"Somos como águias enjauladas; mas mesmo por detrás das grades podemos olhar os céus expansivos e extrair inspiração de uma estrela." Pensamentos para aspirantes- Sri Ram

Iniciação



“É sabido que a finalidade última dos mistérios antigos para aquele que se encontrava na posse das sete chaves vivas da vida superior, era conduzir o epopto – iniciado de último grau – à investidura da “Áurea de Fogo” ou Corpo Solar, segundo os chamou Virgílio e denominou Astroeides, ou princípios cósmicos do homem, o esoterismo pitagórico.

O caminho para o seu logro não podia ser outro que os processos místicos ou purificações rítmicas de acordo com a luz anual solar sobre os quatro signos cardiais do zodíaco, mencionados nos versos áureos como a tetractris sagrada, imenso e puro símbolo.

Tais práticas catárticas, de crescimento e purificação integral, associavam-se com os processos da natureza, uma vez que significavam o início das quatro estações com as suas quatro ondas de vida.
Estas observâncias rítmicas possuíam, na verdade, uma altíssima finalidade telésica e teúrgica.

O exercício harmonizado de todas estas práticas e treinamentos desembocava na chamada anastasis ou “consciência continua”. Uma vez conseguida a suprema finalidade dos mistérios, o epopto, podia penetrar nos mundos sem perder a continuidade da consciência, o que equivaleria a antecipar os estados posmorterm da alma, ou seja, atingir o desdobramento voluntário mantendo a mesma lucidez fora e dentro do corpo. Apesar do segredo imposto, Plutarco e Cícero, dão indício desta experiência iniciática quando afirmavam: “Só posso dizer que, desde agora, não temerei a morte.”

Deste modo conseguia o epopto a faculdade de atravessar as fronteiras do mais além e assim permanecer consciente nos planos subtis do Cosmos, conhecendo experimentalmente todos os estados da psique sem sofrer os letargos temporais e turvações que a acompanham”


JOSEFINA MAYNADÉ

Dia Mundial da Poesia

Como me tornei varredor
Quantos corpos construíste para mim?
Desde a aurora do início do tempo?
Na marcha dos ciclos sem fim,
Quantas vezes dignifiquei o meu aposento?

Ampliei-os com terra e cimento.
Plantei e colhi odoríficas flores.
Portas e janelas abri ao vento,
E arremessado fui no turbilhão das dores.

Mas houve um dia em que sonhei com o silêncio
Imposto pela voz do fogo a crepitar.
Da lareira que estava esquecida no centro,
Vinha uma Voz que mil vozes fazia calar.

Despertando, arrastei cadáveres empilhados,
Procurando essa fogueira esquecida.
E ao meu redor entoaram murmúrios encantados,
Tentando-me com as ilusões da vida.

Não vejo com os meus olhos esse fogo,
Mas ao longe escuto um eco da sua palavra.
Cresci, quebrando os grilhões do meu conforto,
Na busca do lugar da sua secreta morada.

Varro, limpo e com ordem disponho
O caos que eu mesmo criei e que me amarra.
E quando a ilusão me atenta contra o sonho,
Invoco o fogo eterno que nunca se apaga.

Assim foi como me tornei varredor,
E limpando encontrei as linhas de um livro.
Uma contínua história de amor
Que a Natureza partilha com o seu Amigo.

Na senda do Fogo, eis o que vi e ouvi…

O que disseram as Pedras
Rainhas do ténue murmúrio
Matrizes de um passado feito presente.
Sois as mães do mais recôndito refúgio
De um mundo forjado no vosso ventre.

Calcaram-vos inúmeras gerações
De Humanidades agora esquecidas
Agora marcam-vos os tacões
Dos pais das Humanidades prometidas.

Sois o início da Grande Obra
Do ideal do imanifesto artista.
É o cinzel da vida dá a forma
À pedra mágica do alquimista.

Em tempos, vós, sozinhas erguestes templos,
Firmes como a vontade dos povos construtores.
Sobre vós verteram-se unguentos
Nos sagrados altares interiores.

Guardiãs de mágicas palavras,
Escritas à luz do sol e do luar
Sois as primeiras páginas lavradas
Da história deste despertar.

E paciente aguardais novamente
Pelo retorno da tranquilidade do pó.
Imóveis esperais serenamente.
O sétimo acorde, esse último dó.


Da Água dos rios, ribeiras e riachos
Filha do céu quando dele descendes
Precipitas-te para o corpo que te contém.
És pura força em torrentes
E purificadora também.

