempo não é continuo.

De certeza que todos nós já experimentámos vários tipos de Tempo, inclusive comentamos tais experiências. Por exemplo, é bem diferente o correr do tempo quando estamos com alguém de quem gostamos ou quando aguardamos num serviço para sermos atendidos.

Mircea Eliade dizia que experimentamos dois tipos de Tempo.
Um Tempo Sagrado e um Tempo Profano. E na medida em que a nossa consciência se identifica com cada um deles, assim o podemos alongar até ao eterno ou encurtá-lo, o instante em que temos a percepção que a nossa morte está iminente .

O Tempo Sagrado é o tempo da origem, estático, eterno, um tempo mítico, ao passo que o tempo profano emana deste, a partir da primeira manifestação que fez do imanifesto, manifesto. A nova realidade, interagindo com a realidade física envolvente , após ter abandonado o Jardim do Éden, tal como o mais puro dos metais em contacto com o mais corrosivo dos ácidos, aos poucos decai e degrada-se. Assim se inicia a ilusão.

Ao passo que o Tempo profano não é recuperável, o Tempo Sagrado é indefinidamente recuperável e a ele tem-se acesso através da linguagem dos ritos. Aceder a este Tempo é regenerar-se, pois somos transportados ao Tempo Arquétipal que precede a manifestação.

A União do Homem com Este Tempo Sagrado ensina-lhe novamente a essência da verdade ou do modelo mítico que o tempo profano desgasta.

A reactualização deste Tempo Sagrado é vivida pela ritualização de uma festa. Esta transporta o Homem a esse Tempo original, conduzindo-o de novo o à presença dos Deuses.

Disciplina da devoção

"Aquele que é o mesmo perante o amigo e o inimigo, e do mesmo modo perante a honra e a desonra, que permanece o mesmo no frio e no calor, no prazer e na dor, livre de apego, igual na censura e no louvor, silencioso, contente com tudo - aconteça o que acontecer - sem morada [fixa], de pensamento firme, cheio de devoção, esse homem é-me caro."
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Canto XII 18-19
Bhagavad Guita

Da ignorância ao Amor


“A constatação da ignorância conduz ao Amor ou à busca do que nos falta.
Um duplo caminho surge-nos pela frente: aquele que consiste em não assumirmos os nossos erros, ignorâncias, a permanecer pedantes, egocêntricos e a justificar-nos, querendo provar, ou aquele que consiste em aceitar o que somos e a decidir que é necessário fazer alguma coisa para avançar.

É a constatação do que nos falta que permite fazer nascer o Amor. No inicio, esta tomada de consciência exprime-se como um sofrimento perante a ausência de uma dimensão superior da qual sentimos nostalgia. A introspecção a que nos leva a exortação conduz-nos ao fundo de nós próprios, à descoberta socrática que apenas sabemos que nada sabemos, mas também à descoberta da nossa necessidade de Amar e de procurar a sabedoria. É este re-conhecimento que nos leva a sair da ignorância.

Esta nova inquietação leva-nos da ignorância à filosofia ou Amor pela Sabedoria. A ignorância segundo Sócrates, não consiste em não saber mas em continuar a ignorar o que sabemos que ignoramos. Podemos ignorar a ignorância sob pena de não conseguir aprender. Ignorar a ignorância, segundo Sócrates, é a mais terrível das doenças. O nosso verdadeiro inimigo interior é o que nos incita a resignar-mos à ignorância com fatalismo, a renunciar a desenvolver uma necessidade profunda de mudança interior, a renunciar à sua própria capacidade de transformação, é já estar morto.

A instar da obra ao negro dos alquimistas, Sócrates convida-nos a descer ao fundo de nós próprios e a encontrar a nossa própria matéria prima essencial que, embora submersa e recoberta de escórias das nossas dúvidas e medos é a pedra adamantina, matriz da nossa consciência luminosa.”


“A sabedoria de Sócrates”
Fernand Schwarz

Modo de acção



“(...) esse é um dos maiores erros dos Homens; sabem como fazer as coisas, mas, chegando o momento, realizam-nas como não soubessem. Como vês, o problema não está em saber mais, mas em viver o que se sabe. (...)”


"O Alquimista"
Jorge Angel Livraga

Os Motivos Ocultos do Desespero


“No fundo há perguntas, formas de sede e de fome essencial que continuam a torturar-nos e que nos provocam um princípio de desespero.”
(...)
“Há uma grande necessidade de saber de onde vimos, o que somos realmente e para onde vamos, se é que vamos para algum lugar.”
(...)
“Se pensarmos que não vamos a lugar algum, se não há bem, se não há mal, se não há prémio, se não há castigo, se não há nada, então seria indiferente a maneira como vivemos. E se não venho de nenhum lugar, então , que importância tenho eu e que importância têm os meus pais, a minha família, ou qualquer relação humana?