Por isso tens o fogo como irmão,
Quando livras o ser do seu tormento,
Da sujidade que lhe causa a ilusão,
Onde reside o seu sofrimento.

Na tua essência está o fluir
E ninguém te prende pela mão.
E se fores impedida de partir
O tempo te libertará da prisão.

Se as grades tecerem esse crisol
De fazer-te esquecer a tua livre natureza,
Volatilizas-te no beijo quente do sol
Para voltares a cair na senda da beleza

Vitalizas a terra que o arado rasga
E fecundas quando és sangue, lágrimas e suor.
Se faltas a vida acaba
E os secos campos gemem de dor.

Mostra-nos, que a vida é movimento
E a mesma vida desabrocha ao teu redor.
Animas o físico no tempo
Em que ele se banha no teu fulgor.


Notas de Flores de um jardim
Que graciosas sois, ó minhas flores!
As vossas cores são música para as emoções.
Estremeceis o corpo com frios e suores,
Nas paletes das vossas canções.

O vosso perfume completa o acorde
Que ressoa na alma do apaixonado.
Submeteis a razão com um simples toque
No coração do pobre coitado.

Esse, querendo-lhes sentir as pétalas
Termina com sementes nos seus dedos.
Depois na pele durante décadas
Germinaram inebriantes flores de desejos.

E assim se vê arrebatada
A imaginação pela fantasia.
E toda a vivência é classificada
Pelo gosto, desgosto ou apatia.

Sois no entanto um jardim encantado,
De cores em subtil acção
E quem inconscientemente lá tenha entrado
Só de lá sai pela rectidão.

Assim, sois para ser vistas mas não colhidas,
A vossa presença dá cor a qualquer gesto,
Rosas ficam bem nas despedidas,
Lírios azuis no regresso.

Borboletas e pensamentos
De tantos tamanhos, formas e feitios.
Com múltiplas cores saltitam no ar.
Batendo as franzinas asas alguém as viu
Procurando lugar seguro para pousar.

Vão e vêm não sei de que paragem.
Talvez o vento as traga e as leve.
Talvez sejam penas que se soltem
De Águias de um mundo celeste.

Quando nas borboletas nos fixamos,
Seja em casa, no trabalho ou na rua,
Com os pés firmes na terra escutamos
Dizer que estamos com a cabeça na lua.

Se há coisas que com elas gostamos de fazer
É compará-las, medí-las e pesá-las.
E magicamente, novas borboletas fazemos nascer
Neste jogo infinito que é raciocina-las.

Oh! E como elas gostam de flores!
E como seduzem as fantasias de as ver pousar!
Borboletas e flores são sinónimo de cores,
De fugas e ausências do lugar.

Quando para além delas conseguimos olhar
E o infinito azul do céu contemplamos.
Lá no alto está uma Águia a voar
E são essas as asas que procuramos.


Autor: Afonso Diniz de Claraval

"Senhor dos Anéis" - de J. R. R. Tolkien

“TODOS temos acesso pelo menos a dois mundos — aquele em que vivemos e aquele em que podemos sonhar e imaginar. Na literatura de fantasia, podemos entrar directamente no mundo dos sonhos e encontrar um lugar tão real que podemos aprender e crescer a partir da nossa experiência nele mesmo. Experimentando uma grande história podemos ser transportados directamente para os interiores mais recônditos do universo dentro de nós, que todos partilhamos, podendo abrir a porta para os mistérios do mundo interior. Este processo transformacional pode ser visto especialmente no encontro do leitor com o Senhor dos anéis, por J. R. R. Tolkien.


Escrito principalmente entre 1937 e 1949 (que coloca a maioria da escrita durante a segunda guerra mundial), o Senhor dos anéis não se tornou um best-seller até a década de 1960. Apesar do início tardio, pode sem dúvida ser chamado a maior obra de ficção do século XX. Os seus temas principais — O bem contra o mal, amizade, a importância do indivíduo a reverência pela natureza — são tão relevantes hoje, como quando o livro foi escrito. Cada capítulo tem passagens que podem ser interpretadas de várias maneiras, de acordo com as crenças religiosas e filosóficas de cada um. Mary McNamara, um escritor da equipa do Los Angeles Times, disse, "50 milhões de cópias da trilogia e 40 milhões de cópias de seu precursor, o Hobbit — foram vendidas em 35 idiomas, o que coloca a obra de Tolkien em algum lugar entre a Bíblia, ‘o pequeno livro vermelho de Mao’ e aquele menino feiticeiro, Harry Potter." A New Line Cinema já gastou 300 milhões na esperança de que os seus esforços para traduzir a história para a tela irão produzir os filmes do século.

O Senhor dos anéis é a história de "a sociedade do anel," constituída pelo mago Gandalf, o cinzento, dois homens (Aragorn e Boromir), o elfo Legolas, o anão Gimli e quatro Hobbits (pequenas pessoas com grandes corações, Merry, Pippin, Sam e Frodo, o portador do"anel"). O livro segue as aventuras da sociedade como eles partiram para destruir o um anel, o símbolo máximo do mal. Se não conseguirem e a guerra para ganhar o controlo do mesmo for ganho pelo senhor das trevas, Sauron, a vida, como era conhecida vai acabar e o povo livre da Terra-média será escravizado.

Para salvar a Terra-média, o anel — o anel governante — criado há muito tempo pelo senhor das trevas, Sauron, deve ser destruído, atirado para as ravinas da perdição, onde foi originalmente forjado. Ninguém, nem mesmo um grande mago ou guerreiro pode usar o anel sem ser corrompido pelos seus poderes de sedução. Frodo relutantemente voluntariou-se para o levar para a sua destruição. Elrond, o imortal, portador do maior dos anéis dos elfos — Vilya, o anel azul — concorda que essa missão é o destino do Frodo: "Acho que essa tarefa é indicada para ti, Frodo; e que, se tu não encontrares uma maneira, ninguém o fará."

Nós mesmos, que ainda não destruímos os produtos do anel — o nosso desejo de poder, a nossa ganância, egoísmo, orgulho e luxúria — podemos aprender com as acções destas personagens.”

Helene Vachet

Sobre a Razão e a Paixão

Há muito que cá não publicava….
Possivelmente há tanto que o faço para o silêncio e o vazio, ainda assim partilho com a envolvência deste local um trecho do livro “O Profeta” de Khalil Gigran.


Khalil Gibran


“A sacerdotisa voltou a falar e disse, Fala-nos da Razão e da Paixão.
E ele respondeu, dizendo:

A vossa alma é muitas vezes um campo de batalha, em que a vossa razão e o vosso julgamento estão em guerra contra a vossa paixão e o vosso apetite.

Pudesse eu ser o pacificador da vossa alma e transformaria a discórdia e a rivalidade dos vossos elementos numa união e melodia.

Mas como o poderia fazer, a menos que vós também fosseis pacificadores, amantes de todos os vossos elementos?

A vossa razão e a vossa paixão são o leme e as velas da vossa alma navegante.

Se um de vós navegar e as velas se partirem, só podereis andar à deriva ou ficar imóveis no meio do mar.

Pois a razão, só por si, é uma força confinante; e a paixão, não controlada, é uma chama que arde provocando a sua própria destruição.

Por isso deixai a vossa alma exalar a vossa razão até ao auge da paixão, de forma a poder cantar;

E deixai que ela oriente a vossa paixão com razão, de forma a que a vossa paixão possa viver através da sua ressurreição diária, e, qual fénix, renascer das próprias cinzas.

Eu comparo o vosso julgamento e o vosso apetite com dois hóspedes queridos que recebeis na vossa casa.
Com certeza não irieis favorecer um mais que o outro; pois aquele que o fizer perderá o amor e a confiança dos dois.

Entre as colinas, quando vos sentais à sombra fresca dos brancos álamos, disfrutando da paz e serenidade dos campos e prados distantes deixai o vosso coração dizer silenciosamente,

"Deus repousa na razão".

E quando vier a tempestade, e o vento forte assolar a floresta, e a trovoada e os relâmpagos proclamarem a majestade do céu, deixai que o vosso coração diga

"Deus move-se na paixão".


E uma vez que sois um sopro na esfera de Deus e uma folha na floresta de Deus, também vós devíeis repousar na razão e mover-vos na paixão.”

Vida


A Matéria, a Vida e a Consciência são três aspectos de uma Unidade invisível.

Há muitos aspectos que guiam a evolução, três deles são os seguintes:

1º - Um impulso interno da vida e um estímulo externo do ambiente são ambos necessários ao crescimento da vida; sem os choques, a vida permaneceria adormecida; com o estímulo externo apenas, mas sem o impulso interno, permanece morta a forma.

2º - A vida evolui construindo e destruindo.

3º - Quanto mais a vida evolui, tanto mais consciência é libertada. Uma forma preenche satisfatoriamente a finalidade evolutiva quando através dela pode manifestar-se plenamente a consciência encerrada na vida que anima.