É obvio que, para cortar as raízes desta arvore de desespero, é necessário conhecermo-nos a nós próprios, saber quem somos, de onde vimos e para onde vamos. Faz-nos falta também conhecer as leis universais da Natureza, por exemplo, a Lei da Causa Efeito, chamada no Oriente de Karma: Saber que todas as coisas são causas daquelas que se seguirão e efeitos daquilo que estava anteriormente. Assim, nada neste universo seria casual mas tudo estaria entrelaçado e teria uma razão de ser.”
.....
(...)
“(...) esses versos, essas musicas, essas vozes estranhas que nos ditam coisas que inclusivamente, desconhecemos, de onde vêm?”
(...)
“A perda de contacto com esse mundo maravilhoso – mundo superior mágico . é o que nos cria os estados de desespero interior. É a sensação de não ter feito no mundo o que se pretendia fazer, é a sensação de vazio dentro do coração.”
(...)
“Os homens podem viver com pouco ou praticamente nenhum dinheiro, mas não podem viver sem esperança.”
(...)
“O temor de demonstrar o nosso amor tirou-nos o direito à esperança.”


“O Despertar do Homem Interior”
Jorge Angel Livraga

Cortesia

Humildemente, escrevo as palavras que consegui tecer, de forma a plasmar o ensinamento que um Mestre Transmitiu.

“ A Cortesia é o embelezamento do acto, que respeitosamente, generosa e humildemente realizamos, que conduz à felicidade e ao bem-estar de quem o recebe.”

Que a Luz sempre reine no coração da Humanidade.

Ser mais além



“ A diferença fundamental entre um homem e um animal não está no facto de o animal pensar ou não, mas no facto do homem poder conceber Deus.
Uma Humanidade que perde o contacto com Deus, que perde o contacto com a espiritualidade, deixa de ser uma verdadeira Humanidade, convertendo-se praticamente num grupo de humanóides que simplesmente respondem às suas paixões e pertencem aos ódios.”

Prof. Jorge Angel Livraga
Fundador da Nova Acrópole

Conhecimentos


“O estudante deve considerar que personalidade é sinonimo de limitação e que quanto mais egoísta, quanto mais estreitas sejam as ideias da pessoa, tanto mais intimamente esta aderirá às esferas inferiores de existência, tanto mais tempo se demorará no plano das egoístas relações sociais."

“Com efeito, na evolução do homem, tanto em cada plano isolado como no conjunto, há um arco descendente e outro ascendente: o espírito, por assim dizer, envolvendo-se na matéria e a matéria desenvolvendo-se no espírito. O ponto inferior ou mais material no ciclo converte-se, deste modo, no ápice invertido da inteligência física, que é a manifestação mascarada da inteligência espiritual.”

“As combinações excelsas de sabedoria, bondade e iluminação transcendental, que o mundo tenha visto ou pensado, representarão o tipo comum da espécie humana.”

“A espiritualidade, no sentido oculto, tem pouco ou nada a ver com o sentimento devoto. Relaciona-se com a capacidade da mente em assimilar o conhecimento na fonte original do próprio conhecimento — do conhecimento absoluto — em vez de fazê-lo por meio dos tortuosos e trabalhosos processos do raciocínio.”


“O BUDISMO ESOTÉRICO”
A. P. SINNETT

Prometeu

"Heinrich Fueger 1817 - Prometheus "


O mar abraçou o movimento
que flúi para ele na corrente do rio.
Deu morte à vida que do seu ventre saiu,
a rainha que governa o trono do tempo.

Ao abismo o gerado se lançou
e o divino inverteu o seu pensamento.
Nas águas projectou a imagem do templo
e na terra a sua vontade germinou.

Cresce pelo velado fio-de-prumo
a obra que segue o princípio
O desvio dissolve-se no início
pois a lâmina colheu-o fora do rumo.

Roubada foi a verdade criada.
Retirada ao céu, nas trevas se fez luz.
Abraça a morte na revelação que produz
à beira da estrada que deixou iluminada.

Dia de Portugal



Comemorando o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, a associação cultural Nova Acrópole de Aveiro levou a cabo um recital de poesia que incluiu a leitura de algumas passagens dos Lusíadas bem como a declamação de poemas de autores de expressão portuguesa. Para além disso encontra-se patente nas suas instalações uma exposição de desenhos feito a carvão, da autoria de uma artista aveirense, Orquídea Baltazar. Exposição esta, que vai estar aberta ao público durante as próximas três semanas.
Quero aqui deixar o meu voto de apreço pelo bom momento que nos presenteou e a oportunidade que nos deu de passar um dia diferente.

O meu obrigado.