Foto de: Stelya Pereira

Viver simplesmente, pouco significa para a vida; mas, pensar, sentir, aspirar, ser intuitivo, ainda que de modo vago, eis pelo que toda a Natureza se esforça. Não há um só electrão que não aspire de modo vago a tornar-se um representante mais perfeito da Força divina da qual é um canal; cada planta e cada animal, das profundezas do seu pensamento e dos seus sentimentos, espera e esforça-se em silêncio por conseguir ser um reflector maior da Vida divina que contém. A vida esforça-se incessantemente por ser cada vez mais auto-consciente, e acima de tudo, por ser consciente do Grande Plano e da sua alegre participação nesse Plano.

Jinarajadasa
Fundamentos de Teosofia

Limitações



Foto de: Stelya Pereira


"Antes que possamos transcender as limitações, seja em nossa própria natureza ou nas circunstâncias em torno de nós, devemos tentar entender o que é que elas nos estão a pretender ensinar."
(Sri Ram)

Presépio


Ao passo que textos de tantas civilizações são tidos como mitos fantasiosos, porque é que se olha para os textos bíblicos como evidências históricas?

Foto de: Pedro
In: Olhares

Jesus nasceu no dia 24 de Dezembro? É mais que provável que não.
Jesus nasceu numa manjedoura ou numa gruta? É mais que provável que não.
Reis, Pastores vieram ao seu encontro e uma estrela brilhou no céu? Não.

Mas isso não é o importante.

Blavatsky disse-nos que qualquer religião deve ser estudada sob 3 aspectos: o mítico, o histórico e o místico. Assim sendo, um símbolo não deve ser adorado como um facto e da mesma maneira que alguém não fica abraçado à porta de casa quando no interior da casa está o familiar que vai visitar, assim o discípulo não deve ficar abraçado a um símbolo quando este é somente uma porta para uma verdade interna.

O símbolo do presépio vela a verdade sobre a Primeira Iniciação, sobre o primeiro nascimento após uma longa senda que está aberta a toda a humanidade mas que somente muito poucos a trilham.

Se o leitor retirar as cadeias o fanatismo e com uma atitude eclética investigar o nascimento de todos os salvadores das religiões antigas, tendo em conta a diferença dos símbolos, verá o mesmo denominador comum.

Será casualidade?

 As passagens bíblicas revelam por detrás dos seus símbolos e alegorias verdades universais que não são propriedade de uma religião mas sim da humanidade. Milhares de religiões existiram e outras tantas irão existir. Todas as religiões actuais morrerão da mesma maneira que as antigas morreram e o que fica? O fogo da verdade.

Aqueles que amam os símbolos cairão e morrerão com os símbolos, aqueles que amam o fogo são imortais.

A Iniciação


“Aquele que procura a senda não necessita de buscar nada, porque a senda não deixará de encontrar a pessoa adequada. Talvez pareça desencorajador, mas no entanto é um facto muito excitante: Não se procura nada, nem sequer a senda, nem a eminência, nem a consequência, mas sim somente dar de si aquilo  que se tem e assim a senda irá vos encontrar, então, muito bem, segui-la. Se não, pois bem, segui-vos desenvolvendo no curso natural das coisas. É muito importante insistir nisto porque há muita gente que busca um Guru, que quer ser Adepto e quer a Iniciação, tentando avançar de diferentes maneiras. Finalmente descobrirão que esta busca não acaba com o êxito. Talvez obtenham um certo êxito, mas não no sentido real.



O símile que se usa para descrever a senda é o de um caminho que vai subindo por uma montanha acima no sentido circular ascendente. A maioria da Humanidade está programada para o ir seguindo, a quarta ronda, a quinta ronda, etc. e finalmente todos chegarão ao cimo. Mas existe também a possibilidade de ascender directamente pela ladeira escarpada, não pela senda conhecida, tomando um atalho que conduz ao cimo.

Naturalmente é difícil. Se continuarmos com esse símile, o atalho directo irá cruzando com a senda, que vai dando voltas, em vários pontos e cada um desses pontos de intersecção pode considerar-se como o sinal de uma das Iniciações.

A Iniciação não está dirigida para a personalidade mas sim para o Ego que está por detrás da personalidade e que possui uma nova personalidade em cada encarnação. É uma abertura da consciência do Ego, que tem várias possibilidades no plano espiritual, mas que permanece adormecido.
Naturalmente, todas essas potências acabarão por florescer e dar fruto e é possível, mediante certas forças das quais podemos ter um conceito muito limitado, despertar esses poderes latentes.”

Sri Ram

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