Saber Julgar




“Encontram-se, muitas vezes, nas paredes das prisões, legendas interessantes, formulas, versos e inscrições que nos esclarecem o espírito e nos orientam os sentimentos de bondade e clemência. Conta-se que, certa vez, o Rei Mazim, senhor da rica província de Korassã, foi informado que um presidiário hindu escrevera palavras mágicas na parede da sua cela. O rei Mazim chamou um escriba diligente e hábil e determinou-lhe que copiasse todas as letras, figuras, versos ou números. Muitas semanas gastou o escriba para cumprir, na integra, a ordem extravagante do Rei.(..)

(Assim partiu o escriba em viagem)

(Quando Regressou) Diante do pedido do monarca, disse o sábio:

- Eis os versos escritos por um dos condenados:
A felicidade é difícil porque somos muito difíceis em matéria de felicidade.Não fales da tua felicidade a alguém menos feliz que tu.Quando não se tem o que se ama é preciso amar o que se tem.

Eis um problema escrito na parede da cela de um condenado:
Tenta colocar 10 Soldados em cinco filas, tendo cada fila 4 Soldados.

A seguir o sábio leu a seguinte lenda:
« Conta-se que o jovem Tzu-Chang se dirigiu um dia ao grande Confúcio e perguntou-lhe:- Quantas vezes, ó esclarecido filósofo, deve um juiz reflectir antes de sentenciar?Respondeu Confúcio:- Uma vez hoje; dez vezes amanhã.Assombrou-se Tzu-Chang ao ouvir as palavras do sábio. O conceito era obscuro e enigmático.- Uma vez será o suficiente – elucidou com paciência o Mestre – quando o juiz, pelo exame da causa, concluir pelo perdão. Dez vezes, porém, deverá o magistrado pensar, sempre que se sentir inclinado a lavrar sentença condenatória.E concluiu com a sua incomparável sabedoria:- Erra, por certo, gravemente, aquele que hesita em perdoar; erra, entretanto, muito mais ainda aos olhos de Deus, aquele que condena sem hesitar.»"

"O Homem que sabia contar"
Malb Tahan

A Queda

"Narciso"
Caravaggio


O Homem olhava para o horizonte. Aquela estreita linha que ao longe estabelecia a fronteira entre o céu e a terra, teria sido o seu inicio e iria ser o seu fim.Abraçando um fogo que descia do céu, na quietude, aguardava pelo sol nascente. A aurora fez-se chegar e ao brilho do azul celeste, no branco que vestia, saudava os primeiros raios que desciam pelas encostas do tempo, filho de uma vontade superior e de um desejo de ser.


Nesse tempo, era ele um eixo do plano, sobre o qual as estrelas confirmavam o seu corpo e por isso mesmo, com o lápis da mente pintava no círculo celeste histórias secretas que apenas o amor podia compreender.


O mesmo horizonte onde o seu interior tinha o início impeliu-o a caminhar a seu encontro. Deixando para trás as colunas que sustentavam o seu templo, desceu as encostas do monte onde se encontravam os Deuses.


De tanto caminhar sobre o espaço, chamou o mesmo espaço de infinito. Tanta foi a obra que encontrou que o sol, pouco a pouco, começou a erguer-se por trás de nuvens e a sua alma, pela paixão, sucumbida pela magia dos sentidos, encontrou no corpo temporal a ilusão da esperança, o brilho efémero e do inicio, apenas se recordava de uma fosca luz.


O vento erodia-lhe o corpo, a água arrastava-o nas suas correntes o fogo queimava-o e a terra sepultava-o, pois o mundo parecia-lhe infinito, infinito de mais para se recordar do sentido da sua busca, do seu inicio e do seu fim.

O Caminho


“ Foi a Filosofia que me ensinou a depender mais da minha consciência do que dos juízos dos outros; a estar sempre atento, não ao mal que de mim se diz, mas a não dizer ou a não fazer eu próprio o mal.”

"Discurso Sobre a Dignidade do Homem"
Pico de la Mirandola

Rei e Poeta



Por receio de quem espia
Com muita inveja a roer
Não veio naquele dia,
P’ra assim traída não ser
P’la luz que no rosto explende,
P’las jóias A tilintar,
E pelo perfume do âmbar
A que o corpo lhe rescende:
É que ao rosto, com o manto,
Tapá-lo inda poderia,
E as jóias, entretanto,
Facilmente as tiraria
Mas a fragância do encanto
P’ra ocultá-la, que faria?

al-Mu’tamid

Poema que consta nas «Mil e uma noites»

Al-Mu’tamid foi Rei e Poeta do Ândalus. Nasceu em Beja no ano de 1040 no mês de Dezembro e nessa mesma cidade passou a sua infância. Veio a falecer em Marrocos, em Outubro do ano de 1095, prisioneiro dos Almorávidas. A sua vida foi um verdadeiro conto das Mil e uma Noites, com um fim Dramático. Deixou-nos vários poemas que podem ser encontrados no livro de onde o anterior foi retirado; “Al-Mu’Tamid” – Adalberto Alves.

Voz do Ser

Nós, possuidores de uma tecnologia de ponta, senhores de um conhecimento que nos capacita de tratar o semelhante como indígena e inculto, não somos mais que o vazio ornamentado com jóias. Hoje, estamos bem lá no alto para invalidar a mensagem daqueles poucos que ainda falam com a Natureza e com esses, continuamos a não partilhar de coração aberto o nosso, pois aquilo que nos têm para dar não brilha com a luz do sol que os nossos olhos captam. Sejamos humildes, pois o presente que estes homens nos oferecem é o Sol que ilumina o Ser, a raiz do sol que faz o céu azul, Celeste.



“É melhor ter menos trovões na boca e mais raios nas mãos.”
Apache

“seremos conhecidos para sempre pelas pegadas que deixarmos”
Dakota

“Quando mostramos respeito a todas as coisas vivente, elas respondem com respeito perante nós.”
Arapaho

“O nosso primeiro professor é o coração”
Cheyenne

“não existe a morte, apenas mudança de mundos”
Duwamish

“Não podes acordar uma pessoa que finge estar a dormir.”
Navajo

“Se um Homem for sábio como um serpente, pode se dar ao luxo de ser tão inofensivo como uma pomba.”
Cheyenne

“tudo o que o poder faz, fá-lo em circulo.”
Lakota

“um Homem faminto irá comer com os lobos.”
Oklahoma

“Um sapo não bebe o charco onde ele habita”
Sioux

“Não deixes que o ontem te roube muito tempo ao presente.”
Cherokee

“Caminha com cuidado na Primavra; A Mãe Natureza está grávida.”
Kiowa

A Aurora

Der Kleine Morgen, Hamburg, 1808
Philipp Otto Runge

"Runge concebeu o quadro como parte de um ciclo sobre as quatro estações entendidas como as «quatro dimensões do Espírito criado». A manhã representa «a Iluminação sem limites do universo», a noite (o sol negro na extremidade inferior do quadro «a destruição sem limites da existência na origem do universo». A luz é simbolizada pela açucena, e os três grupos de crianças «remetem para a Trindade»"

Alquimia & Místicismo
Alexander Roob

O Amor



“ Segundo Ficino, em De amore II, «o amor começa pela beleza e termina com o prazer.» Esta função de mediador do Amor corresponde à definição dada por Platão no Banquete, a saber que «o Amor é o Desejo despertado pela Beleza». Se a Beleza não for a origem, o Desejo por si só não seria Amor, mas uma paixão animal; enquanto que só a beleza, sem qualquer ligação com a paixão, seria apenas uma entidade abstracta que não provocaria o Amor. Apenas a força revigorante do Amor pode conseguir unir os contrários, se o Amor contempla o todo.
Por outro lado, o prazer pode ser visto como uma alegria, o objectivo único do filósofo, que ele deve conquistar através da contemplação do todo Outro.”

Isabelle Ohmann e Fernand Schwarz

O Simbolismo Esotérico-Astrológico da Última Ceia
Jorge Angel Livraga / Delia Steinberg Guzmám

Vida



O vento sopra. Esse vento é uma corrente, uma força uma lei.

O cata-vento tende a alinhar-se naturalmente na direcção do vento.

No início, o cata-vento, fixo, não tem consciência de si, porque tudo o que existe, existe em equilíbrio em harmonia.

O vento começa a soprar e entre as peças móveis do cata-vento começa a existir fricção. A consciência do cata-vento desperta para o mundo onde o vento se manifesta uma vez que o equilíbrio foi quebrado.

A fricção das suas partes causa dor, mas mesmo assim o vento aumenta a sua intensidade.
No fim o cata vento encontra-se alinhado na corrente forte que o vento provoca, e embora a lei que é o vento se manifeste, o cata vento encontra-se parado, alinhado, em equilíbrio.

Este é o mistério da vida, o período de tempo que decorre entre dois pontos de relativa acalmia
Existem muitas leis que desconhecemos e à maior parte delas oferecemos resistência. A dor é algo de inevitável para que a transformação ocorra.

Nada está parado, tudo se encontra em movimento.

O cata-vento não pode mudar a direcção do vento, mas pode mudar-se a si mesmo, aumentado a vontade e esforçando-se para isso, para girar sobre si o mais rápido que consiga, para que o alinhamento se processe o mais rápido possível.

Os mestres são aqueles que colocam o óleo nas engrenagens, e assim, o cata-vento toma consciência das suas engrenagens e desta forma compreende o atrito, a dor.

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